Twin Peaks – 3×02 – The Return – Part II

Imagem: Showtime/ Divulgação

“Só sei que nada sei.” (Sócrates)

Definitivamente, Twin Peaks não é aquela série em que teremos todas as respostas prontas e mastigadas como a maioria das séries fazem. É nesse sentido que ela foi tão inovadora na época e ainda é até hoje. Essa part II nos levou à mente insana e doida de David Lynch: não entendemos tanta coisa e não obtivemos nenhuma resposta às pontas soltas deixadas, mas é justamente por isso que amamos e veneramos Twin Peaks ao ponto de elegê-la como a série que modificou a forma de se fazer TV.

AAAAAAAAAA QUE HINO É THE BLACK LODGE! Sério, como não amar esse lugar, onde não entendemos nada, mas amamos tudo? Enfim, voltando. Pelo o que entendi, Cooper original permanece por lá durante esses 25 anos e ele e Laura se reencontraram 25 anos depois, idade exata da última conversa que eles tiveram no The Black LodgeTanto é que Cooper/Bob sabe que ele deve retornar lá agora, mas, logicamente, ele não quer.

Enquanto Dale Cooper continua no The Black Lodge, o seu doppelganger, ou seja, sua réplica, continua perambulando por aí. Não está tão claro se Bob está ligado ao assassinato da Ruth, mas para mim, está, pois ele conhecia a Phyllis, esposa do Bill que era amante da Ruth. Em minha opinião, Cooper possuído pelo espírito de Bob a matou. No entanto, temos duas outras enigmas:

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1) As últimas as impressões digitais obtidas do apartamento de Ruth foram do Bill. Como isso é possível, se ele mesmo diz que sonhou que estava na casa dela? Se ele só sonhou, ele não esteve por lá. A não ser que Phyllis tenha usado uma luva e se isso realmente aconteceu, explica o assassinato na casa da amante de Bill;

2) De onde Phyllis conhece Bob? Eles pareciam ter bastante intimidade. Ela já era amante do George, advogado de seu esposo. Será que ela também tinha um affair com Bob e este ajudou Phyllis a matar a amante de seu marido por vingança? É provável de que não teremos essas respostas tão rapidamente ou, se tivermos, será através de enigmas.

Esse Part II foi bastante nostálgica para os fãs de Twin Peaks. Primeiro que o The Black Lodge reapareceu com os personagens e diálogos mais bizarros do que nunca e, segundo, houve a reaparição de James, Bobby e Shelly no bar. Ainda por cima a banda Chromatics cantando, o que acrescentou o clima de nostalgia, porque sempre quando o episódio se encerrava no bar de Twin Peaks, sempre havia a participação de alguma banda. Ainda por cima tivemos nessa cena a aparição da Shelly, Bob e James. Foi maravilhoso esse reencontro, e queremos mais participações destes personagens ícones.

Sinceramente, a cena do Dale Cooper no The Black Lodge foi bastante insana. Aliás, todas as cenas relacionadas ao Balck Lodge não fazem o menor sentido e não foi diferente nesta. Agora se passaram 25 anos e Cooper “saiu” de lá e foi direto para caixa de vidro que apareceu no primeiro episódio. Esta caixa me remeteu ao mito da Caixa de Pandora, isto é, o jarro criado por Zeus que continha as mazelas do mundo e esta foi aberta pela Pandora que acabou espalhando essas tais mazelas como ciúme, o ódio, mentira, etc. Quando o espírito saiu dessa caixa de vidro, acabou matando o casal que se encontrava dentro daquela sala. Seria esse espírito o Cooper? Seria uma forma de punição a eles, o casal, por serem curiosos para descobrirem o que havia dentro daquela caixa? Talvez não teremos todas as respostas, afinal, isso é Twin Peaks!

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Daniele Duarte

Daniele Duarte

Carioca da gema, amante de literatura clássica. Machado de Assis é o seu autor favorito. O tríade de melhores séries são Six Feet Under, Breaking Bad e Sherlock . Séries inglesas também faz parte da sua grade de séries. Ela é a pessoa que chora rios com a series finale de SFU.

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