Timeless e as séries de viagem no tempo

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Os produtores e roteiristas parecem ter descoberto pra valer as histórias de viagens no tempo. Eles estão tão destinados a criar histórias do tipo, que está nascendo um novo subgênero na TV. São tantos programas sobre viagem no tempo e derivados, que logo ali teremos um nicho especial para eles. É claro que esse papo todo não é novo, ao contrário, vários shows dedicaram toda a sua trajetória ou ao menos um arco ou episódio para essas brincadeiras com o tempo: idas e vindas, paradoxos, dobras, etc. O fato é viagens no tempo são divertidíssimas e rendem muitas histórias legais. Por mais que o tema já tenha sido usado e reutilizado no cinema e na TV, sempre há espaço para se criar algo novo.

Alguns clichês contudo, já se consolidaram. A viagem inocente ao passado que causa uma mudança absurda no futuro, por exemplo, parece obrigação nos roteiros. Não voltar duas vezes ao mesmo período ou ir a um momento em que você já exista, parece outra convenção bem firme no esquema. Timeless reaquece essas regras e as insere em um contexto bacana, ainda que batido. Na trama, um homem rouba uma máquina do tempo e foge para o passado. Um grupo é chamado para perseguir o sujeito através de um protótipo da mesma máquina. O pessoal vai ao mesmo período no passado e lá tenta deter o ladrão. Não demora para se descobrir que o bandido quer mudar o futuro e destruir toda a nação. Os perseguidores, então, irão a todos os pontos no tempo para impedi-lo.

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Não é a mais original das ideias, certo? Legends of Tomorrow tem uma trama semelhante. O que conta a favor de Timeless é sua produção caprichada, o elenco bem afiado e o roteiro descompromissado, decidido apenas em contar uma boa história. Os bons efeitos visuais e a direção de arte já chamam atenção na primeira cena, quando vemos um enorme dirigível explodir durante e voo e despencar do céu sob uma plateia assustada. É o primeiro acontecimento histórico com que a série brinca. E é um decisão acertada: os roteiristas fazem bem ao não escolher um evento muito conhecido ou de grande escala, e preferem algo menor, num grau mais local e específico. Com isso, eles começam bem no caminho das mudanças na linha temporal e seus eventuais paradoxos.

Boas ideias é o que se espera de uma dupla de criadores tão distinta como Eric Kripke e Shawn Ryan. E se digo distinta, não é pelo talento (que ele também têm), mas sim pelo perfil de cada um: enquanto Kripke é criador de uma das séries mais populares da história recente, Supernatural, Ryan é o chefe de algumas joias cult como The Shield e Mad Dogs. Os dois se reúnem justamente para criar um híbridos de seus estilos: algo popular e escapista que é, ao mesmo tempo, sério e focado. O resultado é positivo, mas as suspeitas de plágio e os clichês exacerbados podem prejudicar. Timeless, além de reciclar várias ideias já trabalhadas no audiovisual, ainda é acusada de copiar diversos pontos de uma série espanhola.

Há tempo e espaço para tantas séries sobre viagem no tempo e espaço?

Viagem no tempo é um tema que percorre os séculos. Desde os primeiros passos da literatura, os autores já imaginavam como seria andar pela linha do tempo assim como se caminha por um lugar no espaço. Com o tempo, as coisas foram se tornando mais complexas. Escritores foram inserindo cada vez mais ideias mirabolantes e a ciência e a lógica começaram a pesar. Décadas e décadas se passaram e a viagem temporal segue absurdamente interessante, com um gás enorme para queimar.

Prova disso é a quantidade de programas sobre o assunto que tomaram e tomam a TV de assalto atualmente. Além de Timeless, nessa fall season temos Frequency, que acompanha dois personagens em épocas diferentes conversando entre si. O que um faz no passado, com influência de seu contato no futuro, altera o rumo dos acontecimentos. Em breve, teremos Time After Time, que acompanha o jovem H.G. Wells se aventurando pela história com sua máquina do tempo. E as coisas não param por aí: ainda temos a pouco conhecida El Ministerio del Tiempo, série espanhola que gerou o processo de plágio contra Timeless, e Flash, que em sua terceira temporada aborda o clássico arco de viagem no tempo do super-herói.

E ainda temos 12 Monkeys, Legends of Tomorrow, 11.22.63, Continuum e por aí vai. A maioria dessas séries deu e ainda dá certo, mas há espaço para novas investidas? Sim. Na verdade sempre há espaço para tudo que é ideia, o grande fator decisivo é: há interesse por isso? No tocante às séries de viagem no tempo, por enquanto, o público se interessa e vai atrás. Há de se ter cuidado, é claro, no excesso. Hoje em dia, tudo que dá certo é repetido à exaustão. Não é à toa que remakes, reboots e continuações tem congestionado a programação televisiva. É moda agora, por exemplo, ressuscitar séries já finalizadas. Full House, Prison Break, Gilmore Girls e outras estão recebendo revivais, o que ironicamente prova que todos gostam de voltar ao passado. Só que nem sempre vale a pena.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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