The Last of Us 2ª temporada introduz Cordyceps e muda tudo

Finalmente, The Last of Us introduziu o conceito de Cordyceps e muda tudo para a série.

O episódio 5 da 2ª temporada de The Last of Us marcou um momento crucial para os fãs mais atentos à obra original dos games: pela primeira vez, os esporos tóxicos do Cordyceps foram oficialmente introduzidos no universo da série da HBO. Intitulado “Day Two”, o episódio trouxe essa revelação durante uma sequência intensa nos andares inferiores do hospital Lakehill, adicionando uma nova camada de tensão ao mundo já devastador que Ellie, Dina e outros personagens habitam.

A presença dos esporos não é apenas um detalhe técnico para agradar aos fãs dos jogos — ela redefine o modo como a infecção se espalha e abre portas para novas ameaças no enredo. E a decisão de incluí-los agora, e não na 1ª temporada, não foi aleatória.

Esporos no ar: o que isso muda?

Nos jogos da franquia The Last of Us, os esporos sempre foram uma das principais formas de disseminação do Cordyceps. Ambientes fechados, escuros e úmidos eram redutos perigosos, exigindo que os personagens utilizassem máscaras para sobreviver. Até então, a série vinha optando por ignorar esse elemento, provavelmente para evitar cobrir os rostos dos atores em momentos dramáticos — algo que Craig Mazin, co-criador da série, confirmou em entrevista anterior:

“Se colocássemos esporos no ar desde o começo, seria inevitável que todo mundo tivesse que usar máscara o tempo todo, e isso tiraria muito do impacto emocional das performances”, explicou Mazin ao site ComicBook.com.

Agora, porém, a série parece pronta para incorporar os esporos de forma mais cuidadosa — e estratégica. A introdução ocorre em um ambiente fechado, reforçando a ideia de que eles serão usados com parcimônia, mantendo o equilíbrio entre fidelidade ao material original e liberdade narrativa.

O momento chave no episódio 5 da 2ª temporada de The Last of Us

Durante uma perseguição tensa, Ellie acaba seguindo Nora — uma das aliadas de Abby — até os níveis inferiores do hospital, onde os dois personagens são expostos aos esporos. Enquanto Nora começa a apresentar sinais claros de infecção, Ellie permanece imune. Essa cena não só confirma oficialmente a existência dos esporos no universo da série, como ressalta a singularidade da imunidade de Ellie, algo que deve voltar a ser importante nos próximos episódios.

A sequência também é significativa por marcar uma virada no comportamento de Ellie, que parte para a violência extrema e, possivelmente, mata Nora. Essa decisão não vem apenas da raiva ou do desejo por justiça pela morte de Joel — ela é impulsionada também pelo terror de saber que a ameaça dos infectados, agora com uma nova forma de contágio, está longe de acabar.

Por que os esporos ficaram fora da 1ª temporada?

ellie brigou com joel 2 temporada de the last of us
Imagem: Divulgação.

A ausência dos esporos na primeira temporada gerou algumas críticas entre os fãs mais puristas, especialmente os que queriam ver uma adaptação mais próxima dos jogos. No entanto, do ponto de vista televisivo, a escolha fez sentido. Os criadores estavam preocupados com a lógica da propagação em um ambiente tão realista quanto o da série. Se os esporos fossem uma ameaça constante no ar, o mundo retratado em The Last of Us provavelmente seria ainda mais inóspito — com todos constantemente mascarados e uma taxa de sobrevivência ainda mais baixa.

Ao introduzi-los somente agora, a série ganha fôlego para aumentar a tensão narrativa sem comprometer a conexão emocional entre personagens e público. Afinal, poder ver as expressões de medo, dor e dúvida em cada rosto é uma das maiores forças dramáticas da série.



O que os esporos significam para o futuro da série?

Com os esporos oficialmente presentes, The Last of Us amplia seu leque de possibilidades para futuras situações de risco. Isso deve ter um impacto especialmente forte em locais subterrâneos ou abandonados — que se tornarão ainda mais perigosos para qualquer um que não seja Ellie.

Além disso, a introdução desse elemento torna o universo da série mais claustrofóbico e imprevisível, o que pode ser uma vantagem para os roteiristas. Com os Stalkers, Bloaters e agora os esporos, o Cordyceps vai assumindo sua verdadeira forma: uma entidade viva, que cresce, se adapta e encontra novas maneiras de atacar.

Também é possível que os esporos sirvam como ponto de tensão entre os personagens, com Ellie cada vez mais isolada em sua condição única, enquanto o resto do grupo precisa lidar com o medo constante da contaminação.

Ellie, a única imune

Outro aspecto interessante do episódio 5 é como a exposição aos esporos reforça a posição única de Ellie. Ao ver Nora sucumbindo aos efeitos do fungo, Ellie não apenas reafirma sua imunidade física, mas também entra em um terreno emocionalmente mais obscuro. Sua raiva, culpa e luto se transformam em violência — um ciclo que já conhecemos bem dos jogos, mas que agora ganha forma na TV.

Essa escolha narrativa de colocar Ellie em contato direto com os esporos pode indicar que a série começará a explorar mais profundamente o potencial científico e político de sua imunidade, algo que o mundo ao redor talvez não esteja pronto para aceitar — ou manipular.

Com a introdução dos esporos, The Last of Us atinge um novo patamar de fidelidade e complexidade. Mais do que um detalhe técnico, o fungo no ar simboliza uma nova fase para a série: mais densa, mais letal e mais fiel às raízes dos jogos. E ao mesmo tempo, prova que a produção está disposta a ouvir os fãs — desde que isso não comprometa a integridade emocional da história.

Se os próximos episódios seguirem o mesmo caminho, podemos esperar um The Last of Us ainda mais impactante, com Ellie cada vez mais no centro de um mundo que continua a desmoronar — agora, literalmente, pelo ar.



The Last of Us 2ª temporada introduz Cordyceps e muda tudo
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.