The Magicians: fantasia além das páginas

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Surpresa: o canal Syfy finalmente exibiu uma série decente e que não envolve alienígenas. The Magicians é uma fantasia que pode parecer boba no início, mas esconde bons personagens e tramas interessantes. Basta depositarmos certa confiança no projeto. Baseada na trilogia literária escrita por Lev Grossman, The Magicians é uma espécie de Harry Potter para adultos.

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O universo de J.K. Rowling, aliás, é uma das principais influências em The Magicians. São notórias as inspirações de Grossman em O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia além de, claro, Harry Potter. A história acompanha Quentin Coldwater, um jovem que adentra a vida adulta sem saber o que fazer a seguir. Para onde ir? O que fazer? Assim como Harry, quando Quentin atinge certa idade, ele é aceito em uma escola mágica. A diferença é que Quentin entra em uma Universidade. Conhecida como Brakebills, a instituição fica em Nova York, mas em uma espécie de dimensão alternativa.

Magicians_hero_101ANa escola de magos, Quentin finalmente encontra o seu espaço. No mundo real, o sujeito sofria com uma profunda depressão. Em Brakebills, Coldwater se sente parte de um todo maior e mais importante. O perigo, contudo, está à espreita e Quentin é uma espécie de escolhido. Clichê, certo? Com certeza. Mas há mais do que isso no universo de Magicians. Uma das personagens, Julia, por exemplo, não é admitida na escola, mas é escolhida por um grupo de outsiders, uma organização que parece ir contra os princípios de Brakebills e viver às margens do mundo mágico.

Julia, aliás, representa uma das maiores mudanças na série em relação aos livros. No primeiro romance acompanhamos basicamente Quentin em seu primeiro ano em Brakebills. Como Julia não é aceita na instituição, ela fica um tanto de fora dos acontecimentos na primeira parte da trilogia. No segundo livro, contudo, Julia ganha destaque; é aí então que o leitor descobre o que aconteceu com ela enquanto Coldwater estava na universidade.

No show, porém, as histórias de Quentin e Julia transcorrem paralelamente. O que é totalmente aceitável, já que, de uma forma ou outra, os caminhos da dupla seguem ao mesmo tempo nos livros, só que expostos em romances diferentes. Outro ponto antecipado na série é Fillory, uma espécie de dimensão mágica ao estilo de Nárnia. Este mundo de fantasia não aparece no primeiro romance de forma tão clara como no show.

themagiciansThe Beast, a grande ameaça em The Magicians, é visualmente diferente e chega ao mundo de Quentin de modos diferentes no livro e na série. Nas páginas, The Beast tem um ramo de folhas cobrindo o rosto, na adaptação, o personagem tem uma nuvem de mariposas ao redor da cabeça. Além disso, o confronto entre o vilão e o reitor da instituição só ocorre no show. O reitor, aliás, tem mais espaço e importância na adaptação, claramente desempenhando o papel que Dumbledore encarnou em Harry Potter.

Outros detalhes mudam aqui e ali. Uns importantes e outros quase irrelevantes. Mas as mudanças parecem bem vindas e positivas. O próprio autor dos livros que deram origem à série aceita as diferenças: “É uma mídia diferente, e você conta histórias diferentes. Nem tudo é adaptado fielmente”, afirmou Grossman em entrevista recente. Os fãs podem torcer o nariz, mas precisam deixar o preconceito de lado. The Magicians merece uma chance.

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