Tempo de Guerra (Warfare), novo longa co-dirigido por Alex Garland e o veterano da Marinha Ray Mendoza, é um retrato brutal, honesto e profundamente humano sobre os horrores da guerra. Inspirado em experiências reais de Mendoza durante a Guerra do Iraque em 2006, o filme abandona os clichês heroicos e se concentra em um único dia, em uma única batalha, para transmitir a tensão crua vivida por um pelotão de Navy SEALs presos em território inimigo.
Ao contrário de outras produções do gênero, Tempo de Guerra evita abordagens políticas ou julgamentos sobre o conflito. Em vez disso, destaca as pessoas envolvidas — soldados que não são retratados como mitos, mas como seres humanos em situações extremas. A decisão de manter a ação centrada em uma única missão reforça o realismo da narrativa, permitindo que o público sinta, quase em tempo real, o peso da guerra.
Tempo de Guerra é uma aula de tensão

A tensão atinge seu ápice quando um ataque surpresa com granada inicia uma sequência caótica que culmina com a explosão de um IED, matando dois soldados iraquianos aliados e ferindo gravemente os SEALs Elliot e Sam. Enquanto Erik, o comandante do pelotão interpretado por Will Poulter, tenta manter a liderança, é evidente que o trauma o desestabiliza, e ele acaba entregando o comando a Jake, seu segundo em comando. Essa mudança de liderança simboliza um dos aspectos mais humanos do filme: o reconhecimento da própria fragilidade em meio à guerra.
Elliot e Sam, apesar dos ferimentos severos, conseguem sobreviver após uma difícil evacuação, graças à chegada oportuna dos reforços. No entanto, a luta deles — e dos demais — não termina no campo de batalha. Em uma tocante montagem final, o filme mostra os verdadeiros soldados que inspiraram os personagens, revelando que Sam (Joe Hildebrand) e Elliot (Elliot Miller) sobreviveram, embora este último agora dependa de cadeira de rodas e um dispositivo de comunicação assistida.
O final de Warfare

Tempo de Guerra termina de forma abrupta, assim como começou: sem alarde, sem glória. A retirada silenciosa do pelotão, seguida pelos insurgentes saindo de seus esconderijos, reforça a ideia de que, na vida real, batalhas não terminam com discursos ou música épica — apenas com silêncio e exaustão.
O filme não tenta romantizar o combate, nem reduzir os inimigos a caricaturas. A intenção de Garland e Mendoza é clara: capturar a humanidade, o medo, o erro e a resiliência dos soldados. De momentos como McDonald acidentalmente aplicando morfina em si mesmo, até os gritos por socorro de Sam, cada cena existe para lembrar ao espectador que sob o colete à prova de balas há carne, osso, dor e esperança.
No fim, Tempo de Guerra é menos sobre a guerra em si e mais sobre os homens que a enfrentam — e sobre como, mesmo em meio à destruição, a humanidade persiste. É um filme doloroso, real e necessário. Um lembrete de que, por trás de cada uniforme, existe uma história.