Mais de uma década após o assassinato do empresário Marcos Kitano Matsunaga, o nome de Elize Matsunaga ainda desperta curiosidade e controvérsia. Principalmente agora, com o lançamento da série Tremembé. Condenada em 2016 a 19 anos e 11 meses de prisão — pena depois reduzida para 16 anos e 3 meses —, ela obteve liberdade condicional em 2022 e tenta, desde então, reconstruir sua vida no interior de São Paulo.
Nova vida em Franca
Atualmente com 44 anos, Elize vive em Franca, onde mantém uma rotina reservada e cumpre as regras do regime aberto. Entre as exigências estão manter endereço fixo, trabalhar e não deixar a cidade sem autorização judicial.
Logo após deixar o presídio de Tremembé, ela chegou a trabalhar como motorista de aplicativo, mas desistiu da função por causa da grande exposição e das críticas que recebeu. Hoje, dedica-se à confecção de roupas e acessórios para animais de estimação, uma atividade que realiza em casa, longe dos holofotes.
Distância da filha e desafios emocionais

A maior dor da nova fase de Elize é o afastamento da filha, hoje com 15 anos, criada pelos avós paternos desde o crime. A jovem não tem contato com a mãe e, por decisão judicial, poderá decidir se deseja vê-la apenas quando atingir a maioridade.
Elize tenta manter algum vínculo por meio de ações judiciais, mas até o momento não obteve autorização para visitas ou comunicações diretas. O silêncio forçado entre mãe e filha reflete o impacto duradouro de um crime que destruiu duas famílias e chocou o país.
Repercussão e retrato nas telas
O caso voltou ao centro das atenções com o lançamento da série documental Elize Matsunaga: Era uma vez um crime, da Netflix, em 2021. Na produção, a própria Elize deu seu primeiro depoimento público, narrando sua versão dos fatos e admitindo arrependimento.
O documentário explora a complexidade de sua personalidade — ora fria, ora vulnerável — e as contradições que marcaram sua trajetória, desde o relacionamento abusivo com Marcos até o desfecho trágico do caso.
Desde então, Elize evita entrevistas e tenta viver de maneira anônima. Mesmo longe das manchetes, seu nome permanece ligado a um dos episódios mais emblemáticos da crônica policial brasileira. Em 2025, ela segue em liberdade condicional, buscando um recomeço discreto, mas ainda carregando o peso de um passado que o país não esqueceu. Agora, seu nome e seu crime voltam aos holofotes com o sucesso de Tremembé.