Depois do impacto devastador do episódio 2, The Last of Us precisava encontrar um novo ponto de equilíbrio para seguir contando a jornada de Ellie.
O episódio 3 da 2ª temporada, no entanto, mostra que não é tão simples manter a intensidade — e o resultado é uma história emocionalmente carregada, mas que parece travar o andamento da série.
O peso emocional domina, mas o ritmo desacelera em The Last of Us
Enquanto o terceiro episódio da 1ª temporada, “Long, Long Time”, se tornou um marco que elevou a série além de uma simples adaptação de videogame, aqui o episódio 3 da nova temporada não consegue repetir o feito. Em vez disso, o roteiro aposta quase exclusivamente no peso do luto de Ellie, ainda abalada pela morte brutal de Joel, para construir a narrativa.
Bella Ramsey, mais uma vez, carrega a responsabilidade de dar corpo à protagonista. Há momentos em que vemos lampejos da Ellie que conhecemos: sarcástica, destemida, cheia de vontade de provar seu valor mesmo em meio ao caos.
Mas a maior parte do episódio a mostra anestesiada, escondendo seu sofrimento tão fundo que, como espectadores, é difícil se conectar emocionalmente com ela. Talvez essa tenha sido uma escolha proposital — Ellie está em negação, sem espaço para vulnerabilidades —, mas o preço disso é uma narrativa menos pulsante.


Um episódio de preparação (mas com tempo demais)
The Last of Us 2ª temporada episódio 3 é focado em “limpar” a tragédia do capítulo anterior: luto, fuga e novos rumos. Há muita construção de mundo e preparação para os próximos eventos, principalmente agora que a trama começa a se aproximar da saga em Seattle, adaptada do segundo jogo. Porém, apesar da importância dessas transições, o episódio dá a sensação de que está apenas ganhando tempo.
Sabíamos, desde o fim do episódio 2, que Ellie iria para Seattle. A tentativa de gerar alguma dúvida sobre seu futuro parece desnecessária, quebrando o impacto emocional que poderia ter sido melhor aproveitado com mais foco em suas lembranças e conexão com Joel.
Ainda que o sofrimento da personagem seja genuíno, o episódio se sustenta muito mais na tristeza inevitável da situação do que na força dramática da atuação ou do roteiro.
Luzes no fim do túnel: Dina e a busca por um novo propósito
Entre a tristeza, algumas sementes interessantes começam a ser plantadas. O relacionamento de Ellie com Dina, ainda em seus primeiros estágios, oferece uma pequena janela para a esperança. Se Ellie conseguir encontrar um motivo para seguir em frente — fora da memória de Joel —, talvez a série consiga resgatar uma vitalidade necessária para os próximos episódios.
Outro ponto intrigante em The Last of Us é a personagem Gail, de Catherine O’Hara. Ainda sem função muito clara na história, ela trouxe uma reflexão que parece guiar a jornada emocional de Ellie: Joel não moldou quem ela é. Ambos já caminhavam em direção a uma mesma escuridão — e agora, cabe a Ellie escolher se ela vai sair desse caminho ou mergulhar ainda mais fundo.
Sobre The Last of Us 2ª temporada Episódio 3 (2×03)
O episódio 3 da 2ª temporada de The Last of Us é pesado, melancólico e necessário para mostrar o impacto devastador da perda de Joel. Mas ao focar quase exclusivamente na tristeza de Ellie sem trazer um equilíbrio de ritmo ou de desenvolvimento emocional mais visível, o capítulo acaba ficando aquém das expectativas.
A série, que sempre brilhou ao combinar ação intensa com momentos profundos de conexão humana, aqui parece esquecer essa fórmula. Ainda assim, as pistas de um novo propósito para Ellie e a expansão do universo da história mostram que The Last of Us ainda tem caminhos interessantes para explorar.
Agora, resta torcer para que os próximos episódios consigam retomar o fôlego e o impacto que marcaram o início da temporada.