The Strain – 01×05 – Runaways

mix.strain.105.

É muito bom quando uma série conserta em um episódio o que eu havia criticado na semana anterior. Depois do capítulo mais fraco, The Strain talvez tenha entregado o melhor episódio até aqui – lado a lado com o excepcional piloto. Runaways, dirigido por Peter Weller (sim, o Robocop original) e escrito por Gennifer Hutchison, explora com eficiência a mitologia da série e do material original além de avançar na história. É notável o grande passo que a série deu neste quinto capítulo. Para começar, o maior erro do episódio passado parece ter sido consertado; se na semana passada o roteiro estava mal divido entre os personagens principais e coadjuvantes, o que se viu em Runaways foi uma regularidade elogiável. Teve espaço para todos, principalmente para aqueles que importam dentro da trama. Personagens completamente esquecidos anteriormente, aparecem aqui. O obscuro Bolívar retorna e mostra o quão avançada está sua mutação. Além dele, Joan Luss surge como um strigoi ainda em estágios inicias de transformação. Isso não muda o fato, porém, de que ela é um perigo até mesmo para seus dois filhos.

Aqui está, aliás, outro ponto interessante da mitologia: já fora dito anteriormente e reforçado com clareza neste episódio, que os strigoi sempre retornam para encontrar e matar (ou transformar) quem mais amam, e eles não descansam até que os encontrem. Podemos ver isso com a garotinha que voltou inconscientemente à sua casa e atacou o próprio pai. Luss é outra que claramente sofre mais quando está perto de seus filhos. O monstro, levemente adormecido dentro de si, deseja se libertar cada vez que ela se aproxima das crianças. É um conceito que renderá bons momentos no futuro; é algo que envolve mistério, é assustador e ao mesmo tempo belo, posto em certa perspectiva.

Neste quinto episódio, também, fomos apresentados oficialmente ao termo strigoi (que você já conheceu com antecedência em uma das reviews já publicadas aqui no Mix). E ninguém melhor para explicar isso a Eph – e à audiência – do que Abraham Setrakian. O veterano esclarece os fatos para Eph e aproveita para contar um pouco de sua história, quando ainda era jovem e tentava sobreviver na Polônia tomada pelos nazistas. Foi nessa época, segundo ele, que encontrou pela primeira vez O Mestre, que se alimentava de prisioneiros de um campo de extermínio. A relação feita entre O Mestre e os nazistas é uma ideia interessante, vinda dos livros, e que funciona como boa alegoria histórica. Estes flashbacks, aliás, importantíssimos nos livros, não haviam surgido na série, mas parece que serão recorrentes daqui para frente. É neste mesmo flashback que vemos Eichorst, ainda humano, como um dos líderes nazistas. O que pode acontecer entre ele e Setrakian e O Mestre também promete bons momentos.

Continua após a publicidade

Tivemos, também, um pouco de Vasiliy Fet, que finalmente descobre os strigoi que vivem no mundo subterrâneo de Nova York. Ainda assim, é pouco tempo em tela para um personagem – e um ator – tão bom. Espero que isso seja ajustado em breve. De qualquer forma, são vários os elogios a se fazer para este episódio de The Strain. Tivemos um bom espaço para Setrakian e um tempo mínimo destinado a Dr. Nora insuportável Martinez, e isso é muito bom. Além da evolução na trama, que revelou vários pontos importantes para o público, tivemos evolução dos personagens. Eph parece querer entrar de vez na batalha contra os monstros, e a dupla que promete formar com Setrakian renderá boas cenas e mortes antológicas. É inevitável, portanto, que os dois encontrem Fet em breve, visto que o exterminador de pragas não fugirá de uma boa matança e limpeza geral na cidade. Jim Kent apareceu pouco e parece querer se redimir do erro que cometeu; seu envolvimento com Eichorst – e consequentemente com O Mestre -, porém, não envolve e não convence. Espero que os roteiristas pulem essa trama tola de uma vez e Kent possa ser realocado dentro da série.

Enfim, a Epidemia começou. A praga dos strigoi começa a se espalhar aos poucos pela cidade. Vimos o ataque de um infectado na casa de repouso da mãe de Martinez; ali, o monstro atacou mais de duas pessoas. Estas atacarão outras tantas e assim a epidemia tomará conta da cidade. Não tenho certeza acerca da escala de destruição e pandemia (nacional? Continental? Mundial?) da série; nos livros, a rapidez com que a população é transformada e a cidade e o pais começam a ruir é alarmante. O processo na TV talvez seja um pouco mais devagar, com uma destruição mais lenta tanto da população quando do lugar. O fato é que The Strain promete crescer muito em escala, e o nível de destruição pode chegar, a título de comparação, ao visto em The Walking Dead. Esperemos, porém, que The Strain não caia no marasmo da série de zumbis da AMC. Veremos as surpresas que The Strain tem na manga; se continuar como está, muita coisa boa vem por aí.

[Atenção] A primeira cena citada abaixo pode conter um spoiler sobre o que acontecerá em breve. Leia e analise a imagem por sua conta e risco. Não é nenhum spoiler grave, visto que o fato pode ser lido em diversas sinopses do livro e da série e em um promo do programa.

Cena curiosa nº 1: A cena final do episódio entrega uma valiosa pista sobre o que vai acontecer nos próximos episódios. Quem estava atento pôde encontrar um banner preso a um poste. Nele, podemos vez a imagem de um círculo negro e a palavra ECLIPSE escrita na lateral. Ora, quem leu os livros, algumas sinopses ou assistiu o primeiro promo da série, sabe que um eclipse está na história. E eu não preciso deixar claro o que acontece quando um eclipse ocorre durante o dia, certo? O eclipse é um evento muito aguardado na cidade e o banner parece um anúncio sobre o tal acontecimento. Confere a imagem abaixo com o banner circulado:

mix.strain.103.eclipse.

Cena curiosa nº 2: Finalmente Eph conta a história acerca do veículo que dirige pelas ruas de Nova York. Caso você nunca tenha percebido, o carro tem a direção do lado oposto ao padrão americano.

Cena curiosa nº 3: Enquanto Martinez conversa com sua mãe na casa de repouso podemos ver um espelho emoldurado em prata sobre a mesa. Conforme descobrimos minutos antes através das revelações de Setrakian, o reflexo de um strigoi vibra em um espelho de prata. Por um segundo, achei que a doutora pegaria o espelho e veria seu reflexo vibrando, revelando que estava infectada (quando Setrakian matou a garotinha e seu pai no episódio anterior, alguma larva ou gotícula do sangue branco dos monstros poderia ter entrado em contato com ela).

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

No comments

Add yours