The Strain – 01×09/10 – The Disappeared/Loved Ones

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Depois de uma vertiginosa caminhada rumo ao topo, The Strain tropeça e se encontra em seu pior momento. É claro que para uma série como esta, o “pior” momento ainda é muito bom, ainda que aquém do que esperamos a cada novo episódio. Os episódios nove e dez são os mais vazios e os que menos avançam na trama, e isso é normal em qualquer série. Todo programa tem um ou dois episódio que ficam abaixo da média. A última temporada de Breaking Bad, por exemplo, teve um episódio menor dentro dos oito capítulos lançados. Nada manchou a caminhada, porém. É o que acontece com The Strain; são episódios realmente mais fracos, mas não comprometem a narrativa.

O próprio livro que deu origem a esta primeira temporada encontra alguns empecilhos no início do terço final. A série, como uma adaptação fiel que é, acabou trazendo da versão literária o mesmo problema. Noturno começa de maneira fantástica e assim segue pelo segundo ato, deixando o ritmo cair no início do terceiro ato e recobrando a força antes do fim. Voltar a falar sobre os livros, aliás, é apropriado: ao que parece, todo o primeiro livro será adaptado ainda nessa primeira temporada, deixando o segundo ano exclusivamente para o segundo livro. Nesse ritmo, é possível que The Strain tenha apenas três temporadas, já que existem três livros. É possível, claro, que o segundo e o terceiro livros sejam divididos em duas partes, rendendo cinco ou mais temporadas, mas não vejo Guillermo Del Toro, Chuck Hogan e o canal FX apelando para o lado caça-níquel da televisão. Acredito realmente que a série será cancelada assim que não haver mais nada a ser contado, ou seja, sem enrolar e inserir tramas desnecessárias que não existem no material original, que são os livros.

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Uma qualidade interessante de The Strain é, também, seu defeito. Manter o foco nos personagens principais e mostrar o reflexo do caos nessas pessoas é uma excelente ideia. Desenvolver poucos personagens com propriedade é melhor do que ter inúmeros mal desenvolvidos. Dito isso, sinto falta de cenas que mostram o impacto dos acontecimentos de uma maneira mais ampla, ou seja, mostrando mais da cidade. Várias vezes a série dá a impressão de que apenas os protagonistas sabem da existência dos strigoi, e que o resto da população desconhece e nova ameaça. Não temos, portanto, a sensação de caos e apocalipse generalizado. É claro que o escopo do programa pode aumentar em episódios e temporadas futuras, mas seria bom ver, de vez em quando, o caos instaurado de forma mais abrangente.

O nono episódio, The Disappeared, serve para pouca coisa. Os acontecimentos mais importantes ocorrem durante os flashbacks: o primeiro é a fuga dos judeus do campo de extermínio e o segundo é, claro, a aparição explícita do Mestre. E me obrigo a comentar o visual do poderoso strigoi. Para começar, não gostei do rosto do Mestre. Sim, parece bobagem, mas o fato é que o visual do vampiro é estranho e não convence. Os olhos, extremamente vermelhos, são claramente digitais e às vezes incomodam pela artificialidade. O excesso de maquiagem também atrapalha, pois impede o ator de ter expressões mais detalhadas. É um visual arrebatador e aterrorizante, mas decepciona.

Para encerrar, o décimo capítulo, Loved Ones, é bem melhor que seu anterior. Focando na transformação de Kelly, esposa de Eph, a série vai dando os primeiros passos para transformar a mãe do pequeno Zach em uma das vilãs, já que os strigoi sempre acabam retornando para aqueles que mais amam (os loved ones do título). Kelly vira uma ameaça e Eph entra em um dilema: matar ou não a ex-mulher (que ainda ama!) e mãe de seu filho? São cenas para os próximos capítulos.

PS.: Não sei se mais alguém notou luzes e pontos vermelhos aparecendo, de vez em quando, durante o décimo episódio. Pode não ser nada, mas os círculos vermelhos lembram os chamativos olhos do Mestre.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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