Às vezes dá preguiça de começar algo novo na Netflix. Mas na maioria delas, é apenas aversão ao que pode resultar em uma grande perda de tempo. Afinal, as séries do streaming não estão lá no seu verdadeiro auge. Então, eis que me deparo com The Boroughs, vendida como “a nova série dos criadores de Stranger Things”. Eis que resolvi dar o benefício da dúvida.
A verdade é que The Boroughs tinha tudo para virar apenas uma “versão envelhecida” de Stranger Things. E durante os primeiros episódios, a comparação realmente parece inevitável. Tem monstros misteriosos, túneis escondidos, criaturas subterrâneas e um grupo improvável tentando impedir algo sobrenatural antes que seja tarde demais.
Só que existe um detalhe importante: The Boroughs encontra sua própria identidade justamente quando para de tentar ser Stranger Things. E sinceramente? Isso acabou funcionando muito bem.
A série mistura ficção científica, mistério e melancolia
Produzida pelos irmãos Duffer, a série acompanha moradores de um retiro para idosos no deserto do Novo México que começam a perceber eventos bizarros acontecendo dentro da comunidade.
No centro da história está Sam Cooper, vivido por Alfred Molina, um engenheiro viúvo que se muda para o local tentando reconstruir a vida após a morte da esposa. Tudo muda quando ele presencia uma criatura literalmente sugando a vida de um morador.
A partir daí, The Boroughs entra em um clima que mistura suspense sci-fi dos anos 80 com uma discussão surpreendentemente emocional sobre envelhecimento, solidão e legado.

O grande acerto de The Boroughs está justamente nos personagens
E aqui entra o motivo pelo qual a série provavelmente funciona tão bem para quem gosta de histórias mais humanas dentro da ficção científica.
Ao invés de focar apenas nos monstros e mistérios, The Boroughs dedica muito tempo aos traumas e inseguranças desses personagens já cansados da vida. Eles não são adolescentes descobrindo o mundo, mas pessoas tentando entender o que ainda vale a pena viver. Isso dá um peso emocional inesperado para a série.
Além disso, o elenco é absurdamente carismático. Alfred Molina segura boa parte da trama sozinho, enquanto nomes como Geena Davis, Alfre Woodard e Denis O’Hare ajudam a transformar os episódios centrais nos melhores da temporada.
Vale assistir?
Se você espera algo revolucionário como foi a primeira temporada de Stranger Things, talvez The Boroughs não alcance esse nível.
A série demora para engrenar, alguns personagens secundários são fracos e certas partes do mistério parecem mais complicadas do que realmente interessantes.
Mas honestamente? Existe algo muito envolvente aqui.
The Boroughs funciona melhor quando abraça seu lado emocional, nostálgico e humano. E para quem gosta de séries que misturam ficção científica, suspense e personagens imperfeitos tentando sobreviver ao impossível, ela acaba sendo uma grata surpresa da Netflix.