The Walking Dead – 5×10 – Them

2
 

A quinta temporada chega ao seu décimo capítulo. E mais uma vez, é só uma caminhada sem fim, em direção a lugar nenhum. TWD precisa definitivamente de um fato novo, algo que movimente a trama. Já está ficando cansativo, não só pros personagens, mas pros telespectadores, e isso me faz temer pelo futuro da série. Os roteiristas parecem estar apenas enrolando, e não quero que um seriado que gosto tanto se pareça com um filme ruim que não vejo a hora de acabar.

Pois bem, depois desse breve desabafo, vamos falar sobre o episódio. E Them fala sobre esperança, fé e perseverança. Mostra como as personagens estão lidando com as recentes perdas de Beth e Tyreese, com foco principalmente em Maggie, Sasha e Daryl.

A irmã de Beth se mostra triste e abatida, com um conformismo absurdo e dá sinais claros que está desistindo de apenas continuar andando, na espera do próximo a morrer. E nisso há um interessante embate com padre Gabriel, que começa com ele se oferecendo pra ajudá-la a lidar com a dor e termina com os motivos que o levam a continuar se vestindo como padre, em meio ao caos total, fome e sede, indícios fortes da ausência de qualquer divindade olhando por eles. A realidade do pessimismo de Maggie é como um soco no estômago de Gabriel.

Continua após a publicidade

Sasha está à beira de um ataque de nervos. Parece uma bomba que vai explodir a qualquer momento. A agressividade é a forma que ela encontra de lidar com as mortes de seu namorado e de seu irmão, num intervalo de tempo tão pequeno. Isso coloca em perigo inclusive seus companheiros.

E Daryl lida à sua maneira, escondendo seus sentimentos. E são dele as melhores cenas do episódio. Tentando se manter ocupado pra não pensar muito na morte de Beth, ele vai atrás de água e comida, se mantendo alerta e trabalhando o tempo todo, claramente mascarando sua dor. Até que finalmente Daryl se permite sentir alguma coisa. A cena é emocionante, com ele se queimando com um cigarro e em seguida chorando copiosamente.

Interessante perceber que os três tem seus anjos da guarda, aqueles que os ajudam a manter a sanidade. O equilíbrio emocional de Maggie é Glenn. Já Michonne é a responsável por tentar impedir Sasha de surtar. E é Carol quem faz Daryl dar vazão a suas emoções.

Algumas cenas são emblemáticas, demonstrando qualidades na direção de Julius Ramsay, que poderia ser melhor aproveitada com um roteiro sem tantas “barrigas”: Destaco o take com os personagens exaustos, andando com os zumbis ao fundo, sendo bem difícil de distinguir quem ali são realmente os mortos-vivos. E o ataque dos cães, que se transformam no almoço do grupo. Ali, Padre Gabriel abdica de sua fé por um momento.

1A chuva começa a cair, renovando as energias de nossos heróis. Mas, como sempre, não dá pra comemorar muito. A chuva logo vai se transformar numa tempestade, e eles precisam de abrigo. Acham um celeiro, e nele é que Rick faz um discurso que culmina em uma das frases mais famosas das histórias em quadrinhos de “The Walking Dead“: “Nós somos os mortos-vivos”. Daryl não aceita a sentença, e na cena do ataque de zumbis ao celeiro, nosso redneck preferido se mostra um grande alicerce do grupo. A partir dele, todos retomam suas vontades de viver e continuar lutando. E apenas juntos são capazes de conseguir isso.

No fim, vemos que talvez eles não estejam tão sozinhos assim. Talvez algo maior esteja olhando por eles, afinal. A tempestade derrubou árvores, impediu zumbis de atacarem, mas deixou o celeiro intacto, como um verdadeiro milagre.

E como ninguém mais sabe tão bem o que Maggie está sentindo quanto Sasha, ambas vão juntas ver o nascer do sol e extravasar suas dores. E é nesse momento que surge Aaron, bem vestido, limpo e aparentemente bem alimentado, jurando ser alguém amigo. A caixinha de música que Carl presenteou Maggie volta a funcionar nesse momento, tocando uma música que talvez indique a volta da esperança.

Aaron é um importante personagem dos quadrinhos, e talvez seja o fato novo que coloque a série de volta aos trilhos. É torcer por episódios mais empolgantes e menos líricos.

Avatar

No comments

Add yours