The Flash e o seu diferencial na TV

Ao contrário de muitos dramas por ai, The Flash conseguiu, ainda na primeira temporada, uma crítica e um roteiro consistente, coisa que algumas séries da DC ou da Marvel em cena apenas aspiram. Não se pode deixar de creditar o sucesso a Greg Berlanti e Andrew Kreisberg, que criaram em parceria com Geoff Johns, diretor de criação da DC Comics, um heróis mais legal e vibrante do que o seu próprio uniforme vermelho.

De fato, quando The Flash chegou na CW, não havia a intenção de reinventar o herói, e muito menos o gênero já estabelecido na televisão. Ao invés disso, os criadores usaram de fontes já estabelecidas – entre elas a série exibida pela CBS nos anos 90 – e fizeram a coisa acontecer. No entanto, há razões bem específicas para fazer da atração estrelada por Grant Gustin um diferencial num universo repleto de histórias (mais) instigantes.

Para começar, o trabalho de Berlanti e Kreisberg em Arrow indicou quais características Barry Allen não deveria ter, ou trocando em miúdos, nada que seja relacionado ao Batman de Zack Snyder ou Christopher Nolan – impiedoso, enérgico ou ansioso. Barry, um cientista forense dotado com uma velocidade sobre-humana após ser atingido por um raio, só tem um esqueleto em seu armário, e está relacionado Flash Reverso, aquele que de fato matou sua mãe, culpa recaída para o pai, Henry.

Compreensivelmente, é este fato que o motiva a colocar seu traje vermelho e tentar proteger Central City. Sim, eu disse tentar, porque Flash não consegue fazer tudo sozinho. Ele tem a ajuda de Joe West (Jesse L. Martin), e um apoio técnico de um trio de cientistas. Isso pode não parecer significativo, mas é um sinal de que Berlanti, Kreisberg, e Johns tem conseguido algo que muitos outros criadores tentaram e não conseguiram fazer: distinguir o seu herói de Batman.

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Pode não parecer um problema, mas muitas das mentes que trabalham para a TV lutam para fugir do arquétipo do Homem Morcego. Um deles é Bruce Timm, vencedor do Emmy responsável pela animação Batman: The Animated Series, que ao desenvolver a follow-up Superman: The Animated Series, admitiu que um dos erros foi estender os vilões de Batman na série do Homem de Aço, ao invés de criar um universo próprio. E esse fato não é exclusividade da TV: Homem de Aço, de Zack Snyder, tem um tom sombrio muito similar ao herói de Gotham, o que também se repete em Arrow, e seu instinto de Robin Hood.

The Flash tem seu tom singular, e não é outro Bat-clone. Barry não tem uma vida muito privada como Bruce Wayne, tem amigos e até uma paquera – a qual não tem coragem de revelar à moça. De fato, as melhores cenas da primeira temporada são as que o personagem deixa as missões de lado, e mostra um lado mais sensível, mais humano, tornando a série toda num drama mais leve e íntimo.

Outro fator singular de The Flash é a consistente dos vilões apresentados semanalmente. Exemplo disso é o Gorila Grodd, um símio malvadão que, apresentado nos quadrinhos na Era de Prata, se culpabiliza pela sua aparência ou realidade, mas ganhou uma personalidade poderosa e ameaçadora para a TV.

Grande parte disso vem do fato dos criadores da série saberem que os fãs das HQs também amam os supervilões, e querem vê-los na TV com um tom mais ameaçador, que exige um tipo de respeito. O apelo da audiência favorece aqueles personagens que, nos quadrinhos, não são tão relevantes, e o resultado são rumos surpreendentes. Isso é diferente de Agents of SHIELD, que dispensa alusões ao Universo Marvel como se fossem escassas, ou Arrow, que concentra os plots em um vilão específico, em The Flash, os vilões ajudam no desenvolvimento do “ser herói” de Barry a cada episódio.

As cenas de luta em The Flash também contam ponto positivo para a atração da CW- que de alguma forma denota uma maturidade nas produções da rede. Enquanto socos e pontapés em geral são partes principais das atrações do gênero, poucas conseguem fazer delas memoráveis, geralmente por conta do orçamento bem sintomático, que exige edições constantes. Para o Homem Mais Rápido do Mundo, isso torna um pouco mais difícil, mas a técnica de rampa de velocidade – usada por Zack Snyder em 300 – permite a aceleração e/ou desaceleração da cena de uma maneira mais completa.

 

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Um uso em massa do CGI requer um conhecimento exato do que está se mexendo, e do que está parado, uma vez que todas essas cenas precisam ser pré-visualizadas. Assim, enquanto efeitos práticos são normalmente mais emocionante do que os efeitos especiais, e as cenas de ação de The Flash são, felizmente, a exceção que confirma a regra.

A tudo isso também se soma a construção das personagens femininas e os romances, e não precisamos ir muito longe para entender o porquê. Felicity Smoak, a paixão de Oliver Queen, é um nerd-chic que, em algumas partes, é nada mais do que irritante. Além da química entre Patton e Gustin, seus personagens tem arcos mútuos que os envolvem.

O senso de comunidade, embora piegas, também faz de The Flash um herói singular. Isso faz com que reuniões de heróis, como aconteceu no episódio “Rogue Air” mais acreditável – e impulsiona séries como Legends of Tomorrow. E se cada vez mais os crossover serão frequentes, esta ai uma brecha para o crescimento da série.

Por fim, o uniforme é outro fator que coloca a série de Barry Allen num patamar diferente. A nova geração de séries e filmes de ação que envolvem super-heróis parecem ter por objetivo afastar cada vez mais a aparência dos quadrinhos do que é retratado na tela. Mas, eventualmente, todos os equipamentos relativamente funcionais começam a ser parecidos, e a audiência espera algo mais ousado, como se fosse um cosplay. A série-mãe, Arrow, nem sempre consegue isso, mas tenta bravamente. The Flash pode não ultrapassar os limites do produto de origem, mas é tudo o que se poderia esperar de um programa de TV sobre o Fastest Man Alive.

 

Reverse Flash

O Flash Reverso é um exemplo de personagem que não se distanciou das HQs

 

 

Com o surgimento bem aprovado de Supergirl – se você já conferiu o piloto, leia nossa opinião – talvez uma nova página da saga de super-heróis da TV seja escrita, com tons mais coloridos e diversos. Quem ai torce por um crossover?

 

 

Equipe Mix

Equipe Mix

Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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