O episódio 4 da 5ª temporada de The Boys no Prime Video funciona como aquele capítulo que divide opiniões, justamente porque desacelera a ação para aprofundar conflitos internos e preparar o terreno para o que vem pela frente.
Embora muita gente espere grandes confrontos a essa altura da temporada final, a série opta por algo mais incômodo: colocar seus personagens uns contra os outros enquanto o verdadeiro perigo continua crescendo.
E, ao final, fica uma sensação clara de frustração proposital.
Capitão Pátria se aproxima do poder absoluto
Enquanto o grupo tenta se reorganizar, Capitão Pátria continua avançando silenciosamente em direção ao controle total. Ao manter Stan Edgar sob seu domínio e buscar o misterioso V1, ele deixa evidente que não quer apenas vencer, mas se tornar intocável, praticamente uma entidade acima de qualquer ameaça.
Ao mesmo tempo, o episódio mostra como esse poder já começa a afetar quem está ao redor dele. Firecracker, por exemplo, vive um momento decisivo quando percebe que está sendo usada como instrumento de propaganda, mas, mesmo assim, escolhe continuar ao lado de Capitão Pátria, abrindo mão do pouco que ainda restava de sua consciência moral.
Essa escolha reforça um dos temas centrais da série: o poder corrompe, mas a submissão também.
O plano do V1 e a corrida contra o tempo
Do outro lado, Hughie resume o objetivo da equipe com uma clareza quase didática: encontrar o V1 antes de Capitão Pátria. Isso porque essa substância pode ser a única forma de impedir que ele se torne completamente invencível, além de representar uma possível salvação para personagens como Annie, Kimiko e até o próprio Butcher.
No entanto, apesar da urgência, o episódio deixa claro que ninguém está realmente avançando. A missão existe, o risco é enorme, mas a execução simplesmente não acontece.
Essa estagnação não é acidental. Ela mostra que o maior obstáculo do grupo não é Capitão Pátria, mas a própria desorganização interna.
Fort Harmony e o caos psicológico
Grande parte do episódio se passa em Fort Harmony, um cenário que funciona quase como um catalisador emocional. Ao longo da trama, o local começa a afetar os personagens de forma sutil, amplificando inseguranças, traumas e ressentimentos.
O resultado é previsível, mas ainda assim eficaz: o grupo começa a se desestabilizar, com conflitos surgindo de todos os lados e ameaçando explodir a qualquer momento.
Essa abordagem lembra outras histórias do próprio criador da série, onde ambientes específicos funcionam como gatilhos psicológicos, levando personagens ao limite. Aqui, isso serve para reforçar que, mesmo antes do confronto final, os heróis já estão à beira do colapso.
Soldier Boy encara o passado
Em meio a esse cenário, Soldier Boy ganha um dos momentos mais interessantes do episódio, justamente porque precisa lidar com partes do seu passado que ele preferia ignorar.
Embora o episódio não mergulhe completamente em sua história, ele deixa claro que há traumas não resolvidos que ainda influenciam suas decisões. A atuação segura do personagem ajuda a sustentar esse arco, mostrando que, por trás da figura imponente, existe alguém profundamente afetado por suas experiências.
Esse tipo de desenvolvimento é importante, especialmente em uma temporada final, onde cada personagem precisa justificar seu papel na história.
Annie encontra força no passado
Se o grupo em The Boys enfrenta conflitos internos, Annie vive um momento mais introspectivo e emocional ao reencontrar seu pai. Diferente de outras tramas do episódio, essa narrativa traz um pouco mais de profundidade, porque aborda diretamente o dilema da personagem: continuar lutando ou desistir diante de tudo o que já perdeu.
Durante essa conversa, Annie recebe uma mensagem simples, mas poderosa: as pessoas que amamos não são fraqueza, mas sim o motivo para continuar lutando.
Esse momento funciona como um contraponto ao resto do episódio, oferecendo um respiro emocional em meio ao caos e lembrando que ainda existe algo pelo qual vale a pena resistir.
Ryan continua perdido na própria história em The Boys
Outro ponto que chama atenção é a forma como Ryan é tratado ao longo do episódio. Apesar de continuar presente, sua trajetória parece estagnada, girando em torno de tentativas frustradas de conexão e fuga.
A relação dele com Butcher segue marcada por idas e vindas, sem grandes avanços, o que reforça a sensação de que a série ainda não encontrou um caminho claro para o personagem dentro da trama principal.
Ainda assim, sua presença continua sendo importante, principalmente pelo peso simbólico que carrega como herança de Becca.
Um episódio sobre tensão, não resolução
Ao final, o episódio 4 não entrega grandes respostas, nem avanços significativos na busca pelo V1. Em vez disso, ele aposta na construção de tensão, preparando o terreno para os conflitos que ainda estão por vir.
Essa escolha pode frustrar parte do público, mas também revela uma estratégia narrativa clara: prolongar o caos antes da explosão final.
Porque, enquanto os personagens continuam brigando entre si, Capitão Pátria segue avançando. E isso, inevitavelmente, vai cobrar um preço.