Twin Peaks – 3×14 – The Return, Part 14

Imagem: Showtime/Divulgação

Continua após as recomendações

“Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”. Essa citação vinda de “Hamlet, O Príncipe da Dinamarca”, de William Shakesperare, resume um pouco o que foi esse episódio – que inevitavelmente se alinhou com o episódio oito dessa temporada. Quantas vezes a gente já não refletiu sobre o que existe do outo lado ou até mesmo já chegou a discutir sobre situações totalmente misteriosas, cujas explicações não podem ser obtidas seguindo a lógica? Quantas vezes também a gente se assustou com esses mistérios e ficamos perplexos tentando procurar a razão para aquilo ter ocorrido? Geralmente, tais eventos não tem uma explicação lógica, mesmo assim procuramos por uma explicação e, então, partimos para uma explicação usando a religião como prisma, por exemplo. Portanto, fomos levados ao extremo do bizarro e do surreal quando Andy se encontrou com o fireman e com Sarah Palmer matando o cara no bar. Então, minha gente, não adianta procurar sentido onde não há.

Twin Peaks nos desafia a assistir essas cenas sem ficar querendo procurar explicação para tudo. Vivemos num mundo onde suplicamos pelo imediatismo e as histórias ou situações de vida têm que ter alguma explicação plausível. Entretanto, Twin Peaks caminha pelo lado oposto e deixa a cargo do telespectador tentar entender essas cenas mais ocultas. Na minha visão, quando nós assistimos as sequências do Black Lodge e o fireman, somos nós mesmos que traremos sentido a elas. Assim sendo, não há uma explicação definida, pois cada um terá a sua própria explicação que pode ser diferente do outro. Às vezes nem achamos uma explicação para elas e está tudo bem desse jeito.

Continua após a publicidade

O episódio 14 deu uma guinada nessa temporada, que cá entre nós, estava bem morta. Já vinha criticando esta temporada nas minhas reviews anteriores, dissertando que a história não andava e ficava, portanto, estagnada. Por conseguinte, os personagens não tinham um desenvolvimento e isso causava essa tal estagnação na série. No entanto, esse episódio evoluiu e bastante na história logo no início, quando Gordon liga para Lucy. Foi tão bom! Remeteu-me à temporada antiga e trouxe uma nostalgia boa. Logo depois, Frank afirma para Gordon sobre o diário de Laura Palmer achado no banheiro e que revelava a existência de 2 Coopers e isso corroborou para a investigação do desaparecimento de Dale Cooper.

Diane também deu o ar de sua graça aqui. Sem a menor sombra de dúvidas, eles tiveram um romance que não deu certo e o término foi conturbado. Tanto que para ela lembrar do último encontro com o Cooper foi difícil de lembrar por conta dessa ódio que ela carrega dele. Enfim, do interrogatório que Gordon e Albert fizeram com ela, descobrimos que a Janey, esposa de Dougie Jones, é irmã de Diane. Com essa revelação, acredito que o reencontro pode estar cada vez mais próximo. Aliás, o episódio 14 avançou bem nas investigações sobre o Dale Cooper.

Como disse no início: esse episódio teve uma conexão com o episódio 8. Assim como Dale, Andy também conheceu o fireman e Andy, quando retornou a Twin Peaks, voltou mudado. A impressão que eu tive foi de que ele voltou mais maduro. Na conversa com o fireman, vimos a foto de Laura passando ao lado de anjos, simbolizando que ela era um ser angelical. O porquê o Andy ter sido escolhido nunca saberemos, mas, o meu palpite seria de que entre todos aqueles policiais, o Andy era o mais inocente e por isso foi escolhido. Claro, isso é um palpite meu, que não pode condizer com a verdade. Além disso, aliado a atmosfera oculta de Twin Peaks, temos a Sarah Palmer, mãe de Laura, que matou um homem e assim como sua filha também tem ligação com o Black Lodge. Vale lembrar que o pai de Laura, Leland foi quem matou sua filha, quando este estava possuído pelo Bob.

Tags Twin Peaks
Daniele Duarte

Daniele Duarte

Carioca da gema, amante de literatura clássica. Machado de Assis é o seu autor favorito. O tríade de melhores séries são Six Feet Under, Breaking Bad e Sherlock . Séries inglesas também faz parte da sua grade de séries. Ela é a pessoa que chora rios com a series finale de SFU.

No comments

Add yours