2ª temporada de Dead City cria buraco para The Walking Dead e Rick

Dead City cria buraco na trama de The Walking Dead envolvendo Rick Grimes — e ele não faz sentido.

Resumo

A segunda temporada de The Walking Dead: Dead City estreou trazendo novas ameaças e reforçando o domínio da federação Nova Babilônia sobre o grupo dos Bricks, liderado por Maggie. Mas enquanto o spin-off tenta dar continuidade à jornada de Maggie e Negan, ele acaba levantando uma questão incômoda para os fãs mais atentos: onde está Rick Grimes em meio a tudo isso?

Depois de sua aguardada volta em The Ones Who Live, Rick reapareceu como peça central na luta contra a CRM e, ao lado de Michonne, mostrou que ainda tem influência e aliados poderosos. O problema é que Dead City se passa anos após os eventos da série de Rick, e mesmo com esse tempo decorrido, a história ignora completamente sua presença — algo que acaba criando um enorme buraco de roteiro.

Rick permitiria que Maggie fosse dominada?

De acordo com Dead City, a Nova Babilônia cortou as rotas de comércio da comunidade dos Bricks, isolando o grupo de Maggie e forçando-os a se submeterem à federação. Ainda que essa trama traga tensão e drama para o spin-off, ela esbarra em uma grande inconsistência: Rick, Alexandria, a Commonwealth e todos os outros aliados simplesmente “permitiram” que isso acontecesse?

Historicamente, Rick sempre protegeu seus aliados, e Maggie é uma das suas maiores parceiras de longa data. É improvável, para não dizer impossível, que ele ou qualquer um dos líderes da Commonwealth ignorassem o fato de uma comunidade amiga ter sido tomada à força, especialmente por um grupo autoritário como Nova Babilônia.

Mesmo que a distância geográfica entre os Bricks e as outras comunidades fosse um fator, a queda nas trocas comerciais já seria motivo suficiente para levantar suspeitas e provocar alguma investigação. A ausência total de qualquer iniciativa nesse sentido não condiz com a postura protetora dos personagens principais da franquia.

The Walking Dead Rick Grimes morreu
Imagem: Divulgação.

A falta de coesão entre os spin-offs de The Walking Dead

Esse problema escancara uma questão estrutural que vem incomodando os fãs de The Walking Dead: a falta de coesão entre os spin-offs. Embora Dead City, The Ones Who Live, Daryl Dixon e Fear the Walking Dead compartilhem o mesmo universo, as séries parecem existir em linhas paralelas, onde eventos importantes de uma não afetam ou sequer são mencionados nas outras.

Em Dead City, por exemplo, não há qualquer citação a Rick, Daryl ou à situação de Alexandria e Commonwealth, como se Maggie e Negan vivessem em um universo alternativo. Isso enfraquece o impacto de suas histórias e afasta os personagens das tramas mais amplas e importantes da franquia. Se o universo de The Walking Dead quer ser coeso e envolvente, precisa começar a costurar melhor seus eventos e consequências.

A Nova Babilônia nem é tão ameaçadora assim

Outro ponto que torna o buraco de roteiro ainda mais evidente é a própria ameaça da Nova Babilônia. Embora sejam retratados como uma federação autoritária, com métodos brutais e conscrição forçada, eles não chegam perto do poderio que Rick e seus aliados enfrentaram anteriormente. Governadores, Salvadores, CRM… todos foram inimigos muito mais perigosos — e derrotados.

A Commonwealth, sozinha, já tem uma população de cerca de 50 mil pessoas. Se aliada a Alexandria, Oceanside e possivelmente com apoio de tecnologia militar da CRM, não haveria razão para temer Nova Babilônia. Na verdade, um movimento coordenado de Rick e seus aliados poderia desmantelar facilmente a federação — o que torna ainda mais estranho o fato de eles não terem intervindo na queda dos Bricks.



Qual a explicação possível?

É claro que podemos imaginar justificativas fora das telas: talvez Alexandria e a Commonwealth estejam enfrentando seus próprios problemas, lidando com uma nova ameaça ou reorganizando os danos causados pela CRM. Talvez Rick e Michonne estejam ocupados demais lidando com represálias ou tentando reconstruir o que sobrou.

Mas enquanto Dead City não apresentar uma explicação concreta, a impressão será de que a série simplesmente ignorou uma parte essencial do universo que ela mesma pertence. E para os fãs que acompanham todos os spin-offs e investem nessa mitologia há anos, essa falta de integração enfraquece toda a narrativa.

Um problema que a franquia de The Walking Dead precisa resolver

Se The Walking Dead deseja seguir relevante, precisa parar de tratar seus spin-offs como séries desconectadas. O público já viu demais para aceitar que Rick Grimes deixaria Maggie à mercê de um novo grupo autoritário sem mover um dedo. O universo compartilhado é uma das maiores forças da franquia — mas só se os eventos realmente conversarem entre si.

Por enquanto, Dead City segue sendo uma série de potencial desperdiçado, marcada por decisões de roteiro que ignoram a lógica e o legado de seus personagens. E até que os produtores se disponham a alinhar essas histórias, a pergunta seguirá ecoando entre os fãs: onde está Rick Grimes quando Maggie mais precisa?



2ª temporada de Dead City cria buraco para The Walking Dead e Rick
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.