The Strain – 01×08 – Creatures of the Night

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Creatures of the Night talvez seja o melhor episódio de The Strain até aqui. É curioso chegar a esta constatação pelo fato de o Piloto ter sido excelente e cada novo capítulo lançado parece o melhor que o anterior. Assim, a primeira temporada de The Strain encontra-se num crescimento de qualidade técnica e narrativa que raramente podemos ver em séries do gênero.

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O oitavo episódio é basicamente o clímax da primeira metade deste primeiro ano, e por este motivo trata de juntar todos os personagens principais em um só local em uma sacada genial dos roteiristas. O artifício (pessoas trancadas em um pequeno local se protegendo contra o perigo) já foi utilizado diversas vezes em variadas situações. A Noite do Mortos Vivos (original), Madrugada dos Mortos (o ótimo remake) e principalmente O Nevoeiro (baseado em um fantástico conto do mestre Stephen King), são apenas alguns bons exemplos que utilizaram a ideia. Durante a maior parte do capítulo, vemos os personagens lutando para sobreviver, pensando em uma forma de escapar dali e, principalmente, se conhecendo melhor. Nada melhor que tensão e perigo para revelar a verdadeira face da cada um.

Foi dentro daquele pequeno mercadinho que dois monstros – no bom sentido – se encontraram oficialmente para trocar frases e ações antológicas: Abraham Setrakian e Vasiliy Fet. Os melhores personagens da história finalmente dividem a cena e a espera valeu a pena. Setrakian e Fet têm muito em comum. Para começar, eles não são norte-americanos; além disso, ambos são homens solitários, frios e introspectivos. Outra característica em comum é o fato de ambos dizimarem pragas. Caso não fossem desconhecidos um para o outro, poderiam ser pai e filho.

Já Eph continua com seu ceticismo. Sempre preferindo o caminho lógico da ciência, Ephraim insiste em ser quase que um antagonista de Setrakian. Reforço que é uma pena os roteiristas seguirem por este caminho. Eph é, ao seu próprio modo, o protagonista de The Strain, ainda que, assim como Rick em The Walking Dead, seja ofuscado pelos coadjuvantes. Colocando-o contra o personagem mais querido do público (ou alguém duvida dos seguidores de Abraham?), os responsáveis pela trama acabam criando, sem querer, uma antipatia do público para com Eph. É essa postura questionadora e perturbante que já fez Nora ser rechaçada entre a audiência.

Creatures of the Night é, em resumo, o mais divertido, tenso e interessante episódio até aqui. Além de trazer ação à trama, o episódio une personagens e os desenvolve. Esta, aliás, é a grande qualidade da série: as coisas acontecem. Não há um episódio que possa ser jogado fora e considerado desnecessário. Sempre há algo de novo ocorrendo – seja no presente ou nos eficientes flashbacks envolvendo Setrakian no campo de extermínio –, e isso traz um dinamismo invejável ao programa. Detalhes importantes da mitologia são revelados aos poucos; os strigoi pensam em conjunto e suas mentes estão ligadas à mente do Mestre. É como uma grande rede neural que parece ficar mais eficiente a cada minuto. Para encerrar, temos a morte de Jim. Sean Astin é um ótimo ator, mas seu personagem estava perdendo o rumo há um bom tempo. Sua despedida, portanto, foi acertada.

Esperemos que The Strain continue assim. Neste ritmo, a série caminha para se tornar uma das melhores do ano.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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