The Pitt | Noah Wyle revela porque a série não tem trilha sonora

Resumo

Em um mundo de séries médicas onde os violinos choram nas cirurgias e os tambores aceleram o coração do público nas salas de emergência, The Pitt, da Max, segue um caminho radicalmente oposto — e a ausência de trilha sonora tem uma razão muito específica. Quem explica isso é o próprio protagonista da série, Noah Wyle, em uma recente entrevista ao programa Fresh Air, da NPR.

“Foi uma decisão que tomamos logo no início: não usar nenhuma música na série”, revelou Wyle. “Ao retirar a trilha, tiramos também o artifício que avisa ao espectador que ele está vendo uma série de TV, que precisa ficar triste porque tem cordas tocando ou ficar empolgado porque há percussão.”

O som real como trilha emocional

Em vez de uma trilha sonora convencional, The Pitt aposta no realismo sonoro do ambiente hospitalar. O chiado das máquinas, os passos apressados nos corredores e o jargão técnico dos médicos preenchem o espaço com uma intensidade autêntica. “A sinfonia que queremos é a do procedimento acontecendo em tempo real”, explicou Wyle. “E a entrega das falas técnicas com intensidade funciona como o equivalente emocional de uma trilha musical.”

Ou seja: a tensão dramática não vem de uma trilha dramática. Ela vem da precisão e da urgência das palavras dos personagens, e da maneira como esses profissionais — e os atores — lidam com a pressão.

Uma série feita de realismo e competência

Wyle, que também atua como produtor da série, definiu The Pitt como um exemplo de “competency porn” — um tipo de atração que seduz o público mostrando pessoas extremamente boas no que fazem. “O mais importante nem é que o público entenda cada palavra técnica. O importante é que ele perceba que esses médicos sabem exatamente o que estão fazendo”, disse.

Para alcançar esse nível de realismo, o elenco passou por treinamento médico intensivo. “Buscamos atores com experiência em teatro, bons de memória, que pudessem fazer tudo com precisão enquanto manipulam equipamentos ou andam de costas em uma cena.”.

O clima de hospital foi levado tão a sério que até na hora do almoço Wyle se manteve separado do elenco, para refletir a hierarquia de um hospital real. “O John Wells [produtor] me disse: ‘Não seja muito legal com eles.’ E aí comi sozinho por semanas”, contou.

Silêncio que grita

Se em outras séries o som guia a emoção, The Pitt prefere o impacto da realidade. O som das máquinas, o zumbido dos monitores, o ritmo das falas médicas e o silêncio desconcertante após um procedimento mal sucedido fazem o papel que, em outras produções, seria da orquestra. A ausência de trilha, nesse caso, é uma escolha poderosa — e corajosa.

Renovada para a segunda temporada, The Pitt continua conquistando o público com uma proposta ousada: contar uma história médica que soa menos como uma novela dramática e mais como a vida real. E, às vezes, o silêncio fala mais alto.





The Pitt | Noah Wyle revela porque a série não tem trilha sonora
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.