A quarta temporada de The Witcher, da Netflix, reacendeu um debate que há tempos divide os fãs: a série perdeu a essência com a saída de Henry Cavill, ou o problema começou antes disso? A verdade é que, embora o ator tenha se tornado o rosto mais marcante de Geralt de Rívia, a produção já vinha se desgastando muito antes de sua despedida.
Um começo promissor para The Witcher
Quando estreou na Netflix em 2019, The Witcher parecia ter tudo para ser o Game of Thrones da Netflix. A primeira temporada, ainda que confusa pela narrativa não linear, foi bem recebida pelo público e apresentou um universo rico, repleto de monstros, magia e moralidade cinzenta.
Henry Cavill entregava um Geralt carismático e físico, enquanto Anya Chalotra (Yennefer) e Freya Allan (Ciri) completavam um trio de protagonistas com química e potencial. A série equilibrava ação, fantasia e drama com uma boa dose de humor ácido, algo que conquistou fãs que queriam uma adaptação fiel aos livros de Andrzej Sapkowski.

O ponto de virada: a 2ª temporada
Mas o que começou como um sucesso, desandou rápido. A segunda temporada, lançada em 2021, marcou o início dos problemas que ainda hoje ecoam na produção.
Mesmo com uma melhora técnica, inclundo figurinos, efeitos visuais e coreografias mais elaboradas, o roteiro começou a se afastar perigosamente do material original. O maior erro foi o tratamento dado a Yennefer, que passou de personagem complexa e poderosa para uma mulher que, sem poderes, decide entregar Ciri a uma entidade sombria em troca da própria magia.
Essa escolha narrativa transformou Yennefer em uma quase vilã e desfez a principal promessa da série: construir a relação de afeto e confiança entre Geralt, Ciri e Yennefer que era o coração da história nos livros.
O público percebeu. Apesar da boa nota da crítica especializada, a recepção dos fãs despencou. No Rotten Tomatoes, enquanto a 1ª temporada teve 88% de aprovação do público, a 2ª caiu para 54%.

O efeito dominó nas temporadas seguintes
Os erros da segunda temporada tiveram consequências diretas nas seguintes. A 3ª tentou reparar os danos e aproximar a série dos livros, mostrando a formação da “família” de Geralt, Yennefer e Ciri. Mas o desenvolvimento soou apressado e forçado. Era como se o roteiro tentasse, em poucos episódios, reconstruir o elo que havia sido quebrado.
Quando Yennefer chama Ciri de “minha filha” pela primeira vez, o momento que deveria ser emocionante parece gratuito, sem a base emocional necessária. E foi nesse clima de desconexão narrativa que Henry Cavill anunciou sua saída, após constantes divergências criativas com os produtores.
Liam Hemsworth herdou uma série em crise

A chegada de Liam Hemsworth como o novo Geralt na 4ª temporada poderia ter sido o início de uma nova fase — e, de certo modo, até foi. O ator entregou uma performance sólida, e o roteiro mostrou avanços na coerência com os livros. Ainda assim, o estrago já estava feito.
Os fãs não conseguiram se reconectar emocionalmente com a série, e as críticas, embora reconheçam melhorias narrativas, apontam que o encanto se perdeu há tempos. The Witcher “cavou a própria cova” na 2ª temporada, e nem mesmo uma abordagem mais fiel conseguiu recuperar o impacto original.
O que deu errado em The Witcher
O maior erro da série foi subestimar seu próprio público. Ao alterar personagens e arcos centrais dos livros, a produção perdeu a consistência do universo e afastou justamente os fãs mais fiéis, que são os mesmos que sustentaram o hype da estreia.
Além disso, The Witcher sofreu com problemas de ritmo e foco. Em vez de explorar a relação entre seus protagonistas, a série se perdeu em subtramas políticas, criaturas esquecíveis e vilões genéricos. Quando tentou recuperar o fôlego, o público já tinha desistido.
Ainda há esperança para The Witcher?
Com a 5ª temporada já confirmada como a última, The Witcher terá a missão de encerrar sua jornada de forma digna. A melhor saída, segundo críticos e fãs, é retornar às origens: seguir fielmente os romances, deixar de lado as tramas inventadas e dar a Geralt, Ciri e Yennefer o desfecho emocional que eles merecem.
Liam Hemsworth mostrou potencial, mas agora depende de um roteiro que honre o legado. Não apenas o de Cavill, mas o da própria saga que inspirou a série.