The Good Doctor- 1×01- Burnt Food [SERIES PREMIERE]

Imagem: SpoilerTV/ABC/Divulgação

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A fall season não poderia ter começado em melhor estilo. Uma das promessas da temporada, The good Doctor, estrelada por Freddie Highmore no papel do residente cirúrgico Dr. Shaun Murphy, estreou com um episódio intenso, emocionante e inspirador, que conseguiu me prender do início ao fim com cenas profundas que me tocaram muito e deixaram aquele gostinho de quero mais.

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A série é do mesmo criador de House M.D., e por também ser uma série médica, muito havia se especulado se o que veríamos nos lembraria a antiga série, e a resposta foi um sonoro NÃO! Enquanto em House vemos um médico rabugento, grosso, com um humor ácido, que não se importa com os pacientes e, sim, com as doenças, em The Good Doctor vemos um médico humilde, sincero (de um jeito quase cômico), e que se importa com os seus pacientes, com os seres humanos que eles são. Se temos que achar algo em comum entre os dois médicos seria brilhantismo e dificuldade de socialização, e só!

Nesse episódio, vimos a batalha do Dr. Aaron (que também é o presidente do hospital San Jose St. Bonaventure) para vencer os preconceitos e convencer os membros do conselho a contratarem um jovem cirurgião autista e com síndrome de Savant, que tem dificuldades de se comunicar, de se relacionar, mas que tem capacidades e inteligência acima do normal. Ao mesmo tempo em que vemos o Dr. Shaun fazer um belo salvamento com materiais improvisados em pleno aeroporto, quando estava prestes a embarcar para sua entrevista no hospital. Usando uma garrafa de whisky e uns tubos, ele consegue fazer uma válvula caseira que, juntamente com a sua rapidez de raciocínio e conhecimentos médicos avançados, salvam a vida do garoto.

E, claro, ele precisava de uma faca, e a cena onde ele chega para o guarda do aeroporto e pede uma faca “bem afiada”, com a carinha de quem pede uma simples informação foi demais! Tão boa quanto as tentativas dele de entrar no hospital (após ter sido retirado a força de lá) e acompanhar o tratamento que estão dando para o garoto que ele salvou. Ele consegue ser hilário às vezes, obviamente sem ter essa intenção, e isso garante a leveza à série e bons momentos de descontração.

O ponto é que Dr. Shaun vê o que ninguém mais vê. Ele consegue chegar onde os outros não chegam, e é um dom natural, algo que ele nem nota que sabe fazer, ele só é assim. E com a sua “sinceridade sem maldade”, (que é uma característica dos autistas, que não conseguem entender ironia, metáforas, ambiguidades), ele consegue dar umas “sambadas” na cara de muita gente, dando lições de moral e fazendo questionamentos que deixam as pessoas sem resposta.

Isso pode ser visto na hora em que a Dra. Browne, que também é residente cirúrgica no hospital, se senta ao seu lado toda amigável, oferecendo ajuda, pouco tempo depois de ter sido rude com ele, e Shaun a questiona em qual dos momentos ela estava fingindo, pois no primeiro momento foi grossa com ele e agora estava sendo gentil. Claro que ela não soube responder, e vemos que ele não pergunta querendo ser grosseiro ou desagradável. Ele pergunta porque ficou confuso e tem dificuldades para lidar com essas ambiguidades. E também, no finalzinho do episódio, quando ele fala umas verdades para o chefe dos residentes cirúrgicos, o Dr. Melendez, ele o elogia, primeiramente, e depois diz que ele é muito arrogante e o questiona se isso o ajudava  a ser um médico melhor. Tudo o que os outros médicos pensavam e não tinham coragem de dizer… e essas são as melhores partes, quando você ri, se sente vingada, comemora ou se emociona.

Vimos também uns flashes da infância do Shaun, e vamos descobrindo seus traumas, suas dores e a linda relação com seu irmão. E também como o Dr. Aaron o conheceu e o porquê de ter se afeiçoado tanto a ele, de confiar tanto em suas habilidades a ponto de garantir que se o Dr. Shaun não responder as suas expectativas, ele renunciará à presidência do hospital. Pudemos entender  o porquê de Shaun estar sempre com um bisturi de brinquedo na mão, que aparentemente lhe acalma, o tique de bagunçar o próprio cabelo depois de ter acabado de o arrumar… E vamos nos tornando íntimos desse menino que sofreu tanto e usou esse sofrimento como estímulo para amenizar o sofrimento dos outros. O que nos levou ao ponto alto do episódio, quando ele é questionado sobre o motivo de querer ser cirurgião. Ai, amigos, é de arrepiar!

Deu para perceber que Dr. Shaun terá que enfrentar muitos desafios para se firmar como cirurgião no hospital e provar que suas dificuldades decorrentes do autismo não irão afetar sua capacidade de ser um brilhante médico, isso o Dr. Melendez fez questão de deixar bem claro para ele.

Esse episódio superou todas as minhas expectativas, assim como a atuação do Freddie Highmore, que está impecável, conseguindo fazer com que sintamos o que ele está sentindo, tão real é a sua interpretação. Que venham os próximos episódios!

Antes eu achava que The Good Doctor seria o destaque da temporada, agora, eu tenho certeza!

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8 comments

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  1. Anderson Narciso
    Anderson Narciso 27 setembro, 2017 at 21:33 Responder

    Gostei do episódio. Achei um House meet Grey’s Anatomy.
    Mas tem futuro.
    O Freddie é bem estranho, mas acho que ele tem um dom para fazer personagens assim…
    ótima review!

  2. Eduardo Nogueira
    Eduardo Nogueira 27 setembro, 2017 at 23:02 Responder

    Eu amei essa premiere, achei demais e obviamente continuarei acompanhando a série. As cenas do flashback foram de partir meu coração e emocional, e pra mim foram os pontos altos de tudo

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    Paulo Adriano Rocha 5 outubro, 2017 at 18:35 Responder

    Minha gente, quem é aquele irmão dele que eu não conheci mas já amo? Mesmo sendo o irmão mais novo, tomou conta do mais velho de modo terno e brilhante. O flasback da entrevista foi o que mais me doeu. Enfim, um episódio emocionante que serviu para nos ligar intimamente ao personagem, bem como ao Dr. Mendelez, que eu achava que ia ser um antagonista, mas parece que não. Gostei das interações entre eles dois. Um série de muito futuro e o Freddie tem calibre pra sustentar isso.
    Parabéns pela review!

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