The Handmaid’s Tale, baseada na obra de Margaret Atwood, se consolidou como uma das adaptações mais prolíficas do gênero distópico, graças à sua mensagem poderosa e aviso aterrorizante. Após oito anos, a série chegou ao fim, oferecendo um desfecho significativo para seus personagens. Elisabeth Moss, que interpreta June Osborne, a protagonista, compartilhou sua visão sobre a cena final da série, considerando-a “honestamente perfeita”. A atriz, que dedicou seu coração e alma ao projeto desde 2017, vê no encerramento um retorno poético ao início da jornada de June.
A Perfeição do Fim e o Poder das Palavras
Em entrevista à Vanity Fair, Moss explicou por que considera a cena final de The Handmaid’s Tale “perfeita”: “A cena final da série é honestamente perfeita. E eu nunca aceitaria algo menos que a perfeição quando se tratasse desse final. Nós retornamos ao começo, à primeira cena. Ela começa a gravar aquele livro. O fato de que esta série começou com um livro e termina com o livro é a única maneira de terminar.
Margaret tem esta citação: ‘Uma palavra depois de uma palavra depois de uma palavra é poder.’ E eu acho que é aí que June termina. Ela pensa: ‘Vou contar a minha história, porque a minha história e estas palavras têm poder.’ E eu amo isso. Ela se senta e vai contar sua história para Hannah. É para ela.”
Este final representa uma mudança significativa em relação ao desfecho de June no livro original de Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale, onde seu destino permanece incerto. No entanto, a cena final da série televisiva parece ser o caminho ideal para encerrar a narrativa.
O Significado do “Círculo Completo” na Trama

Como Moss explica, tanto o início quanto o fim de The Handmaid’s Tale se concentram em personagens contando suas próprias histórias. É um ato poderoso para June retornar ao lugar onde foi mantida em cativeiro e, finalmente, retomar sua voz, que lhe foi tirada pelo pesadelo distópico em que viveu. O fato de ela usar seu próprio nome também é emocionalmente evocativo, considerando que essa pequena parte de sua humanidade também foi roubada.
O final de The Handmaid’s Tale prova que June é uma das personagens mais resilientes de The Handmaid’s Tale. Há algo poético e belo no fato de a série fechar um ciclo. É emocionante ver o programa terminar onde começou, e foi certamente a escolha certa trazer de volta Emily, a Aia original. As únicas pontas soltas significativas deixadas abertas preparam a sequência da série do Hulu, The Testaments, que é baseada no romance de Margaret Atwood de 2019.
A Rebelião Silenciosa e o Legado de June
A escolha de encerrar a série com June contando sua história, registrando suas experiências, ressalta a importância da memória e da narrativa como formas de resistência. Em um regime que busca apagar a individualidade e o passado das mulheres, o ato de June de nomear-se e de registrar sua verdade é uma forma de rebelião silenciosa, mas incrivelmente poderosa.
Isso ecoa a citação de Atwood sobre o poder das palavras, transformando a escrita em um ato de autoafirmação e empoderamento. A série demonstra que, mesmo nas circunstâncias mais opressoras, a capacidade humana de narrar e de dar voz à própria experiência é uma força inabalável, fundamental para a preservação da humanidade e para inspirar futuras lutas.