The Player: Façam Suas Apostas

ThePlayer Poster NBC

A Fall Season sempre chega com muitas surpresas. Algumas delas são boas, outras nem tanto. The Player, o mais novo drama da NBC, chega com potencial para ser ambos.

Sob o comando de John David e John Fox, dois dos produtores “da casa” – a dupla também está no comando de The Blacklist – e do talento instável de John Rogers, The Player chega combinando uma premissa razoavelmente interessante (mas não totalmente original), alguns nomes interessantes no elenco, uma progressão rápida – talvez até demais – do enredo, tudo isso em um procedural apropriadamente ambientado em Las Vegas.

É por essa ambientação que eu quero começar a review. Afinal, é bem óbvio que as pessoas que vão a Vegas estão dispostas a apostar qualquer coisa, em qualquer tipo de jogo. É exatamente com isso que vamos nos deparar. Quando removemos todas as cenas de ação realmente impressionantes – quando você considera que o CGI foi pouquíssimo usado numa produção de ação isso acaba sendo realmente notável – os “casos da semana” e os mistérios mais epistemológicos (a criação da “House” deixou várias coisas em aberto, isso sem contar com aquele cliffhanger de Cassandra no final…) é essa a ideia que fica: um grupo de apostadores sinistramente misterioso que recrutou três “agentes” como fonte de entretenimento. Perto do fim do episódio, quando o pit boss/Sr. Johnson (Wesley Snipes) tenta convencer Alex Kane (Philip Winchester) a aceitar a posição de “Player” da “House” ele chega a mencionar isso. A House, apesar de seu poder de prever crimes usando o comportamento humano como a constante para todas as outras variáveis, tem por papel principal ser a “válvula de escape” das pessoas cujo poder, quando não canalizado de forma correta, acarreta na destruição de nações ou na reformulação dos mapas.The Player - Season Pilot

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Não me entendam mal! Isso não deve ser visto como uma crítica negativa a série. Ter a “ousadia” de apresentar esse tipo de visão sobre a produção dentro da produção – mais ainda no piloto – indicam uma certa coragem narrativa, que é um colírio para os olhos dos seriadores mais antigos, que cada dia mais se deparam com a triste de verdade que é a diminuição da criatividade.

Em termos de casting a série até foi bem-sucedida em suas escolhas. Durante a fase de produção e divulgação, foi anunciado que Wesley Snipes é quem viveria o papel de Alex Kane, o ex-black ops agent do FBI que é o personagem-título da série. Mas (e posso dizer, para grande benefício do roteiro), Snipes assumiu um papel muito mais soturno e misterioso como o “boss” – literalmente – da “House” ao lado da belíssima (e agora novamente loira) Charity Wakefield, que vive Cassandra King, a “dealer” da “House”. Já o papel de personagem-título foi entregue a ninguém menos que Philip Winchester, para alegria – ou não – dos fãs de Stike Back, que puderam rever o ator noutra produção nas telinhas bem antes do usual.Snipes and Winchester

O piloto nos apresenta a série e seu contexto com todo o “Q” de um procedural. O caso da semana apresenta Alex como um ex-agente que agora atua como especialista de segurança privada. Ao aceitar um caso da família Raquibs – enviados de um dos governos do Oriente Médio – ele acaba por se tornar alvo de um grupo pretendia sequestrar a filha do diplomata, vividos por Carlo Rota (lembram de Morris O’Brian?). Por seu envolvimento na tentativa de prevenir o sequestro, a casa da ex-esposa de Alex, onde ele estava (e com quem ele estava se “reconciliando”), é invadida e Ginny é morta. Ao encontrar a esposa morta após o confronto com o invasor, Alex sai em perseguição desse invasor, um profissional em sequestro de Istambul chamado Tomas Edribali (Dion Mucciacito), mas acaba por não conseguir capturá-lo e é atropelado por Cassandra, que queria “moldar” a situação de modo que o encontro de Alex com a House fosse tão propícia para a House quanto possível. Depois de ser injustamente acusado do assassinato da esposa, Alex foge, encontra Cassandra e é apresentado ao pit boss/Mr. Johnson e tem que decidir se irá ou não salvar Shada Raqib, que acaba sendo sequestrada. Desenrolares a parte, a grande quest de Alex acaba sendo o que fazer depois. Juntar-se ou não a House enquanto busca pelo assassino de sua esposa.The Player - Season Pilot

O plot pode parecer um tanto “muito” para um piloto, e em algumas partes, acaba realmente sendo. As sinopses oficiais foram muito vagas ao mencionar a morte da esposa de Alex, o que me levou a crer que nós seriamos apresentados a trama e aos personagens já em progresso, depois de certo tempo da associação relutante de Alex a House, o que renderia bons flashbacks, sendo uma forma de aprofundar os níveis narrativos. É talvez a minha única reclamação sobre a condução da série até aqui. O senso de urgência do episódio é muito alto e as passagens entre as perseguições, mortes e introduções acabaram sendo menos sofisticadas do que eu esperava.

Como um todo, o episódio não foi ruim, e mostrou que tem o suficiente para fazer uma boa temporada. O maior cliffhanger deixado – qual seria a conexão de Cassandra com Ginny – foi intrigante o suficiente para me fazer deixar de lado algumas das preocupações que surgem quando você olha o histórico da NBC com cancelamentos que são no mínimo cruéis com os fãs e é claro, os números da audiência do piloto (que não foram tão bons assim). The Player é decididamente uma incógnita, podendo falhar ou ser o próximo sucesso do canal. Teremos que continuar a assistir para que a série nos convença de qual dos caminhos (sucesso ou fracasso) ela irá trilhar. Depois desse piloto, posso garantir que eu continuarei a assistir. E vocês?

Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Professor de Língua e Literatura, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em café, bons livros, boas animações e ocasionais guilty pleasures (além de conversas sem começo, meio nem fim). De gosto extremamente duvidoso, um Reviewer ocasional aqui no Mix de Séries e Colunista no Mix de Filmes.

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