Take my love, Firefly

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Da Estante Para a TV

Hoje, Joss Whedon é um dos poderosos de Hollywood. Diretor e roteirista dos dois filmes dos Vingadores, Whedon conta a liberdade e o poder ($$) que antes lhe escapava. É claro que ele obteve sucesso com Buffy the Vampire Slayer, mas sua melhor criação, Firefly, foi-se embora muito cedo. Imagine, portanto, caso Whedon quisesse lançar seu western/futurista/pós-apocalíptico/distópico agora, com todo o respeito que conquistou. Talvez não fosse uma ideia tão boa. Caso começasse hoje, Firefly provavelmente não teria Nathan Fillion ou Morena Baccarin; ou então o visual característico e a direção de arte espetacular. Talvez Castle, uma das melhores séries procedurais da TV aberta, não existisse, haja vista que Firefly acabou traçando e abrindo caminhos para Fillion.

Mas divago. O ponto objetivado aqui é mostrar, de início, que o fato de Firefly ter sido lançada na época que foi e ter tido apenas uma temporada não foi de todo ruim. O programa não seria cultuado do jeito que é e não se configuraria como o marco que é hoje se fosse lançado em outra época. Pois não se engane: embora a equipe da Serenity não seja muito conhecida pelo grande público, sua incrível trajetória contada em – ótimos – treze capítulos é uma das melhores coisas que a televisão proporcionou na década passada.

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Para começar, Firefly foi profundamente baseada em um livro chamado The Killer Angels, de Michael Shaara, que fala sobre a Batalha de Gettysburg, um dos maiores eventos da Guerra de Secessão Americana. Whedon não utilizou personagens ou eventos específicos, mas muitas das melhores ideias e abordagens da série nasceram quando Whedon leu o livro durante férias em Londres. Em entrevista, o roteirista contou que o livro trazia um relato detalhista sobre a Batalha e o elemento principal que fez com que Firefly surgisse em sua mente foi a precisão com que o autor abordava as vidas das pessoas durante a Guerra.

Firefly surgiu, portanto, daquilo que é uma de suas melhores características: o desenvolvimento de seus personagens e as relações entre estes e o ambiente inóspito dos planetas e do espaço. Outra característica marcante da série que surgiu durante a leitura do livro foi a época em que a trama seria ambientada. O futuro com cara de passado foi baseado na Era da Reconstrução dos EUA, que foi o período em o país passou a se recuperar e se reconstruir depois da Guerra. Ao analisarmos Firefly, podemos perceber estes detalhes com clareza. O universo da série mostra a conquista de um novo sistema solar depois que a Terra tornou-se inabitável. Assim, os sobreviventes devem se reerguer. Esta reconquista lembra, também, os velhos westerns, onde caçadores de recompensas e desbravadores conquistavam o oeste aos poucos.

Da TV Para a Estante

 

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Após ser injustamente cancelada, Firefly conquistou – e ainda conquista – inúmeros fãs ao redor do mundo. Percebendo a força do material, Whedon e demais escritores e produtores decidiram desenvolver o universo em outras mídias. Além do conhecido longa-metragem Serenity, que tenta dar um encerramento digno à trama e aos personagens, Firefly ainda encontrou sobrevida em jogos, HQs e livros.

Firefly, então, foi parar nas estantes na forma de HQ. Intitulada Serenity: Those Left Behind, a minissérie de HQs em três edições foi escrita pelo próprio Whedon e por Brett Matthews, e teve ilustrações de Will Conrad e Laura Martin. Publicada pela Dark Horse, a HQ vendeu cerca de 90 mil cópias e serve como ponte entre a série e o filme Serenity. A minissérie, além de contar com uma arte caprichada, ainda traz algumas novidades interessantes para os fãs, incluindo algumas revelações sobre os Hands of Blue.

Mas a trajetória de Firefly pelas HQs não pára por aí. Better Days é a segunda inclusão no universo dos quadrinhos e possui o mesmo formato de Those Left Behind, com três edições. Better Days também foi escrita por Whedon e conta histórias que o mesmo não pôde desenvolver na série de TV. Cronologicamente, Better Days se passa antes de Those Left Behind, mas depois do último episódio da série.

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Outras HQs trazem eventos isolados ou especiais que envolvem alguns dos personagens criados por Whedon. The Shepherd’s Tale foca no passado de Shepherd Book. Serenity: Float Out, por outro lado, é uma história curta que mostra o passado de Wash. Float Out se passa depois do filme Serenity e acompanha três velhos amigos de Wash relembrando e contando histórias sobre o piloto.

E finalmente há Serenity: Leaves on the Wind, lançada em janeiro de 2014. Escrita por Zack Whedon, irmão de Joss, a minissérie se passa nove meses depois dos eventos mostrados no filme e é dividida em seis partes. Leaves on the Wind é a primeira história longa depois do filme (as outras, como comentado, são histórias curtas/especiais) e forma uma trilogia com as outras duas minisséries, já que desenvolve as histórias mostradas na série e no longa-metragem.

Para encerrar, há o livro, Firefly: Still Flying, que inclui fotos dos bastidores da série, depoimentos do elenco e da equipe e quatro contos ambientados no universo de Firefly, todos escritos por roteiristas e escritores envolvidos com a criação e desenvolvimento da série. Assim, não deixe a saudade tomar conta e corra para as diversas versões e adaptações de Firefly, um dos universos mais ricos e interessantes já criados.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

2 comments

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  1. Ana Maria De Oliveira Fernande
    Ana Maria De Oliveira Fernande 26 janeiro, 2015 at 12:20 Responder

    Cada vez mais Joss Whedon me surpreendendo com sua genialidade!

    E Matheus me surpreendendo pela qualidade do texto! Parabéns, mano!

    E você, apenas: ASSISTA FIREFLY, É LEI!

  2. Avatar
    Rubens Rodrigues 26 janeiro, 2015 at 19:41 Responder

    Firefly é uma das séries que mais tenho orgulho de dizer que assisti e sempre que posso faço questão de espalhar a palavra entre os amigos. É o típico projeto de um criador apaixonado. Difícil não se apaixonar também.

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