A nova série The Beauty – Lindos de Morrer, que chegou hoje, 21, ao catálogo do Disney+, deixa claro logo nos primeiros minutos que não veio para ser sutil. Criada por Ryan Murphy, a produção mistura sátira social, horror corporal explícito e um thriller conspiratório que gira em torno da obsessão humana pela beleza. O resultado é irregular, excessivo em vários momentos, mas curiosamente difícil de ignorar.
Qual é a história de The Beauty?
A trama acompanha os agentes do FBI Madsen (Evan Peters) e Bennett (Rebecca Hall), que passam a investigar uma série de mortes bizarras envolvendo pessoas extremamente bonitas que, literalmente, explodem. A ligação entre os casos leva a uma droga misteriosa chamada “The Beauty”, capaz de transformar qualquer pessoa em um ideal estético absoluto — com efeitos colaterais grotescos e fatais.
Por trás da substância está um bilionário interpretado por Ashton Kutcher, disposto a lucrar com a vaidade alheia, enquanto um assassino enigmático (Anthony Ramos) elimina pontas soltas. O pano de fundo envolve redes de poder, consumo desenfreado, culto à juventude e a ideia de que a beleza virou um produto descartável.
Horror gráfico, ideias rasas
Visualmente, The Beauty impressiona. As cenas de transformação, mutilação e explosões corporais são bem executadas e assumidamente chocantes, evocando referências clássicas do body horror. Há momentos em que a série parece mais interessada em causar impacto imediato do que em aprofundar suas próprias ideias.
A crítica à obsessão estética, às redes sociais e à indústria farmacêutica até existe, mas raramente é explorada com profundidade. Murphy levanta muitos temas relevantes, mas quase sempre abandona a reflexão em favor do espetáculo. O resultado é uma série que parece provocativa, mas que raramente vai além da superfície.
Atuações e ritmo irregular
O elenco é um dos pontos fortes. Evan Peters se diverte no papel de agente de ação, enquanto Rebecca Hall entrega uma personagem competente, ainda que pouco desenvolvida. Anthony Ramos repete arquétipos já conhecidos, mas ganha força em cenas pontuais. Kutcher funciona como vilão corporativo caricato, cumprindo bem o papel.
Os episódios variam bastante de qualidade. Curiosamente, os melhores capítulos são aqueles que se afastam da trama central e focam em pessoas comuns afetadas pela promessa da “beleza perfeita”, trazendo algum peso emocional à narrativa.
Vale assistir The Beauty?
The Beauty: Lindos de Morrer não é uma série profunda nem inovadora, mas entrega exatamente o que promete: choque, exagero e entretenimento mórbido. Para quem gosta do estilo Ryan Murphy, com excesso, provocação e imagens impactantes, a série vale a curiosidade. Só não espere uma grande reflexão. Aqui, a regra é clara: aproveite o caos, mas não pense demais.