A segunda temporada de The Walking Dead: Dead City estreou tentando provar que ainda há gás (ou zumbis) para queimar nessa franquia interminável — mas o episódio 2×01 faz exatamente o contrário.
Intitulado “Who’s There?”, o capítulo parece existir apenas para manter Negan em cena, jogando-o em uma trama cada vez mais sem pé nem cabeça, repleta de situações absurdas, vilões caricatos e decisões de roteiro que desafiam qualquer lógica mínima.
Abertura surreal e desafios ridículos
A cena inicial de The Walking Dead: Dead City 2×01 já dá o tom: Maggie leva o jovem Hershel Jr. para caçar… usando uma faquinha de arremesso. Sim, uma daquelas usadas para acertar alvos em feiras. A ideia de caçar cervos com esse tipo de arma é tão ridícula que beira o cômico. A sequência não apenas quebra a verossimilhança como reforça a sensação de que os roteiristas jogam ideias ao vento sem muita preocupação com coerência.
Depois disso, Maggie se vê envolvida em um teste de “aptidão” proposto pelos líderes da Nova Babilônia, que querem saber se ela vale por “vinte pessoas”. A resposta? Colocá-la dentro de um cercado com uma dúzia de zumbis e ver se ela sobrevive.
O mais absurdo? Ela aceita. Ao seu lado, Ginny, a adolescente protegida por Negan na temporada passada, também se joga na arena improvisada. Por que alguém colocaria sua peça-chave numa missão suicida antes dela sequer começar? Porque Dead City prefere ação tola a desenvolvimento de trama.
De volta a Nova York, com Negan e zumbis gladiadores
Enquanto isso em The Walking Dead: Dead City, Negan reaparece preso há um ano pelas forças da Dama — aquela vilã megalomaníaca da temporada anterior. Agora, ele é chantageado com ameaças à sua família e obrigado a tentar unir as facções de criminosos nova-iorquinos para enfrentar o exército da Nova Babilônia.
E é nesse cenário que presenciamos uma das cenas mais inacreditáveis da série: uma luta entre zumbis armados em uma arena de apostas. Isso mesmo. Mortos-vivos com armaduras e espinhos duelando como se tivessem consciência. Ninguém explica como isso é possível — e não é. É só mais um exemplo de como a série abraçou o absurdo.
Negan tenta convencer dois grupos distintos a se unirem: um composto por homens usando peitorais metálicos e outro com um visual propositalmente mais “desleixado”, como se fossem figurantes de um Mad Max com menos orçamento. Para isso, ele ganha um novo “bastão Lucille”, agora com um botão de choque acoplado. Uma arma de destruição personalizada, mas… menos mortal. Por quê? Porque até Negan parece mais domesticado agora, e isso não faz sentido algum vindo do Croata, um personagem tão insano quanto imprevisível.


O melodrama de Maggie e a repetição sem fim
Se Negan ainda consegue entreter graças ao carisma de Jeffrey Dean Morgan, Maggie (Lauren Cohan) continua presa em um looping de drama forçado em The Walking Dead: Dead City. Sua cena com Hershel Jr., pedindo que ele fique em vez de ir para Nova York, é pura novela exagerada. E tudo isso é agravado pelo sotaque da personagem, que se intensifica nas cenas mais dramáticas.
Mas o maior problema de The Walking Dead: Dead City 2×01 não são as atuações ou os diálogos expositivos. É a absoluta estagnação narrativa. Mais uma vez, a série joga o público em uma guerra entre facções — grupos sem profundidade, motivações rasas e estéticas que beiram o cosplay. Nada avança. Ninguém evolui. Os conflitos se repetem sem consequências reais, como se estivéssemos assistindo à mesma história recontada em cenários diferentes com personagens reciclados.
Conclusão: The Walking Dead: Dead City tem um retorno que não precisava acontecer
Se havia alguma esperança de que a segunda temporada de Dead City fosse reinventar o spinoff ou ao menos explorar novas possibilidades dentro do universo de The Walking Dead, ela foi enterrada neste episódio. The Walking Dead: Dead City 2×01 oferece ação sem impacto, drama sem alma e uma trama que parece se esforçar para ser levada a sério mesmo quando tudo beira o risível.
A pergunta que fica é: por que ainda estamos assistindo isso? A resposta, para muitos, talvez seja apenas uma — Negan. E mesmo assim, nem todo o charme de Jeffrey Dean Morgan consegue salvar uma série que já começou repetitiva, agora tropeça no ridículo, e parece não saber como parar.