O sexto episódio de Task (HBO) é, sem rodeios, o mais doloroso da temporada. Depois de um capítulo 5 que armou o campo de batalha — com Tom sequestrado por Robbie, a mobilização da força-tarefa e a revelação de que Anthony era o informante infiltrado ao lado da gangue Dark Hearts —, “E06” detona a pólvora: dois personagens centrais morrem, a investigação federal vira pelo avesso e as lealdades passam a ter peso de sentença.
Abaixo, destrinchamos cada passo, com foco em quem morre e no que o final significa para Tom, Maeve, Jayson, Perry e, claro, para a própria Task Force.
Recap rápido: a encruzilhada de Bushkill
O episódio 6 de Task na HBO retoma exatamente onde paramos: Tom e Robbie de armas apontadas, na área de Bushkill, enquanto Kathleen, Aleah, Anthony, Elizabeth e o bando de Jayson/Perry cercam a cena à distância. O plano dos Dark Hearts é interceptar Robbie e recuperar a droga; a Task Force, resgatar Tom e prender quem der.
Quem dá o primeiro tiro é Jayson, contra Robbie. O caos se instaura de imediato: Tom persegue Robbie; a Task Force troca tiros com os Dark Hearts; Perry alcança Tom e parte para a porrada; Jayson caça Robbie para dentro da mata; Kathleen é baleada no ombro e Aleah a arrasta para fora da linha de fogo; Elizabeth fica com a audição comprometida depois que Anthony dispara perigosamente perto do ouvido dela; Shane, capanga dos Dark Hearts, cerca Elizabeth — e morre ao levar um tiro dela, em legítima defesa, depois que Anthony tenta, em vão, acalmar a situação.
No front principal, Jayson consegue esfaquear Robbie no embate corpo a corpo. Tom reencontra os dois, Jayson foge para se reunir a Perry e a dupla bate em retirada rumo à ponte onde os carros estão. Ali, acontece a tragédia que solidifica “Task” como drama de consequências, não de acrobacias.

Quem morre no episódio 6 de Task(e como)
1) Elizabeth
Após chamar a ambulância pelo rádio e pegar o kit de primeiros socorros no porta-malas, Elizabeth atravessa a ponte para voltar até Kathleen. Nesse exato momento, Jayson, em fuga com Perry, atira o caminhão em direção à saída e atropela Elizabeth, matando-a instantaneamente. Aleah reage atirando no veículo, mas a dupla escapa. Anthony corre até o corpo e confirma o pior.
A morte de Elizabeth é fria, acidental — e devastadora: ela vinha sendo o coração moral da Task Force, e sua trajetória ganhara contornos de propósito e redenção. A série usa essa perda não como choque vazio, mas como virada emocional para os sobreviventes.
2) Robbie
Levado às pressas por um carro-patrulha ao hospital, Robbie sucumbe aos ferimentos sofridos no confronto com Jayson (a facada na mata). Morre nos braços de Tom — e, com isso, “Task” fecha um arco paradoxal: Robbie era, ao mesmo tempo, criminoso e produto de um sistema apodrecido; violento, mas movido por um instinto de proteger os seus. O luto de Tom sela essa complexidade.
3) Shane
Menos central, mas igualmente importante para a cadeia causal do episódio: Shane, integrante dos Dark Hearts, morre após tentar matar Elizabeth. Ela atira primeiro para sobreviver, pouco antes de seu destino trágico na ponte.
Observação: Eryn, executada por Perry no episódio anterior, paira como lembrança de que os Dark Hearts não hesitam — o que potencializa a sensação de roleta russa que domina todo o E06.
Luto, investigações e (mais) segredos: o “meio” do episódio
No hospital, Tom informa Aleah e Anthony que Kathleen saiu da cirurgia e terá alta no dia seguinte. Ele mesmo contata o ex-marido de Elizabeth para cuidados pessoais e, num gesto humano, tenta impedir que Anthony se culpe — ironia dramática, já que ele é o vazamento.
Entram em cena os agentes federais Dale e Marcus: Sam foi entregue à assistência social; a força-tarefa local é desmobilizada no caso Dark Hearts; todos serão entrevistados pela corregedoria pela morte de Elizabeth; armas, recolhidas.
Quando Aleah retorna ao QG, flagra a varredura pesada do FBI atrás do informante — e o roteiro corta para Anthony, pressionado por Michael (chefe do County P.D.), escancarando que a cúpula policial local está contaminada. Michael não se indigna pela “injustiça”; ele se irrita porque Anthony pode ter deixado rastros. Em termos simples: o condado está de mãos dadas com os Dark Hearts.
Tom, mesmo “fora”, continua colando peças: ele dá a notícia da morte de Robbie à Maeve, pergunta sobre Cliff, cruza informações sobre a armadilha com o telefone de Ray (entregue por Anthony a Jayson), e descobre uma inconsistência crucial: o encontro original com Cliff seria no Wissahickon Park, não em Bailey Park — prova de que a Task Force foi deliberadamente desviada.
Paralelamente, Tom impede que a promotora Anne processe Maeve: encarcera-la significaria empurrar Wyatt e Harper para a delinquência. Essa intervenção resulta na reunião da mãe com os filhos, em uma das poucas cenas de respiro do capítulo.

O acerto de contas: Tom descobre (formalmente) o “X9”
Pelo relato de Kathleen, a investigação interna confirma: Anthony é o vazamento. Ele já fora suspeito em 2021, quando toda batida de sua força-tarefa chegava atrasada às casas dos Dark Hearts — e a denúncia minguou sob o guarda-chuva político de Michael. Ou seja, a infiltração é crônica.
Tom visita Anthony em casa, conecta os pontos — o telefone de Ray nas mãos de Jayson; o parque trocado; Cliff capturado de mãos vazias; Robbie perseguido até a mata; a troca de tiros que culminou na morte de Elizabeth — e o responsabiliza. Anthony tergiversa, fala de “fé” e “mentiras”, não admite, mas se incrimina na subcamada: sabe que não há mais volta. Tom sai dali com um voto: vai colocar Anthony atrás das grades — promessa que também fornece a Anthony, paradoxalmente, a única rota possível de expiação.
O que acontece com Jayson e Perry?
A dupla abandona os próprios homens, foge sem esperar ninguém e, à noite, retorna a Bushkill para pescar o saco que Robbie havia jogado no rio. Conseguem recuperar a bolsa — e dentro só há panfletos de imóveis no Canadá. Nada de droga. É a cartada póstuma de Robbie: enquanto os brutamontes buscam o “tesouro”, o que realmente foi vendido já virou dinheiro líquido.
Quem leva a prova disso é Shelley, que aparece na casa de Maeve, entrega um bolsa de dinheiro e diz que Robbie mandou para a sobrinha. Na prática, Shelley vendeu a carga para libertar-se do marido violento Ray (prestando um último favor a Robbie), e o plano Canadá vira herança viável: Maeve, Wyatt e Harper agora têm fundo de fuga — ou de sobrevivência.
O gesto de Tom com Sam (e o recado social da série)
Covenant House foi fechada; o sistema de proteção de jovens está sem lastro; Sam é jogado num centro de detenção juvenil. Tom enxerga ali o vazio do Estado e decide adotá-lo.
Dramaticamente, é uma substituição simbólica do buraco que Ethan deixou na vida de Tom; politicamente, é um tapa: sem política pública, só a caridade dos bons impede a engrenagem de moer mais uma vida.
Em casa, Sara (em processo de divórcio) e Emily acolhem o garoto — uma cena de doçura agridoce que contrasta com a brutalidade de Bushkill.
“Task” E06 – o final explicado
O último bloco consolida quatro consequências:
- Morte de Elizabeth: além de devastar Aleah e Tom, dá ao FBI pretexto e urgência para passar o rodo na força local. A corregedoria não procura culpados “qualquer”; ela quer o vazamento. O luto vira combustível investigativo.
- Morte de Robbie: encerra o arco pessoal do foragido de modo melancólico, porém ativo. Ele enganou Jayson/Perry, garantiu dinheiro à família de Maeve e, indiretamente, acelerou a queda de Anthony ao forçar Tom a juntar as peças. Morre vilão? Morre humano — e ambíguo.
- Anthony desmascarado: a conversa com Tom é um psicológico “sim” disfarçado; Kathleen tem histórico; o FBI já fareja. Anthony sabe que é um homem morto — na rua, se delatar; na cadeia, se for. Seu único caminho digno é confessar e cooperar.
- Jayson e Perry sem droga: o dinheiro já circulou; o “saco do rio” é só papel. Eles ficam expostos, sem lastro para recompor a operação, com APB lançado e a cadeia de comando desestabilizada (Shane morto, Eryn morta, Donna e as crianças sob vigia). É o começo do cerco final.
Por que a morte de Elizabeth pesa mais que um choque “gratuito”
A série constrói Elizabeth como alguém em busca de um propósito — e a Task Force lhe dá isso. O roteiro, então, a coloca em situações de coragem (peitar bandido armada, mesmo abalada; correr para chamar ambulância para Kathleen; voltar com kits de primeiros socorros). Sua morte acidental na ponte não a diminui: enfatiza a aleatoriedade cruel da violência e traduz em imagem a pergunta-chaga de Task: “Quantas boas intenções o sistema consegue triturar antes de colapsar?”. A resposta, por ora, é cínica — mas a indignação que brota em Tom e Aleah promete consequência.
Temas que o episódio 6 de Task amarra (e amplia)
- Corrupção sistêmica: não é “uma maçã podre”. Michael encobre Anthony desde 2021; o condado inteiro é cúmplice funcional dos Dark Hearts.
- Política pública ausente: Covenant House fechada e Sam encarcerado ilustram a prioridade errada do gasto público.
- Amor e lealdade fora da lei: Robbie morre, mas protege os seus e sabota os inimigos.
- Perdão como motor: Tom rehumaniza Maeve e Sam; tenta, num primeiro momento, blindar Anthony do auto-ódio — antes de bater à sua porta com a verdade.
- Luto transformador: as mortes exigem respostas; o próximo passo não é opcional para os sobreviventes.
O que esperar a partir daqui
- Indiciamento de Anthony: com histórico em 2021, incoerências de parque/telefone e a pressão federal, a queda é questão de tempo. O dilema: delatar Michael e a teia — ou virar estatística.
- Caça a Jayson e Perry: os caminhões foram abandonados; há APB; o bando perdeu mercadoria e peças-chave. A margem de manobra diminuiu — a tendência é radicalização (mais violência) ou erro fatal (o rastro que faltava).
- Maeve entre vingança e sobrevivência: com dinheiro em mãos, pode sumir com Wyatt/Harper — a escolha mais segura. Se ficar, a série já sinalizou o risco: “o destino de Robbie/Billy”.
- Tom e Sam: a adoção improvisada vai humanizar ainda mais Tom — e também vulnerabilizá-lo. A série pode contrapor paternidade e obsessão por justiça.
- Aleah pós-Elizabeth: o luto tende a endurecer a agente. Expectativa de parceria tensa com Tom e de confronto frontal com Anthony/Michael.
Sobre o episódio 6 de Task
O episódio 6 de Task é um terremoto emocional e dramático. Elizabeth e Robbie morrem — uma morte injusta e outra trágica —, Shane cai no fogo cruzado, e a série empurra suas peças para o xadrez final: Anthony como pivô da podridão institucional; Jayson/Perry encurralados; Tom cada vez mais decidido a romper com a complacência e a pagar o preço de caçar os próprios “pares” corruptos.
Não há fanfarronice, nem consolo fácil. Há luto, raiva e propósito. Se Task começou como um thriller de gangue, agora é um drama sobre responsabilidade — a quem se deve, o que custa assumi-la e quantas vidas se perdem quando o sistema escolhe proteger o uniforme, não a verdade. E, ao final do E06, a verdade já tem nomes e sobrenomes. Resta saber se a Justiça — a real, não a institucional — vai alcançá-los a tempo.