Twin Peaks – 3×08 – The Return, Part 8

Imagem: Showtime/Divulgação

Sem a menor sombra de dúvidas, essa será a review mais difícil de escrever da minha vida…

Conforme disse na review anterior, Twin Peaks não tem a menor pretensão de explicar de forma detalhada os mistérios da série, mas, sim, de que eles seriam revelados aos poucos. E foi isso o que o oitavo episódio nos fez: explicou os tais mistérios de toda a mitologia da série, ou seja, como surgiu o Black Lodge e porquê esse lugar é tão ruim. É bom frisar, em primeiro lugar, que todas as teorias de que dissertarei são opiniões minhas e, portanto, podem variar.

Bom… o que falar sobre um episódio desses? É difícil, porque há múltiplas interpretações sobre essa segunda parte do episódio e o pior: é capaz delas estarem corretas. As sequências foram ao mesmo tempo lógicas e ilógicas. Quando afirmo que são lógicas, são devido ao fato de haver cenas contendo início, meio e fim, muito embora elas sejam de uma maneira não muito entendível para muita gente. Se prestarmos atenção, as cenas contam desde a fundação do Black Lodge através da bomba, passando pela forma como essa criação foi feita e até a explicação de onde veio o Bob.

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Tivemos também a inserção da Laura Palmer que é mais do que uma moradora de Twin Peaks: sua história está atrelada à cidade e, portanto, é uma peça fundamental para deter o Bob ao lado do Dale Cooper. Além disso, foi neste lugarzinho no meio do nada onde Twin Peaks nasceu e junto com ele o Black Lodge.

Os seus primeiros moradores já apresentavam comportamentos excêntricos. Por que eles desmaiaram com o ouvir do mendigo? Aliás, em minha opinião, esse mendigo foi a primeira pessoa a ser possuída pelo Bob. Desde o início, alguma coisa estranha pairava sobre aquele lugar e tudo parecia suspeito. Portanto, essas cenas foram bem subjetivas, cabendo a cada telespectador a sua própria interpretação. Não há aqui certo e errado.

Sempre que assistia a Twin Peaks me perguntava sobre o porquê do Black Lodge e mais ainda: o motivo dele ser nessa cidade tão pacata. Acontece que o Lodge foi fundado lá devido a uma bomba na época da Segunda Guerra e, se pararmos para pensar, faz todo o sentido, um lugar maligno, ser derivado de uma bomba que causa tantas mortes e desastres onde passa. No Black Lodge, habitam espíritos dos ex-moradores de Twin Peaks assim como o Bob.

Posso afirmar que assistir essa sequência de cenas não foi uma experiência tão agradável, pelo contrário: elas me causaram bastante desconforto, principalmente na cena do inseto. O desconhecido nos causa pânico e medo por justamente não conhecermos tão bem com o que estamos lidando e é este o propósito de Lynch: nos tirar da zona de conforto a fim de colocarmos diante de uma realidade desconhecida e convidarmos a viajar junto com os devaneios dele.

A primeira parte do episódio tratou de narrar o retorno de Bob às ruas após a fuga da prisão. Junto com Ray, Bob foge da prisão, mas é surpreendido pelo seu colega: esse seu amigo do crime tenta matar o falso Cooper. No entanto, não consegue. Sinceramente quando vi o Ray apertando o gatilho para tentar matar o Bob, eu sabia que não iria obter sucesso. Agora, o que foram aqueles espíritos ao redor dele? Eu entendi como os espíritos que servem ao Bob e se encontram no Black Lodge. Eles o ajudaram a sobreviver.

Twin Peaks é, por fim, uma obra prima da TV, uma joia rara que ousa trazer um episódio tão difícil de assistir e entender. Numa época de séries de TV narrar os eventos de forma tão mastigada e detalhada, causando nenhuma dúvida no telespectador, a série vem na contramão do que as séries atuais propõem e só por isso já merece aplausos.

Tags Twin Peaks
Daniele Duarte

Daniele Duarte

Carioca da gema, amante de literatura clássica. Machado de Assis é o seu autor favorito. O tríade de melhores séries são Six Feet Under, Breaking Bad e Sherlock . Séries inglesas também faz parte da sua grade de séries. Ela é a pessoa que chora rios com a series finale de SFU.

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