True Blood – 07×08/09 – Almost Home/Love is to Die

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True Blood, em seus episódios finais, apenas resume tudo o que aconteceu durante a última temporada: são capítulos interessantes, com tramas relativamente boas e uma porção de ideias que não funcionam. É basicamente o que aconteceu durante todos os últimos anos da série. Sabe quando chamamos algo de “morno”? Pois é. True Blood deixou de ser quente, ter novidades e relevância há um bom tempo. Não é uma série ruim – e o texto de despedida que escrevi para a série pode ser lido aqui –, mas é triste acompanhar os momentos derradeiros de uma longa história e perceber que tudo vai ficar ali, naquele “chove não molha” frustrante.

Afirmei em reviews anteriores que Bill morreria. Muita gente falou – e escreveu – internet afora que isso não aconteceria e que Bill Compton, personagem importante e central, não veria seu fim. Pois já posso dizer que estou certo? O que vimos nos capítulos oito e nove prova que o Vampiro Bill parece estar pegando um caminho sem volta. Ele está decidido a morrer e ninguém, nem mesmo Sookie, pode fazê-lo mudar da ideia. Essa decisão surpreendente e um tanto exagerada de Compton é interessante e faz sentido por um lado, mas soa absurda e ilógica por outro. Entendemos que Sookie e ele não terão um futuro “tradicional” pela frente. Para começar, os dois não terão filhos; além disso, Bill é um ser eterno e Sookie é mortal. Tendo em vista que a coisa mais importante em sua vida é a fada e eles não terão um bom futuro juntos, é aceitável que ele queira morrer. Por outro lado é uma ideia absurda e mal desenvolvida do ponto de vista narrativo. Ora, por que Bill teve essa ideia agora? Devido à visão que teve de um bebê sem rosto no colo de Sookie? Acho que não. Ele já sabia que sua união com Stackhouse não renderia frutos. Ele quis morrer porque estava doente e se sentia mais humano? Estava cansado de viver tanto tempo? É a explicação mais aceitável, mas se ele realmente queria privar sua amada de dor e perigo, poderia ter se matado na primeira temporada.

O que mais assombra, portanto, é esse descuido dos roteiristas para inserir novas tramas e encerar antigas histórias. Os pensamentos conflituosos de Bill poderiam ter sido desenvolvidos durante toda a temporada, mas apareceram apenas no final, convenientemente aliados à doença. Sua inevitável morte, portanto, parece apenas um pretexto para tirar o personagem de história, liberando o caminho para Sookie ficar sozinha ou com qualquer outro sujeito. É uma decisão covarde e preguiçosa que já havia acabado com um personagem importante dentro da série: Alcide, limado da história apenas porque os escritores criaram uma situação para si que não poderiam consertar de maneira satisfatória. A saída? Matar o personagem de qualquer jeito e tocar em frente.

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Alguns pontos funcionaram, é verdade, mas as coisas parecem se atropelar e amontoar nesta reta final. Hoyt e uma namorada surgem do nada e viram importantes de repente; o encerramento da trama envolvendo Tara é estúpido. Repetirei a palavra, pois a raiva acerca dessa história é grande: estúpido. True Blood gastou um tempo precioso de seus dez episódios finais com Tara – que sempre foi uma inútil -, sua mãe e Lafayette, um grande personagem relegado ao segundo plano e a uma trama ridícula como essa. Todas aquelas visões e aquela palhaçada envolvendo o espírito de Tara que eles criaram foram feitas para chegar nesse encerramento medíocre? Uma pena.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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