Desde sua estreia em 2019, The Witcher prometia se tornar uma das maiores franquias da Netflix. Com base na popular série de livros de Andrzej Sapkowski e impulsionado pelo sucesso dos jogos da CD Projekt Red, o seriado estrelado por Henry Cavill como Geralt de Rívia tinha tudo para dominar o mundo da fantasia televisiva. No entanto, apesar de alguns episódios memoráveis e uma base fiel de fãs, The Witcher ainda luta para agradar público e crítica — algo que outras adaptações da própria Netflix têm conseguido com mais facilidade.
Com um índice de aprovação de 80% pela crítica no Rotten Tomatoes, mas apenas 54% do público, a série demonstra um desequilíbrio entre expectativa e entrega. Parte das críticas mais frequentes vêm de fãs dos livros e dos jogos, que consideram a série “infiel” às origens. Nem mesmo o criador da saga literária escapou de demonstrar descontentamento. Ainda assim, a falta de fidelidade não é, por si só, um problema — como demonstram os sucessos Castlevania e Arcane.
Adaptações de franquias consagradas

Ambas as produções também são adaptações de franquias consagradas. Castlevania, baseada na clássica série de jogos da Konami, optou por seguir um caminho próprio. Em vez de copiar literalmente os enredos dos games, a animação criou uma narrativa consistente, centrada em personagens complexos como Trevor Belmont e Drácula, e uma ambientação rica em simbolismo gótico. O resultado? Um impressionante 94% de aprovação crítica e 89% do público. Já Castlevania: Nocturne, spin-off lançado recentemente, alcançou 98% de aprovação entre os críticos.
Outro exemplo é Arcane, baseada em League of Legends, que conquistou audiência e crítica ao criar um universo coeso e emocionalmente envolvente. A série expandiu a mitologia do jogo sem se prender a detalhes cronológicos, focando em relações pessoais e dilemas sociais — um caminho que a transformou em uma das animações mais aclamadas da Netflix.
The Witcher, por outro lado, parece ter tentado agradar a todos ao mesmo tempo: fãs dos livros, fãs dos jogos, e novos espectadores. O resultado foi uma mistura nem sempre harmoniosa, com decisões narrativas que confundem o tom e enfraquecem a lógica interna do mundo apresentado. Além disso, a saída de Henry Cavill no papel principal — substituído por Liam Hemsworth a partir da quarta temporada — levanta incertezas sobre o futuro da série.
4ª Temporada de The Witcher é a chance de salvação
Mas nem tudo está perdido. O anúncio de que The Witcher 4, novo jogo da franquia, terá Ciri como protagonista, pode inspirar a série a focar mais na jovem personagem vivida por Freya Allan, buscando um arco de crescimento mais definido e emocional. Se os roteiristas conseguirem centralizar a narrativa em torno de personagens fortes e arcos consistentes, a série ainda pode se recuperar — como mostra o sucesso de outras adaptações que tomaram liberdades criativas sem perder a autenticidade.
O exemplo de Castlevania é claro: fidelidade não é garantia de qualidade, e liberdade criativa bem usada pode ser a chave para o sucesso. O que o público busca, no fim das contas, é uma história envolvente, bem contada e com personagens memoráveis. Se The Witcher conseguir aprender com os acertos de seus “irmãos” na plataforma, talvez ainda haja tempo para a série cumprir o destino épico que tanto prometeu.