The Crown – 1×04 – Act of God

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“As pessoas precisam ter raiva de alguém. Mas, como líder não posso reagir à tudo.” Winston Churchill

Um fato triste e sério, foi trazido neste episódio de The Crown, o nevoeiro de 1952, também conhecido como Big Smoke. Uma grande névoa que formou-se em Londres no inicio de dezembro de 1952, encobrindo a cidade com uma densa neblina, causada pela poluição atmosférica severa. Devido aos problemas econômicos no pós-guerra, o carvão de melhor qualidade para o aquecimento havia sido exportado e então, os londrinos usaram o carvão de baixa qualidade, ricos em enxofre. Com a massa de ar frio de grande densidade, se formou uma névoa, que misturada a fumaça escura ocasionada pela queima do carvão resultou no triste problema.

O governo, que havia apoiado indústrias que soltavam pilhas de fumaça com dióxido de enxofre na atmosfera, demorou a assumir qualquer culpa. Quando ficou óbvio que alguém teria que ser responsabilizado pelo que aconteceu, eles estabeleceram diretrizes rigorosas quanto ao que poderia ser considerado uma fatalidade relacionada ao nevoeiro. As estimativas apontam que o Big Smoke deixou um saldo de 12 mil mortos e cerca de 100 mil pessoas doentes na cidade de Londres.

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A densa neblina desceu sobre Londres em “Act of God”, ao som de Lacrimosa de Mozart, com sua profunda melancolia. Com um trabalho bastante educativo, o quarto episódio, que poderia ser cansativo, é ambientado com o brilhantismo de Winston Churchill e diálogos maravilhosos entre Elizabeth e sua avó, tornando-se bastante interessante.

O episódio apresenta com bastante ênfase à personagem Venetia Scott (Kate Phillips), que trabalha diretamente com Winston. Em uma busca por um propósito mais bravo aos 24 anos de idade, ela alcança o feito de forma comovente, mesmo que de certa forma para uma jogada poderosa, que determinou o destino político de Winston Churchill.

Matt Smith, como Philip, tem feito um excelente trabalho. Nos apresenta um homem que se contradiz, dono de ideais modernos, mas que nos capta com uma impotência quase palpável, ao ser subordinado da esposa numa sociedade machista. Impotência essa mostrada no episódio, onde Philip inicia suas aulas de voo e é incapacitado de continuar, enquanto a neblina não deixa Londres. Uma metáfora à liberdade, que de fato é questionável se um dia existiu para os membros da realeza.

Para mim, os grandes momentos são os conselhos que Elizabeth recebe como rainha ao longo da série, frequentemente da avó, uma figura apresentada com um senso de humor e sabedoria imensuráveis.

Diálogo final entre Elizabeth e sua avó:

– “Não me parece certo, como chefe de estado, não fazer nada.”  

– “É o que há de mais certo. Não fazer nada é o trabalho mais difícil de todos. Ser imparcial não é natural, não é humano. Sempre vão querer que você sorria, concorde ou feche a cara. E quando você faz isso declara uma posição, um ponto de vista. E essa é a única coisa a que um soberano não tem direito. Quanto menos fizer, disser, concordar ou sorrir… melhor.

O primeiro-ministro Winston Churchill, que foi um bom líder durante a Guerra, se mostra incapacitado em tempos de paz e medido a cerca do importante papel exercido em seu cargo. Mas do que não devemos duvidar em Churchill, é sua incrível habilidade de ser inteligente e astuto, principalmente em um ultimato.

Obrigada Netflix por mais esse maravilhoso show.

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