The Electric State, filme dirigido pelos irmãos Russo e baseado na graphic novel de Simon Stålenhag, é uma das produções mais ambiciosas da Netflix, com um orçamento impressionante de US$ 320 milhões.
A trama, que mistura ficção científica, drama e ação, explora temas profundos como a dependência da tecnologia, a natureza da humanidade e os limites entre o real e o virtual.
Com um elenco estelar liderado por Millie Bobby Brown, o filme oferece uma narrativa complexa e emocionante, repleta de reviravoltas e questionamentos sobre o futuro da humanidade.
A Trama e o Mundo de The Electric State
O filme se passa em um futuro distópico onde a humanidade enfrentou uma rebelião de robôs. Após um conflito intenso, os humanos conseguiram conter a ameaça, confinando os robôs sobreviventes a uma zona de exclusão.
No entanto, a tecnologia que antes prometia progresso tornou-se uma armadilha, com os neurocasters — dispositivos que permitem aos usuários mergulhar em um mundo virtual — dominando a vida das pessoas e criando uma dependência perigosa.
A protagonista, Michelle (Millie Bobby Brown), vive em um mundo desolado, ainda lidando com a dor da perda de seu irmão, Chris. Sua vida muda quando um robô chamado Cosmo chega à sua casa, alegando ser controlado por Chris.
Movida pela esperança de reencontrar o irmão, Michelle embarca em uma jornada perigosa ao lado de Cosmo e de um grupo de robôs liderados por Keats (Chris Pratt). Juntos, eles enfrentam humanos e máquinas em uma batalha épica que pode definir o futuro da humanidade.
O Final e a Ambiguidade de Chris

O clímax de The Electric State é emocionante e repleto de sacrifícios. Michelle descobre que Chris está conectado ao Sentre, uma rede que alimenta todos os neurocasters e drones.
Ele explica que sua mente está simbioticamente ligada ao sistema, e que desconectá-lo significaria o colapso de toda a rede. Apesar do amor que sente pelo irmão, Michelle toma a difícil decisão de “desligá-lo” para salvar o mundo da tirania de Ethan Skate (Stanley Tucci), o vilão por trás da tecnologia destrutiva.
No entanto, The Electric State deixa uma ponta de esperança. Na cena final, Cosmo, o robô que Chris usava para se comunicar com Michelle, volta à vida.
Isso sugere que Chris pode ter transferido parte de sua consciência para o robô, oferecendo a Michelle a possibilidade de um reencontro, mesmo que de forma não convencional. Essa ambiguidade abre espaço para interpretações e possíveis sequências, mantendo os espectadores intrigados.
Temas e Críticas Sociais
The Electric State vai além de uma simples história de ficção científica. O filme serve como um alerta sobre os perigos da dependência tecnológica e da ambição desmedida.
Os neurocasters, que prometem uma existência de prazer constante, são uma metáfora poderosa para as redes sociais e outras tecnologias que alienam as pessoas da realidade.
A trama mostra como a tecnologia, em si, não é o problema, mas sim como ela é usada por indivíduos corruptos para controlar e manipular.
Ethan Skate, o antagonista, personifica essa ambição descontrolada. Ele justifica suas ações com a promessa de progresso e evolução humana, mas, no fundo, busca apenas poder e controle.
Sua exploração de Chris, cuja mente é usada para alimentar o Sentre, é um exemplo chocante de como a busca pelo avanço tecnológico pode levar à desumanização.
Comparação com a Graphic Novel
Assim como no livro, o filme mantém um final ambíguo, deixando o destino de Chris em aberto. Enquanto a adaptação da Netflix sugere que ele pode ter sobrevivido de alguma forma, a graphic novel deixa a interpretação para o leitor, com uma cena final que mostra o neurocaster de Chris descartado no mar.
Ambas as versões exploram a ideia de perda e esperança, mas o filme amplia o universo, sugerindo possibilidades para futuras narrativas.
A superprodução de The Electric State
Com sua narrativa rica e visuais impressionantes, The Electric State se estabelece como uma das produções mais ambiciosas da Netflix. O filme não apenas entretém, mas também provoca reflexões sobre o papel da tecnologia em nossas vidas e os perigos de permitir que ela nos domine.
A atuação de Millie Bobby Brown como Michelle é emocionante, enquanto Stanley Tucci brilha como o vilão complexo e manipulador.
O final aberto e a possibilidade de uma continuação deixam os fãs ansiosos por mais. Seja através de uma sequência ou de uma expansão do universo, The Electric State tem potencial para se tornar uma franquia significativa, explorando ainda mais os temas de humanidade, tecnologia e redenção.