A 2ª temporada de The Last of Us chegou ao fim com um episódio impactante, doloroso e crucial para definir os rumos da série na terceira temporada.
O episódio final, centrado em Ellie (Bella Ramsey) e Jesse (Young Mazino), mostra como a jovem, consumida pela sede de vingança, começa a colher as consequências por suas escolhas. Ao mesmo tempo, a tão aguardada volta de Abby (Kaitlyn Dever) muda o jogo — literalmente — e antecipa um conflito inevitável.
Ellie chega ao limite (e cruza ele)

Durante toda a temporada, acompanhamos Ellie embarcando em uma jornada pessoal de vingança contra Abby, a mulher que matou Joel (Pedro Pascal). Acompanhada de Jesse e Dina, ela acredita estar fazendo o que é certo — ou, pelo menos, o que é necessário. No entanto, o episódio final mostra com clareza como essa motivação a afasta das pessoas que mais se importam com ela.
Ao ser confrontada por Jesse sobre suas prioridades, Ellie é forçada a perceber que seu desejo de vingança a tornou cega para o que realmente importa. Jesse, inclusive, revela que nunca votou para que Ellie fosse nessa missão — mostrando que, mesmo entre os amigos, a confiança já estava abalada. A relação entre os dois funciona como um espelho da que Ellie tinha com Joel: forte, mas marcada por decisões egoístas.
Um retorno com sangue nos olhos em The Last of Us
Quando tudo parecia relativamente calmo com o retorno do grupo ao teatro — quase uma ilusão de que poderiam voltar para Jackson e reconstruir suas vidas —, The Last of Us mostra por que é uma das séries mais brutais da TV. A cena final do episódio traz o retorno explosivo de Abby, que estava sendo procurada por Ellie desde o início da temporada. E ela não decepciona.
Kaitlyn Dever tem pouco tempo de tela, mas sua presença é sentida com força. A entrada de Abby marca o fim da “fase um” da história de Ellie e o início de algo muito maior. A série constrói essa tensão desde o episódio anterior — centrado em flashbacks de Joel —, preparando o público para o reencontro com a mulher que se tornou o símbolo do trauma e da dor da protagonista.
Justiça ou vingança?
O episódio também coloca a série de volta à sua reflexão mais importante: até que ponto vale a pena se vingar? Ellie acreditava que não tinha mais nada a perder, mas agora, depois de colocar seus amigos em risco, talvez ela perceba o quanto ainda lhe resta — e o quanto já comprometeu.
No final do episódio, não há alívio, só um peso crescente. A cena final não entrega um clímax explosivo, mas sim um aviso silencioso: a guerra está apenas começando. E agora, com Abby no centro do palco, a série caminha para uma terceira temporada dividida entre dois pontos de vista conflitantes — algo que os fãs do jogo já conhecem bem.

O que esperar de The Last of Us 3ª temporada?
Com a confirmação de que The Last of Us terá uma terceira temporada, o desfecho do segundo ano aponta para um formato mais ambicioso: explorar a jornada de Abby com a mesma profundidade que vimos com Ellie. A série deverá repetir a fórmula do jogo The Last of Us Part II, onde o ponto de vista muda de forma radical, e o público é desafiado a simpatizar com quem, até então, era o “inimigo”.
O grande desafio será fazer o público sentir empatia por Abby, uma personagem que matou um dos protagonistas mais queridos da TV. Mas se tem algo que a série faz bem, é subverter emoções e expectativas. Com Ellie isolada emocionalmente e Abby entrando em cena com seu próprio histórico de perdas, o terreno está preparado para mais uma temporada intensa, dolorosa — e inesquecível.