O sexto episódio da segunda temporada de The Last of Us marca um dos momentos mais emocionantes da série até agora. Entre cenas do presente devastador, que mostram Ellie afundando em sua vingança, o episódio resgata seis momentos do passado — todos estruturados em flashbacks — que traçam uma linha do tempo íntima e dolorosa entre ela e Joel.
Esses momentos não só aprofundam a complexidade emocional da narrativa, como também revelam os pilares da relação entre os dois protagonistas, oferecendo respostas sobre confiança, traição e, sobretudo, amor.
A seguir, explicamos detalhadamente a cronologia dos flashbacks de The Last of Us episódio 6 e o que cada um deles representa na construção dramática da temporada.
1. 1983 – Joel criança em Austin, Texas

O episódio abre com uma cena inédita e surpreendente: Joel e Tommy ainda crianças, interagindo com o pai (interpretado por Tony Dalton). Tommy se meteu em problemas e Joel tenta protegê-lo, temendo uma punição severa do pai. A conversa entre pai e filho revela um ciclo de violência familiar. O pai confessa que já bateu nos filhos, assim como apanhou do próprio pai, mas expressa o desejo de que Joel seja melhor do que ele. Essa abertura é crucial: estabelece uma linha temática sobre paternidade, legado e culpa — sentimentos que acompanham Joel até o fim de sua vida e ecoam em sua relação com Ellie.
2. 2024 – O aniversário de 15 anos de Ellie

Meses após a chegada em Jackson, Joel prepara uma comemoração especial para Ellie: compra um bolo (com o nome grafado errado como “Eli”) e, mais importante, constrói um violão artesanal como presente. Durante essa cena, Joel canta “Future Days”, da banda Pearl Jam. Esse momento é uma recriação direta do jogo, mas com um toque mais íntimo: no game, Joel encontra o violão; na série, ele o faz com as próprias mãos.
Este flashback ajuda a entender a importância simbólica da música na vida de Ellie — e por que tocá-la no teatro, após a morte de Joel, é um ato tão carregado de dor e saudade.
3. 2025 – O aniversário de 16 anos e a visita ao museu

No aniversário seguinte, Joel leva Ellie a um museu de ciências — um dos momentos mais icônicos do jogo. Lá, ela brinca com uma réplica de dinossauro, entra em uma cápsula espacial e ganha um presente incomparável: uma fita com a gravação do lançamento da Apollo 11.
Ao ouvir o som real do foguete, Ellie fecha os olhos e imagina estar decolando para o espaço. Esse presente representa um dos maiores gestos de amor de Joel — uma tentativa de dar a ela um sonho, mesmo num mundo sem futuro. A visita ao museu reforça o lado sensível e paterno de Joel, contrastando com as decisões controversas que ele tomou por ela no passado.
4. 2026 – O aniversário de 17 anos e a mudança de Ellie

Esse é o flashback mais sutil, mas igualmente importante. Ellie decide se mudar para a garagem — um sinal claro de que a relação com Joel está abalada. Embora não haja grandes eventos nesta cena, ela marca o começo do distanciamento entre os dois, reforçado pelas suspeitas de Ellie sobre o que realmente aconteceu em Salt Lake City com os Fireflies. É nesse ponto da cronologia que a desconfiança toma forma.
5. 2028 – O aniversário de 19 anos e a patrulha com Joel

Joel finalmente permite que Ellie participe das patrulhas com ele — uma prova de confiança mútua. Durante uma ronda, eles encontram Eugene, sobrevivente de um ataque zumbi, mas que está infectado. Eugene pede para ser levado de volta a Jackson e se despedir da esposa. Ellie quer respeitar seu pedido, mas Joel discorda. Ele promete que esperará, mas, assim que Ellie sai para buscar os cavalos, Joel mata Eugene.
Esse ato aprofunda ainda mais a fissura entre os dois. Ellie percebe que Joel ainda toma decisões por ela — e se ele mentiu sobre Eugene, talvez também tenha mentido sobre os Fireflies. Esse flashback funciona como o gatilho final para Ellie confrontar Joel sobre o passado.
6. 31 de dezembro de 2028 – A confissão de Joel e o início do perdão em The Last of Us

No encerramento dos flashbacks, voltamos à noite do baile de Ano Novo, quando Joel espancou Seth após um comentário preconceituoso sobre Ellie e Dina. Depois do conflito, Joel se senta sozinho no alpendre, e Ellie o confronta — finalmente pronta para saber a verdade.
Joel confessa que mentiu sobre o hospital em Salt Lake City, sobre os Fireflies e sobre a suposta impossibilidade de criar uma cura. Ellie reage com sinceridade: diz que quer perdoá-lo, mas não sabe se conseguirá. Esse momento, interpretado com extrema sensibilidade por Pedro Pascal e Bella Ramsey, é o ponto de virada mais significativo da temporada. É também trágico — porque Joel morre antes que Ellie possa lhe conceder esse perdão por completo.
Por que os flashbacks são importantes para a linha do tempo de The Last of Us?
Diferente do jogo, onde essas memórias são fragmentadas ao longo dos três dias de Ellie em Seattle, a série opta por mostrar tudo de uma vez. Isso fortalece o impacto emocional do episódio, mas também acelera o ritmo da construção do perdão de Ellie. No game, ela tem anos para processar; na série, são minutos.
Essa estrutura ressalta o quanto a morte de Joel foi prematura — não só em termos narrativos, mas emocionais. Ele e Ellie estavam, finalmente, começando a reconstruir algo — e a tragédia é que não houve tempo suficiente.
A linha do tempo completa dos flashbacks do episódio 2×06 de The Last of Us em ordem cronológica:
- 1983: Joel e Tommy crianças em Austin, Texas
- 2024 (15 anos): Ellie ganha o violão e ouve “Future Days” pela primeira vez
- 2025 (16 anos): Ellie visita o museu com Joel e ouve o lançamento da Apollo 11
- 2026 (17 anos): Ellie se muda para a garagem, marcando o início do distanciamento
- 2028 (19 anos): A patrulha com Joel termina com a morte de Eugene
- 31/12/2028: Joel finalmente confessa a verdade sobre os Fireflies
Sobre o episódio 2×06 de The Last of Us
O episódio 6 da 2ª temporada de The Last of Us funciona como um tributo à relação entre Joel e Ellie, apresentando todas as camadas que moldaram seus sentimentos — da confiança inabalável à mágoa profunda, até o começo de um perdão que nunca se concretizou.
Mais do que simples lembranças, os flashbacks mostram como Ellie foi construída por essas memórias — e por que sua jornada de vingança se tornou tão pessoal, tão difícil de abandonar. Em cada acorde de “Future Days”, em cada silêncio pesado, vive o eco de uma relação interrompida cedo demais.
Com mais episódios por vir, resta saber se Ellie será capaz de seguir em frente — ou se ficará presa a esse passado que o episódio 6 tão habilmente escancara.