A nova série Tremembé, do Prime Video, chegou nesta sexta-feira (31) prometendo ser uma das produções mais impactantes do ano. Inspirada em casos reais e nos livros do jornalista Ulisses Campbell, a trama recria o cotidiano da penitenciária feminina de Tremembé — conhecida como “a prisão dos famosos” — onde estiveram Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, Anna Jatobá e Alexandre Nardoni.
Mas afinal, o que é verdade sobre Suzane na série?
O retrato de uma das criminosas mais conhecidas do Brasil
Na produção, Marina Ruy Barbosa interpreta Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais em 2002 — um dos crimes mais chocantes da história recente do país. A atriz revelou em entrevista à Banda B que precisou se distanciar emocionalmente para encarar o papel.
“O mais difícil foi me livrar dos meus julgamentos pessoais. A Suzane é uma personagem fria, calculista, manipuladora e estrategista. Eu precisava ter essa frieza como régua do meu trabalho”, contou Marina.
A série mostra Suzane já cumprindo pena em Tremembé, lidando com outras detentas e com a hierarquia interna da prisão. A personagem aparece como alguém que tenta manter o controle emocional e manipular situações para sobreviver dentro do presídio — um reflexo fiel da imagem pública de Suzane, construída ao longo dos anos de sua detenção.
Baseada em fatos, mas sem romantização
Embora tenha um toque ficcional, Tremembé é baseada em histórias reais e utiliza como referência os livros “Suzane: Assassina e Manipuladora” e “Elize Matsunaga: A mulher que esquartejou o marido”, ambos escritos por Ulisses Campbell, que também assina o roteiro ao lado de Vera Egito.
Marina destacou que o objetivo da série não é defender nem humanizar Suzane, e sim mostrar o que acontece após o crime:
“Tremembé não busca glamourizar ou romantizar. É um true crime sobre o pós-crime — sobre as relações dentro da prisão, o jogo de poder e as hierarquias entre as detentas.”
A atriz também revelou que a equipe conversou com egressas reais do sistema prisional, inclusive com mulheres que passaram pelo próprio Tremembé, para trazer autenticidade às cenas e ao comportamento das presas.
A Suzane de Tremembé: entre a manipulação e a frieza

Na série, Suzane é retratada de forma complexa e contraditória. Ela alterna momentos de vulnerabilidade com demonstrações de controle e manipulação, refletindo a imagem pública construída em torno de sua figura real.
Marina explica que precisou de precisão e distanciamento emocional para representar essa ambiguidade:
“Eu precisava estar fria como a personagem. Calcular cada passo, cada olhar, cada palavra. Era um trabalho de precisão, sem julgamento.”
A produção também explora o cotidiano da penitenciária com humor ácido e ironia, mostrando as disputas de poder e a convivência tensa entre detentas de diferentes origens — algo que, segundo Marina, foi inspirado em relatos verdadeiros de mulheres que viveram no presídio.
O que é real e o que é ficção
• Real: Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, Anna Jatobá e Alexandre Nardoni realmente cumpriram pena em Tremembé, presídio de segurança máxima em São Paulo.
• Baseado em fatos: As histórias e perfis das personagens são inspirados em casos verídicos documentados por Ulisses Campbell.
• Ficção: Os diálogos, interações e parte da trama dentro da prisão foram criados para fins narrativos, explorando o “pós-crime” de forma dramatizada.
Uma nova abordagem para o true crime brasileiro
Com direção de Vera Egito e produção da Paranoid, Tremembé busca romper o tabu sobre o sistema prisional feminino no Brasil. Marina Ruy Barbosa, que também assina a produção associada, acredita que a série inaugura uma nova fase no audiovisual nacional:
“Tem o humor ácido, a tensão e uma linguagem que ainda não tínhamos visto no Brasil nesse gênero. É sobre o que acontece depois do crime — algo que nunca foi mostrado com essa profundidade.”
A Suzane de Tremembé é uma versão ficcional, mas profundamente ancorada na realidade. A série não pretende recontar o crime, e sim mostrar o que vem depois, dentro das paredes de uma prisão que virou símbolo do sistema penal brasileiro.
Com isso, o Prime Video entrega uma produção que provoca, incomoda e convida o público a olhar de perto — e sem ilusões — para o que acontece com quem vive o lado mais sombrio da Justiça.