The White Lotus: sátira e mistério na nova e ótima minissérie da HBO Max

The White Lotus

The White Lotus é uma interessante mistura de Os Descendentes com Agatha Christie e todos os absurdos que só a HBO permite. Sendo uma comédia dramática (ou um drama cômico?), a nova minissérie do canal chega na promessa de debochar da elite norte-americana enquanto estuda, despretensiosamente, as relações entre os ricos e a classe operária. Numa espécie de Downton Abbey havaiana, The White Lotus une humor e mistério para contar uma história simples e direta, mas que jamais deixa de envolver.

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Na trama, acompanhamos várias pessoas que chegam a um resort de luxo no Havaí. No local, uma equipe dedicada de funcionários tenta manter tudo no lugar, mesmo que nada pareça funcionar. No cenário, um casal rico fica nervoso frente a possibilidade de um câncer nos testículos do marido. Outro casal, recém-casado, lamenta que seu quarto de luxo não tenha uma piscina própria. Já outra ricaça só quer uma massagem e acha que pode monopolizar a atenção da massagista para saciar suas necessidades. No outro lado da moeda, uma funcionária entra em trabalho de parto de um bebê que até então escondia.

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Falsos problemas da elite branca viram deboche em The White Lotus

Por muito pouco, The White Noise não tropeça no problema do white people problem. Os problemas de gente branca, que nunca são realmente problemas, aliás, rendem boas histórias, mas não criam conexão com o público. Ao fazer seus personagens de chacota, a minissérie ri do próprio neoliberalismo norte-americano. Note que enquanto a família discute a inocência e importância de Hilary Clinton, uma funcionária passa por poucas e boas dando a luz ao seu bebê. Já o gerente, se vê nervoso frente às demandas cada vez maiores e mais constantes. São pessoas alheias ou totalmente despreocupadas com política e discussões fúteis de jantar.

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Em um momento, o pai de um jovem lamenta que os garotos de hoje em dia não podem se divertir e não têm liberdade. O rapaz logo percebe a raiz da fala do pai: o sujeito apenas acha ruim que, hoje, os limites estão mais claros e assediar mulheres não é tão fácil quanto antes. É o mesmo homem que, em uma vida vazia, acaba encontrando problemas e doença onde não tem. Neste aspecto, vale apontar, a atuação de Steve Zahn é ótima. O ator, aliás, vem merecendo atenção e dando interessantes passos na carreira. Sua participação em Planeta dos Macacos: A Guerra, por exemplo, é impecável.

Ozark Spoiler Alert

Cenário paradisíaco é local de risos, mentiras e dramas

Criada por Mike White (Enlightened, Escola de Rock), The White Lotus tem assunto de sobra para os seis capítulos de sua temporada. Seu roteiro, acima de tudo, quer divertir. Entre uma risada e outra, alguns temas saltam na tela, pedindo para serem discutidos. O texto, contudo, não é panfletário, tampouco deixa claro suas intenções. É inegável, entretanto, que White quer, aqui e ali, pintar um retrato da sociedade norte-americana que, de certa forma, levou Trump ao poder.

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Não deixa de ser irônico, portanto, que a história se passe no dito paraíso, como o Havaí sempre é retratado. O local, afinal, não muda caráter, tampouco destino. Não importa se são praias paradisíacas ou uma potência mundial: o preço de uma vida vazia e egoísta chega com juros e cobrando altas dívidas de todos ao redor. Com isso, é válido apontar o papel do gerente do resort: um homem branco que apenas acha que tem poder e se mostra preocupadíssimo em agradar a uma elite tola. No fim, não tem nada e não controla nada, mas recebe toda a negatividade de uma classe que não se preocupa com seus interesses.

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Quem é você em The White Lotus?

Com seis episódios lançados semanalmente na HBO e na HBO Max, The White Lotus pode ser um relativo sucesso de público. Sua junção de sátira e mistério podem render ótimos momentos, e sua mensagem pode reverberar com força caso a audiência esteja disposta a ouvir. Com excelente elenco e ótimo valor de produção, The White Lotus é mais relevante e interessante do que podemos imaginar. Basta olhar para si e se posicionar na batalha de classes do falso paraíso.

Nota: 4/5