Taboo desperta curiosidade e mostra a força das produções britânicas

Imagem: FX

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Acompanhar shows com uma perspectiva curiosa e interessante é sempre prazeroso. Um belo exemplo disso é Westworld, deixando sempre os espectadores com muitas perguntas. Os rumores são grandes e logo fãs se juntam para disseminar as mais loucas teorias, talvez aí esteja um ingrediente poderoso na receita do sucesso. A primeira visão que se tem de Taboo em “Shoves and Keys” é um pouco assim, temos um personagem muito interessante e enigmático interpretado por Tom Hardy. Uma história que nos envolve em curiosidade e desperta interesse .

Londres 1814 – Para esta Londres suja e insalubre da época, retorna James Keziah Delaney da África após uma década, causando espanto a todos que o imaginavam morto. James com seu chapéu, necessário talvez para o primeiro momento, persegue com determinação sua cidade, envolto na armadura de sua própria reputação, sempre ficando pelo menos dois passos à frente de todos os outros, com suas ameaças encantadoras. Logo após o enterro de seu pai, Delaney mesmo tendo sua meia irmã Zilpha, torna-se o único herdeiro por testamento de seu pai, obtendo um pedaço de terra no Pacífico chamado Nootka Sound, que, como a Companhia das Índias Orientais pode convencer Delaney de sua inutilidade, é um bem global significativo em tempos de guerra, algo que ele bem sabe.

A Companhia não demora em receber registros sobre James, após seu retorno inesperado. Em 1798, Delaney foi mandado pelo pai e a nova noiva para a Companhia de Woolwich no regimento do próprio Sir Stuart Strange, interpretado por Jonathan Pryce (o Alto Pardal continuará nas telinhas semeando a discórdia). Em pouco tempo na Companhia, James se apresenta excepcional em diversas habilidades, inclusive em liderança, capaz de iniciar rebeliões. O principal trabalho da produção técnica é fazer com que Tom Hardy pareça mítico. É tudo sobre dar caráter a sua presença. Vemos pela primeira vez um Delaney encapuzado chegando em Londres em barco a remos, depois um Delaney andando a cavalo e então Delaney adentrando um corredor de igreja com seu chapéu icônico, uma aparência intimadora e de certa forma perturbadora. O público está prestes a ser fisgado por um ótimo personagem, o que esperasse é que o show não seja apenas “Tom Hardy”.

Exceptional. Exceptional. Excepetional.

A trama envolve o espectador numa nuvem de segredos, como a criança abandonada por quem James pagou por cuidados. Uma hipótese interessante é que a criança seja filho de James, fruto do incesto com sua meio irmã Zilpha. Depois de 10 anos na África, onde Delaney ao que deu para entender fez muito mal, evidentemente também aprendeu bastante. O suficiente para falar Twi, se comunicar a distância, e saber práticas nativas que tornam-o deveras exótico.

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A herança que Delaney recebeu é outro ponto bastante intrigante e pode muito bem ter sido a motivação para o assassinato de seu pai. James descobre que seu “louco, velho bastardo” pai foi envenenado com arsênico. Agora ele não só tem sua herança para lidar, mas também um caso para resolver. O que não se tem dúvidas é que James tem conhecimento dos segredos da política internacional e da sua própria família, incluindo o fato de que sua mãe, foi comprada por seu pai em troca de pólvora junto com a terra de seu povo. Não sabemos como ele descobriu o primeiro, mas este último parece ter chegado até ele por meios sobrenaturais, cortesia da conversa ao fogo de seu pai.

O piloto da série apesar do ritmo lento se fecha com Delaney mostrando a que voltou. Não abrindo mão de Nootka Sound e mostrando-se nem um pouco intimidado pela Companhia ou com quem mais queira apresentar poder. Aquelas típicas cenas com o crescimento do personagem e um arrepio após sua imponência demonstrada. Fica a vontade incrível de quero mais, aguardando mais da bela fotografia, numa paisagem suja, porém bastante literária, como se tirasse cada enquadramento de delicadas palavras escritas. Que os espaços vazios deixado pelas lacunas da curiosidade e do mistério sejam preenchidos com uma trama incrivelmente elaborada.

 

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Michelle Costa

Michelle Costa

Catarinense, 25 anos, canceriana. Que prefere ficar assistindo séries sempre á qualquer coisa!