Após seis temporadas intensas, dramáticas e politicamente provocativas, The Handmaid’s Tale chegou oficialmente ao fim. A série da Hulu, protagonizada por Elisabeth Moss como June Osborne, encerrou sua história com a 6ª temporada — sem previsão de uma 7ª.
Mas não se trata de cancelamento, e sim de um encerramento planejado, coerente com o arco dos personagens e com o universo distópico criado por Margaret Atwood.
Por que The Handmaid’s Tale termina na 6ª temporada?
A decisão de finalizar a série foi tomada pela equipe criativa, liderada por Bruce Miller, muito antes da produção da temporada final. Durante um retiro criativo antes da 5ª temporada, Miller afirmou aos roteiristas que o ideal seria fazer “mais duas temporadas” para concluir a trama de forma satisfatória. E assim foi feito.
Desde que June escapou de Gilead e chegou ao Canadá, a série ultrapassou os limites do livro original de Atwood. Mesmo com liberdade criativa, os criadores sabiam que estavam se aproximando naturalmente de um fim. A história de June, de aias e abusos à liderança rebelde, passou por ciclos completos de dor, luto, luta e esperança. Seguir por mais temporadas poderia significar repetir temas já esgotados.
Além disso, muitos arcos foram encerrados na 6ª temporada:
- A morte de Nick e Lawrence selou o destino de dois dos personagens masculinos centrais;
- Serena teve seu momento de virada, decidindo entregar informações cruciais sobre os Comandantes;
- A rebelião finalmente alcançou vitórias reais, com ataques coordenados e mortes de líderes de Gilead.
Diante de tudo isso, prolongar a série significaria desviar de seu propósito — ou contar histórias que não pertencem mais à trajetória de June.

O que vem a seguir: The Testaments
Embora The Handmaid’s Tale termine, o universo de Gilead vai continuar. A sequência natural da série será a adaptação de The Testaments, romance lançado por Margaret Atwood em 2019. A história se passa cerca de 15 anos após os eventos originais e foca em novas protagonistas, entre elas Agnes e Daisy — reveladas como filhas de June, Hannah e Nicole — e, surpreendentemente, Tia Lydia, agora em posição de rebelião contra o próprio regime que ajudou a sustentar.
Bruce Miller deixou o comando de The Handmaid’s Tale em 2023 justamente para se dedicar ao desenvolvimento de The Testaments. A série já está em produção e deve estrear em 2026, seguindo a tradição de estreias em abril. A ideia é que o novo projeto tenha um tom diferente, mais jovem, com novas vozes e conflitos, mas mantendo a essência de crítica social e resistência.
A semente de The Testaments já foi plantada
A 6ª temporada de The Handmaid’s Tale preparou discretamente o terreno para essa transição. A maior pista está na transformação de Tia Lydia, que passou de cúmplice do regime a crítica ferrenha dos “Comandantes ímpios”. Seu arco deve ganhar força e protagonismo no novo projeto.
Ao mesmo tempo, o enfraquecimento de Gilead já é visível: mortes importantes, avanços do Mayday e o apoio crescente da comunidade internacional são sinais de que o império está ruindo — e que a nova geração terá papel fundamental no que virá.

O fim de The Handmaid’s Tale é um novo começo
Com The Handmaid’s Tale encerrando sua jornada em alta e com dignidade, The Testaments surge como uma passagem natural de bastão. A nova série deve manter os temas centrais de liberdade, identidade e resistência, agora com um novo olhar — e novas protagonistas — sobre um mundo que ainda está longe de se curar.
E para quem ainda não se despediu de June Osborne, vale lembrar: às vezes, os personagens mais marcantes continuam vivos em suas consequências — mesmo quando suas histórias chegam ao fim.