Um dos momentos mais emblemáticos da trajetória midiática de Suzane von Richthofen – e da série Tremembé – foi sua entrevista com Gugu Liberato, exibida em 2015.
A conversa, transmitida em rede nacional, foi cercada de polêmica e curiosidade: era a segunda vez que o público via Suzane falando abertamente sobre o assassinato dos próprios pais, cometido em 2002, crime que chocou o Brasil e virou símbolo de brutalidade e manipulação.
Anos depois, esse episódio foi revisitado na série Tremembé, da Prime Video, que transformou o acontecimento real em uma poderosa cena sobre o impacto da exposição pública na vida de Suzane e na forma como a sociedade passou a enxergá-la.
Como foi a entrevista original com Gugu?
Na entrevista original, Gugu recebeu Suzane em um ambiente controlado, após autorização judicial. De aparência calma e controlada, ela respondeu a perguntas sobre arrependimento, amor e sua relação com Daniel Cravinhos, seu então namorado e cúmplice no crime.
O tom da entrevista oscilava entre o jornalístico, o sensacionalista e o absoluto absurdo (as roupas usadas pelas presas, a vaidade de Suzane, etc.).
Tudo refletindo o fascínio mórbido do público pela história. Suzane, ao falar de forma fria e calculada, reforçou a percepção de muitos telespectadores de que ela era manipuladora — uma mulher capaz de arquitetar um dos crimes mais chocantes da história recente do país.
Confira uma comparação:
Como a entrevista é retratada pela série Tremembé

Na série Tremembé, o episódio é recriado com intensidade dramática e uma abordagem mais crítica. A personagem inspirada em Suzane, interpretada por Marina Ruy Barbosa, é mostrada enfrentando os bastidores da gravação.
A cena vai além da simples reconstituição e questiona até que ponto a mídia contribuiu para transformar Suzane em um espetáculo. É um dos momentos mais fortes da temporada, evidenciando como a exposição pública se misturou ao julgamento moral e à exploração comercial do caso.
A produção também mostra como, dentro do presídio, a entrevista afetou a relação da personagem com as demais detentas. Enquanto algumas a veem como celebridade, outras a tratam com desconfiança e desprezo. Essa tensão reflete o que aconteceu fora das telas: após a entrevista, Suzane tornou-se uma figura amplamente conhecida, mas também estigmatizada. Além disso, a conversa com o apresentador rendeu brigas severas no presídio.
Ao revisitar o encontro entre Suzane e Gugu, Tremembé não apenas relembra um momento histórico da televisão brasileira, mas também provoca uma reflexão sobre a ética do sensacionalismo e o poder da mídia em moldar narrativas de crime e castigo.