Veterano das novelas e dono de personagens inesquecíveis, Tony Ramos retorna ao horário nobre da TV Globo em Dona de Mim com um papel que promete emocionar e provocar reflexões.
Durante coletiva de imprensa, o ator conversou com Anderson Narciso, do Mix de Séries, e falou com entusiasmo sobre Abel Boaz, seu novo personagem. Presidente de uma tradicional empresa familiar, Abel carrega fantasmas do passado, vive conflitos internos e enfrenta as tensões do presente com uma postura contida, porém intensa.
“É um homem em constante batalha com ele mesmo”, resume Tony, destacando o tema do etarismo como um dos grandes fios condutores da história.
Um personagem contido, em constante transformação
Abel Boaz é o atual presidente de uma tradicional marca de lingerie sediada em São Cristóvão, Zona Norte do Rio. Em meio a pressões familiares, dilemas emocionais e desafios empresariais, ele vive uma jornada intensa de autoconhecimento. “É um homem que está sempre tentando sair da casca do ovo, mas não abre a porteira inteira. Ele pula um pouco de lado, se esquiva, é muito amoroso com a mãe, um grande pai, mas tem muito medo de se revelar por completo”, descreve Tony.
O ator contou que Abel foi moldado por tragédias passadas e vive o peso de decisões impostas: “Ele passou por momentos sérios na vida, e em um deles foi salvo por uma funcionária da própria empresa. Isso cria um elo emocional forte com essa criança que ele registrou como filha”.
Abel é pai da pequena Sofia, uma das herdeiras da família Boaz, e vive um embate emocional com a nova babá da menina, Leona (Clara Moneke), protagonista da trama.

Etarismo, poder e poesia em Dona de Mim
O personagem de Tony também é atravessado por questões como o etarismo e a disputa pelo comando familiar. “Ele é estimulado pela mãe (vivida por Suely Franco) a cumprir o desejo do pai, que era vê-lo como presidente da empresa. Mas isso gera um atrito enorme com o irmão mais novo, mais preparado academicamente, que se sente alijado. É uma briga sobre poder, sobre o material, mas também sobre identidade”, reflete o ator.
Mesmo imerso nas obrigações da presidência, Abel cultiva um lado sensível e poético. “Ele achava que seria poeta, que publicaria um livro. Não foi o que aconteceu, mas continua lendo poesia, recita naturalmente para a filha, para a mãe, para os filhos. É alguém que tem o lirismo preso dentro dele, escondido entre reuniões e cifras”, revela.
Um amor dividido e o peso do passado
Outro eixo central do personagem é o seu novo relacionamento, marcado por dilemas e sentimentos não resolvidos. “A nova mulher pergunta da antiga, e ele responde: ‘esqueça a antiga’. Mas há uma dor ali. Ele quer viver esse novo amor, mas ainda carrega o velho. É essa luta constante entre o que ele é e o que ele poderia ter sido”, confidencia Tony.
Com o talento e a profundidade que o consagraram ao longo de décadas na TV, Tony Ramos traz à vida em Dona de Mim um homem que, mesmo acostumado ao poder e à rotina, continua sendo atravessado por dúvidas, perdas e desejos. “O Abel é um homem em disputa consigo mesmo. E isso é o mais fascinante em interpretá-lo.”
Sobre Dona de Mim
Criada por Rosane Svartman com direção artística de Allan Fiterman, Dona de Mim aposta em uma trama popular, com a leveza que marca a autora, mas sem abrir mão de temas complexos como maternidade, feminismo, racismo, luto e etarismo. Clara Moneke vive Leona, a jovem protagonista que encontra no amor à pequena Sofia e no trabalho na mansão dos Boaz a chance de reescrever sua própria história.
“Essa novela fala de mulheres que querem tomar as rédeas de suas vidas. O título Dona de Mim é exatamente sobre isso”, reforçou Svartman.
A nova novela das nove promete ser um divisor de águas nas tramas contemporâneas da Globo — com uma história envolvente, personagens densos e um elenco afiado, Dona de Mim quer conquistar o coração do público com emoção, humor e verdade. E, com Tony Ramos como uma das âncoras da história, já é seguro dizer: vem coisa boa por aí.