The Royals: a modernidade invade o Antigo Regime

The Royals

 

Quem não ama séries épicas? Sonhar com a realeza, as tramas políticas e as festas regadas em castelos luxuosos é como ver um conto de fadas ganhar vida. Mas The Royals está bem longe de ser como Reign, The Tudors, The White Queen ou qualquer outra atração que se preocupe em retratar uma das instituições mais antigas da Terra: a realeza britânica.

 

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Nobreza wannabe? Vejamos…

 

Usando as palavras de seu criador, Mark Schwahn, o mesmo da amada One Tree Hill, The Royals não é um drama sobre “uma família, que apenas ocorre de ser a família real”, ou seja, a preocupação da nova série do E! não é as articulações políticas, iminências de guerra ou controle da economia, aqui há “uma boa combinação do que o público vê e do que o público nunca viu”. O contraponto da imagem construída sob a realeza e o que de fato acontece no Palácio de Buckingham é o pano de fundo da história da nova família que Schwahn adotou para a TV.

Concepção

Diferente da atual família real britânica, liderada pela Rainha Elizabeth II, em The Royals a coroa está sob a cabeça do Rei Simon e a partir dele cada membro da família trabalha – da sua forma – a imagem que deve ser passada da realeza. Assim como Downton Abbey, a criadagem também tem um papel bastante ativo na trama.

O pontapé inicial é a morte do Príncipe Robert, o filho primogênito e, portanto, herdeiro do trono de Simon. Com isso, a coroa então fica para Liam, o segundo no comando e irmã gêmeo da Princesa Eleanor. A Rainha Helena tenta manter a pose exigida pelo protocolo real, mas sua principal preocupação é construir o caminho para o próximo rei, enquanto destrói e despreza as tentativas da filha de sair do controle. Ao lado deles está o Príncipe Cyrus, irmão do Rei Simon e Duque de York, e suas duas filhas, as excêntricas princesas Penelope e Maribel Henstridge. Com a falta de preparo do seu filho e todos os acontecimentos que surgem antes disso, o Rei Simon não vê outra saída senão propor o fim da Monarquia ao povo inglês, o que pode mudar a vida de todos, de alguma maneira.

Por detrás das cortinas, estão Ted Pryce, chefe da segurança do castelo, e sua filha Ophelia, uma jovem estudante que tem que conviver com todo luxo da realeza, mas logo de cara de apaixona pela príncipe – o que deixa a rainha ainda mais preocupada. Além disso, o guarda-costas de Eleanor, James Frost, também tem uma grande parte na série, manipulando sua patroa, mas no fundo sendo seu maior companheiro.

Personagens

Todos os personagens, de alguma maneira, navegam entre o bem e o mal, assim como um ponto de equilíbrio. O que de cara transparece para o público é que Mark Schwahn não se preocupou em fazer uma cópia fidedigna da atual realeza britânica, e sim personagens que construíssem um universo particular, mas não afastados de toda realidade e responsabilidade de estar em um dos cargos mais importantes do planeta.

 

The royals

O Rei diplomata, a Rainha midiática, a Princesa rebelde e o Príncipe encantado

 

No topo dessa pirâmide estão o Rei Simon e a Rainha Helena. Enquanto ele tem um posição muito branda e politicamente correto, Helena coloca o seu conservadorismo em primeiro lugar. Para ela, regras são feitas para serem cumpridas e mantidas a fim de preservar uma das instituições mais importantes da História. Vincent Regan (300, Tróia, Fúria de Titãs) ainda caminha a passos lentos para convencer como um monarca que detém o poder – mesmo que representativo – da Inglaterra, enquanto Elizabeth Hurley (Gossip Girl) imprime a matriarca que tenta lidar com a imagem de sua cria e a sua própria para manter as prerrogativas de sua coroa. Longe de ser a recriação da Rainha Elizabeth II, a atriz definiu sua personagem como uma mistura da Princesa Diana (caso se tornasse rainha) e Cruella De Vil, a vilã de 101 Dálmatas, da Disney.

No segundo degrau estão os herdeiros da coroa, Príncipe Liam e a Princesa Eleanor. O personagem de William Moseley (As Crônicas de Nárnia) é o perfeito príncipe dos contos de fadas: bonito, inteligente, charmoso, gentil, e só. A preocupação dele nunca foi ser rei – cargo destinado a Robert – mas o destino lhe presenteou com a coroa, e ele se vê entre a vida de festas e liberdade, e a obrigação de manter “os negócios da família”. Eleanor, interpretada pela australiana Alexandra Park (Home and Away)  coloca em xeque tudo que a mãe dos dois tenta preservar. Usuária de drogas (das mais pesadas), alcoólatra e festeira de primeira, ela é a ovelha negra e lado irônico da família, sem se preocupar com protocolos ou tradições, se tornando uma vítima constante da mídia.

O Príncipe Cyrus e suas duas filhas são quase surreais, aqueles personagens que só existem na subjetividade. Ambicioso, ele deseja o posto do seu irmão e faz de tudo para manter seus privilégios. Uma cópia moderna de Liberace, ele coloca em sua cama quem pode lhe beneficiar, e usa das drogas e da bebida para se colocar sempre à margem de todas as situações. Em todo esse conto de fadas, Penelope e Maribel parecem as filhas da madrasta da Cinderella, dando o alívio cômico da série.

 

The Royals Cast

O Coringa, a Dama de Copas e o Valete de Paus

 

Assim como a sociedade estamental, a base dessa pirâmide fica para os servos. Ted engole vários sapos, principalmente da rainha, para manter sua visão intacta e foco na proteção daqueles que tem tem atitudes muitas das vezes autodestrutivas – principalmente Eleanor. Ophelia vive o sonho de toda garota, mas ao contrário da maioria, não está interessada no glamour e riqueza que a coroa britânica proporciona. Ao contrário de Gemma, ela que do príncipe Liam apenas o sentimento, e não o status que vem no pacote. Jasper trabalha para Ted, mas logo se torna um dos empregados mais insubordinados que a realeza de toda TV já viu. Com pose de um vídeo comprometedor da princesa, começa a chantageá-la para benefício (sexual) próprio, mas com o tempo a tendência é da coisa evoluir e algumas faíscas soltarem entre os dois. Também pudera: qual garota não ficaria caidinha pelas sobrancelhas arqueadas de Tom Austen (The Borgias)?

Como presença recorrente, além de Gemma, herdeira de um império de jóias e ex-namorada de Liam, temos o capitão Alistair Lacey, amante de Helena, o home responsável por despertar o lado doce e puro da rainha casca-grossa.

 

The Royals2

Os figurantes da Corte: a audaciosa Gemma, as excêntricas Penelope e Maribel e o plebeu Nick

 

Cada personagem carrega uma backstory que com certeza deve ser desenvolvida mais para frente: qual o real motivo da reaparição de Gemma? qual a origem de Jasper? qual a causa da morte da mãe de Ophelia? Será que Nick não vai lutar pelo amor de Ophelia (por favor diga que sim)?

Metade da temporada se foi, e já temos o segundo ano garantido. Se segura que vários forninhos vão cair no fictício Palácio de Buckingham.

Recepção da crítica

O E! é conhecido principalmente pela reality Keep Up With Kardashians, então no quesito família problemática a produção tem muito material no que se inspirar. Dois meses antes da estreia – que aconteceu no dia 15 de março – The Royals já tinha a segunda temporada garantida, o que fez toda mídia esperar pelo lançamento da primeira série roteirizada do canal. Além disso, o nome de Mark Schwahn e seu histórico com One Tree Hill animou aos fãs, que esperavam uma trama muito mais familiar do que politicamente engajada.

A estreia foi assistida por cerca de 1,5 milhão de pessoas, que, embora não seja um número tão expressivo, se manteve regular nas semanas seguintes.  A crítica, no entanto, não perdoou.

“Possivelmente, o pior show na história da TV. […] um bando de imbecis deitados na cama sobrecarregados com um diálogo muito ruim”. (The Sydney Morning Herald)

“Como um MTV Music Video prorrogado, intercalado com diálogo”. (The Hollywood Reporter)

“[…] o show resultante é flácido, estranhamente colocado, e pior elenco […] Shows com energia e identidade suficiente podem facilmente sobreviver a atuação ruim: Mischa Barton não poderia derrubar The OC, e ninguém em 90210 foi exatamente roubado de uma indicação ao Emmy. […] talvez o problema é que ninguém tem muito a dizer.” (Vulture)

“The Royals veste um sorriso largo, e seu problema é que vira muito longe da coisa real. O que está faltando é a tensão entre a máscara pública e predileções particulares, a dissonância entre obrigação da nobreza e privilégio ilimitado.” (The New York Times)

Com cinco episódios ainda restando para terminar a temporada, ainda há tempo de The Royals recuperar os pontos perdidos em seu início. Diferente dos grandes canais da TV americana, o E! tem se colocado indiferente às críticas e sido corajoso em levar uma produção tão cara às últimas circunstâncias.

Um dos pontos positivos da série é a produção, que não tem deixado nada a desejar. Do figurino ao cenário, o luxo e poder são elementos principais que acompanham os personagens da série. Tudo isso encaixado que uma trilha sonora versátil e muito bem posicionada na trama.

Resta saber se realmente o público concorda com a imprensa, e de nada vai valer os diamantes da coroa de Helena e Simon.

 

Só a Lorde entende de ser da realeza

 

***

Se você se encorajou a assistir a série, não se esqueça de nos contar o que achou. Os episódios inéditos são exibidos aos domingos, no horário nobre. Confira abaixo o trailer da série:

 

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=k0A5m24jO-0[/youtube]

Equipe Mix

Equipe Mix

Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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