The Flash – 3×23 – Finish Line [SEASON FINALE]

Imagem: The CW/Divulgação (Reprodução)

His race is over.”

A terceira temporada de The Flash chegou ao fim. Apesar dessa season finale não conseguir corrigir todos os tropeços que a série fez ao longo de seu terceiro ano, deu ótimos passos ao se reavaliar e projetar que caminho a série irá seguir em sua quarta temporada. A corrida foi longa, mas enfim chegamos a linha de chegada.

O episódio da semana passada deixou o team Flash em uma situação triste e sombria, onde Savitar conseguiu atingir seu objetivo ao matar Íris e garantir seu surgimento daqui a quatro anos no futuro. O episódio dessa semana não desperdiçou muito tempo em revelar que HR trocou de lugar com Íris se sacrificando ao usar o transformador, como já imaginávamos (vide review anterior).

Apesar da exaustiva repetição de tramas nessa temporada, os roteiristas conseguiram mais uma vez trazer uma boa saída, já que certamente é muito mais fácil matar HR do que Íris, ainda mais quando temos uma variedade de Harrison Wells para substituí-lo. Pode parecer uma reviravolta preguiçosa dos roteiristas, mas o que a série ganharia ao matar Íris? Já tivemos duas temporadas onde Barry perdeu um membro da família. Repetir isso só iria afundar a história ainda mais no desespero e escuridão, e se tem uma coisa que esse terceiro ano deixou comprovado é que esse definitivamente não é o tom certo para a série. Os personagens estão precisando de uma trégua e uma razão para voltarem a ter esperança. HR teve seu papel cumprido ao encerrar seu arco de forma a trazer isso de volta para eles. Assim sendo, podemos ter Harry de volta à equipe na próxima temporada e isso não temos do que reclamar.

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Com a morte de Íris evitada, não demoraria muito para o paradoxo eliminar Barry/Savitar da existência. É então que o suposto deus da velocidade surge com um plano B, num último ato de desespero para ganhar o almejado título de deus. Foi interessante como este episódio focou no homem solitário e arruinado que existe por trás da armadura, numa tentativa de humanizar o grande vilão da temporada. E isso se refletiu acertadamente em Barry e Íris que, apesar de recentemente quase terem suas vidas destruídas, tiveram forças para tentar trazer à tona o lado bom ainda escondido dentro de Savitar. Barry ainda diz que está cansado de deixar a ódio e a raiva ditar e motivar suas ações. Ele está pronto para resgatar suas esperanças e ver se o amor pode de verdade conquistar algo. Como vocês podem ter notado, foi nítido o esforço que os roteiristas fizeram ao longo do episódio para resgatar suas raízes otimistas e espirituosas da primeira temporada, ainda a melhor temporada da série e de todas as séries da DC.

Apesar dos esforços, a tentativa de humanizar Savitar pra em seguida ele afirmar seu posto como supervilão ao explodir os STAR Labs com a Pedra Filosofal, deu a sensação de desperdício de trama e potencial. Independente dessa recaída de Savitar como supervilão para o clímax da temporada, o grande confronto entre o Team Flash e o Team Savitar não desapontou, apesar da pouca duração.

Diferente das temporadas anteriores onde tivemos um velocista enfrentando outro, aqui tivemos 3 membros da família Flash correndo contra Savitar, assim como dois viajantes interdimensionais enfrentando Nevasca. Foi uma finale grandiosa perto de suas antecessoras, que contou ainda com uma rápida aparição do Flash Negro, e o resultado desse conflito não poderia ter sido melhor: Barry roubar a armadura de Savitar e quase se render ao ódio, o que o levaria a seguir o destino como vilão no futuro. Só que seu lado heroico o impediu de comentar tal ato, o que possibilitou Íris ter sua vingança e matar Savitar. Foi um momento mais que merecido para a personagem que passou metade da temporada aterrorizada com sua morte premeditada.

Esse episódio também foi um dos melhores para a Nevasca na série: seus poderes em combate, sua força ao destruir o Flash Negro e ajudando Savitar a alcançar seus objetivos, e até mesmo seu momento de redenção ao escolher Cisco ao invés de Savitar. Graças aos bons roteiristas, ela rejeitou a cura e decidiu descobrir seu próprio caminho do jeito que está, entre o bem e o mal. Depois de tudo o que ela passou, fazer ela tomar a cura e voltar ao seu status inicial na série seria regredir muito a personagem e essa foi a melhor decisão. Será muito interessante ver o que a personagem irá enfrentar daqui pra frente e o quanto ela ainda pode crescer e se tornar mais forte.

Depois de todos esses acontecimentos, ainda tivemos tempo para um cliffhanger final que poderá ser o ponto de partida da próxima temporada. Com a libertação de Jay Garrick, a Força de Aceleração se desestabiliza sem a presença de um velocista e pode causar a destruição da cidade e, até mesmo, do planeta. Barry decide então fazer seu sacrifício final como herói e retornar para a Força, impedindo a destruição de tudo. Essa foi a punição e redenção de Barry por ter causado o Flashpoint Paradox meses atrás.

Antes de partir ele deixa então a cidade aos cuidados do Kid Flash. Sabemos que Barry não demorará para voltar na próxima temporada, mas será interessante ver como a dinâmica entre Wally e Jay salvando a cidade. Apesar de ter adorado toda a sequência, que ficou visualmente incrível, acho que não foi dado o devido tempo para a situação. Eram os minutos finais do episódio e, afinal de contas, esse foi o grande desfecho do evento que causou todos os acontecimentos desse terceiro ano, mas acabou ficando tudo muito corrido.

A terceira temporada de The Flash foi um tanto quanto agridoce com seus muitos altos e baixos. O grande problema dela foi: a) o uso de tramas recicladas dos anos anteriores: vilão velocista e sua identidade secreta; e b) o mau desenvolvimento e desperdício de momentos e tramas que tinham grandes potenciais: Flashpoint Paradox, Kid Flash, invasão gorila em Central City e o tom mais denso da trama. Por outro lado os roteiristas conseguiram trazer algumas surpresas e concertar certas falhas, tais como: Nevasca, tudo relacionado ao futuro e a identidade de Savitar. Sem contar a melhora que a temporada teve em seus cinco episódios finais, culminado no desfecho forte que a temporada precisava.

Essa season finale não só pavimentou alguns caminhos para sua próxima temporada ao buscar retomar o tom mais leve, como deu pistas de seu próximo vilão. Há alguns episódios, Abra Kadabra citou a lista de vilões que Flash já enfrentou no futuro, entre eles Flash Reverso, Zoom, Savitar e DeVoe. Nesse episódio, quando estão em uma certa sala dos STAR Labs, Barry/Savitar diz que foi naquele lugar que chegaram a ideia de um inibidor cerebral para usar contra DeVoe.

Nos quadrinhos, Clifford DeVoe é O Pensador, uma vilão que usa força mental e consegue controlar outras tecnologias. Essas citações vão de encontro a declaração do produtor executivo Andrew Kreisberg que disse que não usarão um vilão velocista na próxima temporada. Agora é esperar até o final do ano para saber se será ele mesmo ou não. Mas a real questão é quão bem a série pode solidificar um herói na ausência de Barry Allen e por quanto tempo. Mais uma vez, uma nova temporada tem grande potencial, resta saber se saberão aproveitar a oportunidade e desenvolver uma grande história para nosso herói Flash. Enquanto outubro não chega, só nos resta revermos nossos episódios favoritadas da série.

PS: Obrigado por me acompanharem durante esse ano incrível. Nos vemos em outubro!

EASTER EGGS:

– Quando Barry conta uma história de sua infância para Savitar, ele cita que estava indo em uma exposição de ciência em Midway City. Esta é a cidade do casal Homem-Gavião e Mulher-Gavião. Ambos surgiram na segunda temporada de The Flash para depois entrarem pro elenco de Legends of Tomorrow.

– Nesta mesma história, ele conta que no caminho o pneu do carro de seus pais furou e tiveram que passar o dia em Masonville. Flash citar essa cidade é uma grande surpresa já que ela existe em uma única específica história do Superman dentro de todo o universo da DC Comics. Em Superman Vol. 1 #388, Superman passa o dia com um jovem garoto chamado Mikey Norris. Ao menos sabemos que Superman existe no universo da TV na Terra da Supergirl.

– A morte de Savitar foi uma homenagem a morte do personagem Pollux, da série The Flash dos anos 90. No episódio “Twin Streaks“, Pollux, que é um clone de Flash, se coloca na frente de Barry e é atingido por uma bala. Ao morrer, ele se dissolve no ar. Essa também foi a morte de O Rival no episódio inicial dessa temporada, quando Joe dá um tiro nas costas do vilão.

– Referências Nerds by Cisco Ramon:
(1) Cisco chama Savitar de Duas-Caras por conta de seu rosto queimado, fazendo uma referência ao vilão Harvey Dent de Batman (uma referência um tanto quanto complicada já que é um personagem da DC também e aparentemente não pertence ao mesmo universo da série).
(2) “Pode reverter a polaridade do fluxo de nêutrons?” Está é uma frase que ficou famosa com o Terceiro Doctor (John Pertwee) na clássica série Doctor Who.

Tags The Flash
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Álefe Cintra

Jornalista e apaixonado por séries. Tem a mesma profissão de Clark Kent, usa óculos parecido, mas infelizmente não é super-herói. Grande fã de séries de super-heróis e fantasia. No Mix de Séries escreve as reviews de Arrow e The Flash.

1 comment

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  1. Eduardo Nogueira
    Eduardo Nogueira 28 maio, 2017 at 18:18 Responder

    Apesar da terceira temporada de The Flash ter sido bem fraca, a reta final recuperou o fôlego dos anos anteriores, e nos rendeu um ótimo desfecho, mesmo sendo a season finale mais fraca da série até o momento. Por um momento pensei que Barry/Savitar se renderia de verdade, mas gostei disso não ter acontecido e no final Iris tê-lo matado, pois o feitiço virou contra o feiticeiro. Isso também comprovou o quanto a personagem evoluiu nessa temporada, e que sua presença definitivamente é indispensável na série, e matá-la a essa altura do campeonato seria de uma burrice sem fim. Fiquei atônito com Barry se sacrificando nos momentos finais, e aguardo como essa história será desenvolvida.
    Excelente review, como sempre.

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