The Leftovers – 3×02 – Don’t Be Ridiculous

Imagem: HBO

Continua após as recomendações

[Contém Spoilers! Leia as reviews dos outros episódios aqui]

“Eu acho que estou enlouquecendo”, Nora Durst em ‘Don’t Be Ridiculous’.

Na review do episódio passado, eu mencionei que gostaria de ter visto mais de Nora Durst (Carrie Coon) nas telas, assim como descobrir o que teria acontecido a Lily e Erika. Pois bem, como se ouvindo meus pensamentos, o episódio dessa semana além de responder a pergunta do paradeiro das duas, centra seus quase sessenta minutos de duração na personagem de Coon.

Continua após a publicidade

Nora foi uma das mais atingidas pelo 14 de Outubro: A Partida Repentina levou seu marido e filhos numa probabilidade de um em 128 mil. Desde então, o ocorrido a assombra onde quer que vá. Ela se mudou de Mapleton pois não aguentava mais carregar as lembranças, indo para o único lugar que achou que fosse se sentir segura para seguir em frente: Jardern ou “A cidade onde ninguém desapareceu”. Mas é claro, Nora estava errada. Não existe escapatória dos demônios do passado. Em um episódio que lembra bastante o incrível “Guest” da primeira temporada, acompanhamos novamente a jornada de Durst num labirinto de emoções.

Em “Don’t Be Ridiculous”, um homem liga para Nora perguntando se ela gostaria de ver seus filhos novamente. Ela vai até onde o homem está localizado e ele diz que existe uma máquina que pode levar uma pessoa para o mesmo lugar em que os milhões de desaparecidos foram. A princípio Nora era cética, e talvez ainda seja, mas decide correr o risco de experimentar, afinal, o que há a perder? O equipamento está na Austrália, pano de fundo para o desenrolar dessa história nos próximos episódios. Ficamos imaginando se a máquina existe mesmo, se realmente funciona…

Imagem: HBO

Carrie Coon deu uma de suas melhores atuações até agora. A atriz tem uma habilidade de imprimir força e sensibilidade na sua personagem que admiro muito. Nora não é uma pobre coitada, ela é uma pessoa das quais coisas ruins aconteceram e Carrie Coon conseguiu, apesar de tudo, não transforma-la em uma criatura de pena. Ela é determinada, corajosa e calma, mas ao mesmo tempo tem certos resquícios de impulsividade. Traços assim precisam de uma boa atriz para interpretá-los.

E essa calma de Nora é colocada em xeque em diversos momentos nesse episódio. A tecnologia parecia estar contra ela, quase tentando empurrá-la para um ataque de nervos. Destaque para a cena no aeroporto em que o aparelho de check-in pergunta se ela vai viajar com uma criança de colo. A máquina trava quando Nora tenta responder “Não”. O episódio está cheio de momentos assim.

E falando em criança de colo… uma das perguntas que ficaram na premiere da semana passada era “onde está Lily?” A bebê, que agora já é uma criança, foi levada por Christine, que pediu sua guarda na justiça. Nora de certa forma se arrepende de ter sido tão condescendente ao entregar Lily sem lutar. Mas talvez essa história ainda não tenha acabado. Erika mostra as caras lá pelo fim, quando Nora decide visitá-la para conversarem; uma amizade verdadeira parece ter surgido entre elas. As duas também são responsáveis pelo momento mais relaxante do episódio: uma cena belamente fotografada em câmera lenta enquanto pulam em um trampolim.

Não preciso (na verdade, preciso) dizer que os roteiristas continuam fazendo um ótimo trabalho. Todos os personagens em “Don’t Be Ridiculous” tiveram seu papel e nenhuma informação foi colocada sem importância apenas para encher linguiça. Mistérios ainda disparam na tela o tempo todo, mas o importante o roteiro ainda faz com maestria: mergulhar na mente das personagens. Foi um momento de busca. Busca por “algo”. Mas essa busca não tem fim. Não terminou em Mapleton, não terminou em Jarden e não vai terminar na Austrália.

Nora protagonizou o melhor episódio da primeira temporada, o melhor da segunda ao lado de Erika e agora devolve um episódio marcante com a atuação de Carrie Coon. The Leftovers continua nos trilhos e, apesar de algumas pessoas estarem com medo de que Damon Lindelof dê um jeito de estragar a série, eu continuo confiante e entusiasmado com o que vem pela frente. Esse foi mais um capítulo incrível em adição aos vários outros que o programa já possui.

P.S.: Novamente a narrativa teve uma cena final que disparou a curiosidade. Aparentemente um grupo de mulheres na Austrália está tentando achar o Kevin, matando todos os chefes de polícia chamados Kevin que vêem pela frente. No final o Kevin Senior sai de sua casa e avista as mulheres. As perguntas que ficam são: Como elas ficaram sabendo dos poderes do Kevin? O que elas pretendem com ele? Por que sempre terminamos um episódio de The Leftovers sem saber que porra ta acontecendo? Por que existimos? Quem somos? Etc…

P.P.S.: O Próximo episódio vai focar no Kevin Garvey Pai. Talvez algumas das perguntas acima sejam respondidas.

P.P.P.S.: A abertura finalmente apareceu… e é decepcionante. É a mesma abertura da temporada passada com uma música diferente, nem tão boa assim.

P.P.P.P.S.: Regina King apareceu muito pouco nesse episódio. Quero mais!

No comments

Add yours