O episódio 4 da 2ª temporada de The Last of Us começa com um momento chocante: Isaac, vivido por Jeffrey Wright, mata seus próprios companheiros da FEDRA em uma emboscada que ele mesmo organiza.
A cena marca a origem de um dos personagens mais ameaçadores da nova temporada e revela os primeiros passos da criação da WLF (Washington Liberation Front), facção que viria a dominar parte de Seattle anos depois. Mas por que ele tomou essa atitude extrema?
Isaac se voltou contra a FEDRA para mostrar lealdade à resistência em The Last of Us

Isaac já era um soldado da FEDRA, mas ao contrário de seus colegas, ele começou a se cansar dos abusos, da brutalidade e da postura fascista da organização. No caminhão onde ele viajava com outros soldados, é possível ouvir os colegas zombando da população civil, chamando os residentes da zona de quarentena de “eleitores” — um termo usado para ridicularizar os direitos democráticos que haviam sido tomados.
Cansado dessa realidade e já em contato com civis que protestavam contra a FEDRA, Isaac aproveitou a viagem para se rebelar. Ele mata seus próprios homens não apenas por justiça, mas para sinalizar total lealdade a esse novo movimento de resistência que, mais tarde, se tornaria a WLF.
A ação sangrenta, mostrada em um flashback na abertura do episódio, é a mesma que, no jogo The Last of Us Part II, aparece como um vestígio a ser descoberto por Ellie — os esqueletos dos soldados são encontrados em um caminhão blindado no centro de Seattle.
Por que ele poupou um dos soldados?
Embora tenha eliminado todos os outros, Isaac poupa um jovem soldado, aparentemente menos corrompido. Ele enxerga nele um possível aliado, alguém que ainda poderia ser moldado longe da doutrina opressora da FEDRA. A intenção era salvar o garoto da corrupção — mas, ironicamente, o que acontece é uma transição para outro regime igualmente autoritário: a própria WLF.
No futuro, esse jovem aparece ao lado de Isaac enquanto ele tortura um Serafita, demonstrando prazer com a dor do inimigo. Isso simboliza uma das mensagens centrais da série: o ciclo da violência é perpetuado mesmo quando os líderes mudam, e os fins justificam os meios acabam corrompendo até as intenções mais idealistas.
A ascensão de Isaac e a repetição do ciclo


Após o massacre, Isaac se junta aos insurgentes e, ao longo de 11 anos, ascende como líder supremo da WLF, derrotando a FEDRA em Seattle. Mas a esperança de um novo regime mais justo logo se desfaz: Isaac adota práticas tão violentas e autoritárias quanto aquelas que tanto desprezava. Sua liderança é marcada pela guerra contra os Serafitas e pela política do medo — elementos que tornam o personagem uma peça essencial na temporada e um reflexo brutal do que The Last of Us quer explorar: a degradação moral em tempos de guerra e o preço de buscar controle a qualquer custo.
O episódio 2×04 aprofunda o arco de Isaac de forma poderosa, mostrando que, mesmo com boas intenções iniciais, a violência acaba moldando todos ao seu redor. E, assim como Ellie e Abby, Isaac também é um produto de um mundo quebrado, onde vingança, lealdade e sobrevivência caminham lado a lado — sempre à beira da ruína.