The Strain – 01×03 – Gone Smooth

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The Strain continua provando suas qualidades, mas desacelera um pouco para acertar o tabuleiro. O episódio já começa com uma cena interessante que mostra um vampiro (sem nariz, careca e muito pálido) se maquiando para parecer um humano normal. Rapidamente podemos descobrir que aquele ser é, na verdade, Thomas Eichorst, braço direito do Mestre. É outro momento interessante dentro da série pois prova, mais uma vez, que os vampiros estão entre nós há muito tempo, mas estão escondidos, esperando o momento ideal para aparecer. O acontecimento que permitirá o renascimento definitivo dos temíveis seres noturnos ainda não foi citado na série, mas deve aparecer em breve. O que posso afirmar é que uma oportunidade interessante para os vampiros surgirem oficialmente e o Mestre poder colocar sua raça acima dos humanos. Mas enquanto isso não acontece, The Strain vai revelando sem medo os monstros que pretende acompanhar.

Nos livros, Guillermo Del Toro e Chuck Hogan tratam os vampiros de The Strain como strigoi. Os strigoi, no folclore romeno, são almas atormentadas dos mortos que saem do túmulo. As lendas acerca destes seres são diversas; em umas os strigoi são associados a bruxas e em outras a zumbis. Uma característica em comum e que os aproxima dos vampiros é a sobrevivência à base de sangue humano. Mas Del Toro e Hogan tomam liberdades criativas para tratar destes monstros. Diferente das lendas romenas, por exemplo, os strigoi da série não ficam invisíveis e não se transformam em diferentes animais. No terceiro episódio, Gone Smooth, conhecemos outros detalhes sobre os monstros. Podemos ver, por exemplo, que uma das maiores características destes seres é a perda parcial ou total de partes do corpo. Os strigoi vistos aqui perdem totalmente o cabelo, não possuem nariz e genitálias (como pode ser visto na tensa cena envolvendo o roqueiro Gabriel Bolivar), além de uma complexa mudança em órgãos internos que, ou deixam de existir ou se transformam para melhor funcionamento dos sistemas.

Toda essa mutação física, aliás, é mostrada detalhe a detalhe. E não só através da caprichada maquiagem, mas também através de estranhos sons que mostram que algo está mudado e funcionando diferente dentro dos corpos das vítimas do incidente envolvendo o boeing. São sons sutis que, aliados à maquiagem espetacular, causam um grande impacto. Mas Gone Smooth não gira apenas em torno dos strigoi e suas transformações. O drama familiar de Eph continua, e, ao contrário de algumas críticas ao núcleo do personagem, acho que esse lado problemático e pessoal de Eph é bem vindo e satisfatoriamente desenvolvido. Não posso dizer, claro, que é uma situação original, já que casais separados pelo trabalho excessivo de um dos envolvidos e a disputa pela guarda dos filhos é uma situação bem batida. De qualquer forma, são momentos interessantes e bem conduzidos, tendo Corey Stoll com domínio sobre seu personagem. A disputa pela guarda do garoto e o fato dele ficar com a mãe é algo que se tornará irônico no futuro. Quem não conhece o material original: aguarde!

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Por mais interessante que seja Eph e por mais talentoso que seja Stoll, a grande força de The Strain (não só na TV, mas nos livros) é Abraham Setrakian. Mais uma vez tomamos conhecimento de seus objetivos e ver com clareza o seu lado caçador é ótimo. Ao afirmar que prestará suas condolências às famílias das vítimas do voo 753, sabemos que ele fará uma visita casa a casa buscando dizimar os novos vampiros que ameaçam ressurgir. A caçada pode render bons momentos nos episódios futuros. A audiência de Setrakian, onde o veterano se defende e explica que a pequena espada escondida em sua bengala é apenas um item de sua coleção, é uma das melhores cenas deste novo capítulo.

Momento tenso nº 1: A cena inicial com o monstro se transformando em uma pessoa normal.

Momento tenso nº 2: Um personagem deixa algo cair no vaso sanitário e dá a descarga parecendo não se importar.

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Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

1 comment

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    Douglas Couto 2 agosto, 2014 at 21:50 Responder

    Bela observação sobre a questão dos sons, principalmente as batidas do coração, que é algo que Hannibal também usava muito bem pra mostrar o sentimento ou falta dele no caso dos psicopatas

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