A sequência da franquia estrelada por Charlize Theron chegou à Netflix com a promessa de expandir o universo dos imortais — e o final de The Old Guard 2 não decepcionou.
Repleto de reviravoltas, o desfecho mergulha o espectador em uma batalha épica entre a velha guarda liderada por Andy e as novas ameaças, revelando sacrifícios dolorosos, surpresas místicas e, claro, uma possível continuação.
O plano explosivo de Quynh e a armadilha de Discord
O clímax do longa se desenrola em Jakarta, Indonésia, onde Quynh, agora aliada de uma figura misteriosa chamada Discord — a primeira imortal da história — planeja detonar uma bomba em uma usina nuclear. A motivação de Quynh vem de um trauma de 500 anos: após ser capturada por “bruxaria”, ela foi trancada viva em uma câmara de ferro e lançada ao mar, onde morreu e reviveu infinitamente. Para ela, a humanidade merece pagar pelo sofrimento que causou.
No entanto, a situação é mais complexa. Discord usou o ressentimento de Quynh como isca para capturar Riri (Nile) e o restante do grupo, numa tentativa de restaurar seus próprios poderes imortais — perdidos recentemente — ao forçar a última imortal a fazer o “ritual” de transferência de poderes.
Booker e o sacrifício pela redenção no final de The Old Guard 2

Desde o primeiro filme, Booker lutava com o fardo da imortalidade, principalmente por ter visto sua família envelhecer e morrer. Em The Old Guard 2, ele encontra a chance de redenção: transfere voluntariamente seus poderes para Andy, que havia se tornado mortal. A cena do sacrifício, apesar de pouco fundamentada emocionalmente no filme, marca um ponto alto da narrativa: enquanto o grupo tentava impedir a explosão da bomba, Booker ficou para trás e enfrentou os soldados de Discord — e não sobreviveu.
O processo de transferência, no entanto, é mal explicado: aparentemente, basta um ato de vontade mútua e uma ferida provocada pela espada de Nile. A cena sugere que esse processo mágico requer consentimento, mas o roteiro trata isso de forma um tanto superficial.
- Leia também: The Old Guard 2 filme final explicado
O embate final em The Old Guard 2: Andy e Quynh
O reencontro entre Andy e Quynh é carregado de tensão emocional. Para Quynh, a imortalidade se tornou uma maldição sem propósito, e Andy, em vez de resgatá-la, passou séculos ajudando a humanidade — uma traição imperdoável aos olhos da ex-amante. A cena entre as duas culmina num dilema moral: Quynh, prestes a detonar a bomba, é convencida por Andy a desistir da vingança.
A resolução, no entanto, parece apressada. Toda a construção de Quynh como uma vilã trágica se esvazia com um simples diálogo. O que poderia ter sido um poderoso arco “inimigas a aliadas” termina de forma anticlimática, deixando uma sensação de oportunidade desperdiçada.
Discord: uma vilã enigmática (e frustrante)
A figura de Discord é uma das grandes novidades do filme — e também uma das mais mal desenvolvidas. Embora ela revele seu plano de capturar todos os imortais para absorver seus poderes e se tornar a única “super-imortal”, suas motivações reais nunca ficam claras. Por que escolher um plano tão mirabolante para sequestrar o grupo? Por que usar um reator nuclear como armadilha? As respostas são vagas.
Discord acredita que Nile, como a última imortal, tem a capacidade de transformar qualquer imortal em mortal — um poder que ela deseja usar para forçar os outros a entregar suas habilidades. Para isso, ela pretende manipular emocionalmente Nile, talvez ameaçando sua família, ou apenas a torturando até ceder.
Final aberto e teorias para The Old Guard 3

O filme termina com Andy e Quynh reunidas e dispostas a resgatar o restante da equipe, agora prisioneira de Discord. A cena final sugere que a próxima missão será guiada pelas informações que Quynh possui sobre a vilã e seu esconderijo. A narrativa também dá margem para explorar a relação entre as duas personagens, algo que poderia ter sido mais bem trabalhado neste segundo capítulo.
Entre as teorias para um terceiro filme, algumas possibilidades ganham força:
- Nile pode ser forçada a usar seus poderes contra os amigos.
- Copley, que parece ter sido capturado, pode morrer e servir de motivação.
- Outro imortal pode morrer para devolver os poderes a Quynh.
- O grupo pode decidir transferir os poderes para Discord… e prendê-la como punição, repetindo o destino de Quynh no passado.
Sobre The Old Guard 2
The Old Guard 2 é um filme ambicioso, com ideias ousadas, mas que tropeça ao tentar encaixar emoção, mitologia e ação em um só pacote. O sacrifício de Booker, a restauração da imortalidade de Andy e a redenção de Quynh são momentos importantes, mas a narrativa se perde em sua própria complexidade.
Mesmo assim, o final deixa portas abertas para um desfecho épico. A nova missão de resgate, a promessa de explorar melhor a mitologia dos imortais e o embate final com Discord são ingredientes promissores para The Old Guard 3 — que, se bem conduzido, pode elevar a trilogia a um novo patamar no catálogo da Netflix.
Resta saber se a plataforma apostará nesse desfecho… ou se deixará mais uma saga promissora pelo caminho.