The Loyalty Game tem uma ótima premissa, mas tropeça justamente onde um suspense não pode falhar

Saiba mais sobre a série que acabou de chegar no Prime Video.

Há séries que conquistam pelo mistério. Outras, pelos personagens. The Loyalty Game, nova produção filipina do Prime Video, tenta unir as duas coisas ao partir de uma premissa bastante instigante: e se fosse possível colocar a fidelidade de alguém à prova por meio de um serviço especializado? A ideia é curiosa, moderna e abre espaço para discutir confiança, manipulação e paranoia dentro de um relacionamento.

O problema é que os dois primeiros episódios parecem ter pressa para revelar cartas demais. Em vez de deixar o espectador desconfiando junto com a protagonista, a série entrega informações que enfraquecem o suspense logo de cara. Ainda existem perguntas importantes no ar, mas falta justamente aquele sentimento de urgência que faz você terminar um episódio querendo assistir imediatamente ao próximo.

Um suspense psicológico que entrega mais do que deveria

A história de The Loyalty Game acompanha Ana, uma mulher que começa a perceber mudanças no comportamento do marido, Ben. Pequenos detalhes despertam sua desconfiança, enquanto traumas do passado tornam ainda mais difícil distinguir o que é paranoia e o que realmente está acontecendo.

Esse ponto de partida funciona muito bem. Durante boa parte do primeiro episódio, a série faz o público acreditar que talvez Ana esteja enxergando problemas onde eles não existem. Seria Ben realmente um homem perigoso ou tudo faz parte da insegurança dela? Só que essa dúvida dura pouco.

Em vez de manter o espectador preso à perspectiva da protagonista, The Loyalty Game rapidamente mostra que Ben realmente esconde algo. Com isso, parte da tensão desaparece antes mesmo de ganhar força. O mistério passa a girar apenas em torno da identidade de Mara e dos detalhes desse segredo, quando poderia explorar por mais tempo a dúvida sobre quem realmente estava falando a verdade.

O elenco segura boa parte da experiência

Se o roteiro oscila, o elenco de The Loyalty Game ajuda bastante a manter o interesse. Jericho Rosales interpreta Ben de forma bastante contida, transmitindo uma sensação constante de que existe algo escondido por trás de cada conversa. O ator consegue equilibrar charme e inquietação, fazendo com que seja difícil confiar completamente no personagem.

Já Janine Gutierrez entrega uma protagonista emocionalmente fragilizada, mas convincente. Ana vive praticamente em estado permanente de ansiedade, e a atriz consegue transmitir esse desgaste sem exagerar na maior parte do tempo.

O único detalhe que acaba chamando atenção é o excesso de cenas em que a direção aposta em gritos e explosões emocionais para demonstrar desespero. Em vários momentos, essas sequências parecem mais forçadas do que realmente impactantes.

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Imagem: Divulgação.

A edição acaba sabotando o suspense

Talvez o maior problema dos episódios iniciais de The Loyalty Game esteja na construção narrativa. A edição é bastante irregular, com cortes bruscos e uma falta de ritmo que impede o suspense de crescer naturalmente. Algumas cenas terminam de forma abrupta, enquanto outras parecem acontecer rápido demais, sem permitir que o público absorva as descobertas.



O resultado é um thriller que deveria ser sufocante, mas frequentemente transmite uma sensação de desorganização.

A direção também aposta em muitos closes extremos no rosto de Ana. Em alguns momentos isso ajuda a reforçar sua ansiedade, mas a repetição faz o recurso perder força rapidamente.

Ainda existe potencial para melhorar

Apesar dos problemas, seria precipitado descartar The Loyalty Game após apenas dois episódios. A série claramente foi construída como uma narrativa de desenvolvimento lento. São 14 episódios ao todo, com lançamentos semanais, e ainda existe bastante espaço para aprofundar seus personagens e explicar o verdadeiro papel de Mara, além dos segredos que Ben continua escondendo.

A própria proposta da produção continua interessante. Histórias sobre manipulação emocional, gaslighting e relacionamentos abusivos costumam funcionar muito bem quando conseguem equilibrar informação e mistério. Por enquanto, The Loyalty Game ainda não encontrou esse equilíbrio, mas deixa pistas de que há algo maior sendo preparado.

Vale a pena assistir The Loyalty Game?

Os dois primeiros episódios de The Loyalty Game não entregam toda a tensão que sua premissa prometia. O suspense demora a engrenar, a edição atrapalha mais do que ajuda e algumas escolhas narrativas diminuem o impacto das revelações iniciais.

Por outro lado, o elenco faz um bom trabalho, a ideia central continua bastante interessante e ainda há muitas perguntas sem resposta. Se os próximos capítulos conseguirem aproveitar melhor esse potencial, a série pode crescer bastante ao longo da temporada.

Por enquanto, The Loyalty Game começa de forma apenas regular. Não é o thriller psicológico envolvente que parecia ser nos trailers, mas também está longe de esgotar suas possibilidades. Resta saber se os próximos episódios conseguirão transformar uma boa premissa em uma história realmente memorável.

Nota: 3/5



The Loyalty Game tem uma ótima premissa, mas tropeça justamente onde um suspense não pode falhar
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.
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