True Blood – 07×05/06/07 – Lost Cause/Karma/May Be the Last Time

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Cara True Blood,

Nossa relação é longa. Nos conhecemos quando você estava em sua segunda temporada e, de lá pra cá, muita coisa aconteceu. Nossa relação, assim como todas as outras, era linda no início. Seus episódios eram excelentes, seus roteiros intrigantes e suas reviravoltas enlouqueciam qualquer um. No bom sentido, claro. Ah, tempo bom. Quanta história. Naquela época você já ensaiava as bobagens e papagaiadas que viria explicitar no futuro, mas deixei isso de lado. Todo o resto compensava. Para que me preocupar com algumas tramas bestas se o restante era agradável?

Ah, naquela época era tudo agradável. Você era competente e eu estava feliz com isso. Durante as duas primeiras temporadas nos encontrávamos quase que todos os dias, às vezes duas vezes ao dia, episódio atrás de episódio. A partir do terceiro ano começamos a nos encontrar uma vez por semana. Era um tanto ruim, já que você, True Blood, era viciante; mas não deixei me abalar e continuei investindo em nossa relação. Durante a quarta temporada nossos encontros continuavam espaçados entre um e outro e começaram a ficar cada vez mais sem graça. Aquele sentimento inicial, aquela coisa de início de relação estava sumindo.

Normal. Acontece quase sempre.

Mas aí você começou a abusar da minha paciência. Uma vez por semana, doze vezes por ano. E nada compensava. Fadas e até panteras se infiltraram na história e a situação foi ficando bem feia. O que você estava fazendo maltratando todos daquela forma? Você não tinha pena? Era um jogo? Se era ou não, sei que era triste. O que era tão bonito e viciante se tornou feio e chato. Na quinta e sexta temporada chegamos naquele momento perigoso de qualquer relação: permanecer juntos por respeito e pela história que nos precedia. Tendo primeiros anos tão belos, por que te abandonar? Permaneci junto a ti, esperando que as coisas melhorassem.

Não melhoraram.

Até agora. Na sétima temporada.

O primeiro e segundo episódios até que foram fracos, com o mal das temporadas anteriores ainda presente; mas a partir do terceiro capítulo as coisas foram melhorando. O quarto episódio fora surpreendente, o melhor até aqui. Desde então você parece ter recobrado a consciência e tem voltado a boa forma. Um pouco tarde, é verdade. Você não precisava ter entregado três temporadas ruins para, no último minuto, na última chance, conceber um ano digno. Não é uma maravilha, e também não se compara à sua Era de Ouro, mas faz valer a pena os últimos anos de sofrimento que me fizeste passar.

 

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O quinto episódio, apesar de correr o risco de ser ofuscado pela qualidade do capítulo anterior, se mostrou coerente e deu uma boa continuação aos importantes eventos mostrados anteriormente. É bem verdade que fazer um festa depois de acontecimentos tão violentos e tristes não faz muito sentido, mas isso não importa tanto. A festa na casa de Sookie foi uma boa ideia para reunir todos os personagens em um ponto importante e definidor da trama. As peças do jogo de ajeitam e o final se avizinha. Um tempo importante é gasto com subtramas inúteis, como o namorado de Jessica que resolve se entregar aos amores de Lafayette. De resto, o episódio foi importante por colocar o possível ponto final no drama de Sookie envolvendo a morte de Alcide. Bola pra frente. A vida e a série continuam.

O sexto episódio, com fôlego retomado, não é um primor, mas ainda assim é um bom capítulo. Vemos Bill descobrindo que sua hep-V é diferente da normal, avançando de um estágio a outro numa rapidez inacreditável. Acompanhamos, também, o fato de que Sarah Newlin, ou Noomi, é a cura. Ainda assim, a cura parece estar muito mais longe de Bill do que de Eric.

Aliás, vamos falar sobre possibilidades: acredito que Eric consiga se curar e que Bill não, morrendo no penúltimo ou último episódio. Por que digo isso? Bem, nos últimos episódios temos acompanhado seguidamente flashbacks que contam a história de Bill ainda humano, durante a guerra civil americana. Todas essas cenas aproximam o personagem do público, e qualquer espectador que tenha assistido um bom número de séries e filmes sabe que quando um personagem começa a ficar muito bonzinho ou se aproximar do público, ele vai morrer. E isso pode acontece com Bill; sua doença avança cada vez mais e me parece que ele é o típico anti-heroi romântico que nada, nada e nada e morre na praia, no final de seu percurso.

Ao final do sétimo episódio, por exemplo, vemos Sookie se entregando ao amor de seu primeiro amado. Vampiro Bill e Fada Sookie ficam juntos mais uma vez e numa ótima e irônica decisão dos produtores a cena é seguida pela música “May be the last time”, que encerra o episódio. Se é realmente a última vez do casal, eu não sei. Assim como diz a canção: “This may be the last time, I don’t know…”. A humanização do personagem, sua doença, aproximação com a audiência e seu retorno aos braços de Sookie podem ser uma boa antecipação de sua morte.

Teorias. De qualquer modo, caminhamos para os três últimos episódios.

Nossos três últimos encontros.

Nos vemos na próxima.

Att,

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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