Um balanço da summer season 2016

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Imagem: Mix de Séries

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Fim de agosto, fim de summer season. Em breve, a fall chega e com ela um mar de séries novas promete congestionar a grade dos seriadores. Antes, precisamos sentar e conversar, fazer um balanço da summer que se finda. Costumeiramente deixada de lado, vista como um período fraco, a temporada de verão americana merece mais respeito. Nos último anos, essa época do ano tem trazido cada vez mais e mais séries de qualidade, seja na TV aberta ou fechada. O período, antes de ser de descanso, é de experimentação, e isso se prova se compararmos o ano passado com este.

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Foi na summer que a Netflix lançou duas de suas séries mais ambiciosas: Sense8 em 2015 e Stranger Things em 2016. O canal USA é outro que ousa durante os meses do verão; ano passado, a emissora lançou duas joias, UnREAL e Mr. Robot. Este ano, foi a vez de Queen of the South. E a ousadia continua firme em vários canais: Zoo, Wayward Pines, Aquarius antes; Outcast, BainDead, Roadies agora. Por ser um espaço reservado para estes lançamentos mais arriscados, convencionou-se na imprensa e no público a ideia de que o verão é um tempo para deixar a TV de lado. Entre os fãs de séries, a brincadeira é sempre a mesma: summer é a melhor oportunidade de colocar séries em dia e maratonar programas antigos.

O grande coringa dessa história é a velha audiência. O verão americano é um período de menor audiência na TV norte-americana. É por isso que os grandes canais da TV aberta lançam poucas coisas e, quando lançam, são títulos menores. Ninguém quer colocar no ar seus principais títulos em uma época de pouco público e, consequentemente, pouco dinheiro. E não é preciso muito esforço para perceber isso: veja o calendário de estreias da summer e perceba que os melhores projetos são aqueles veiculados em canais que não se importam tanto com audiência. Não entenda mal, pois todos os canais e executivos se importam com o sucesso de público, mas é inegável que, para algumas empresas, há outras coisas em jogo. Note que a Netflix e o canal USA são dois dos melhores exemplos disso; ambos os veículos não dependem e não se preocupam tanto com o “ibope”. E são justamente estes canais que lançam os melhores títulos

Imagem: Vulture

Imagem: Vulture

É sintomático, portanto, que os grandes canais abertos não consigam vingar tantos programas nesse período, pois nãoarriscam e não colocam grande títulos na programação. Assim, as séries logo são canceladas. Quando fazem sucesso, há dois caminhos: ou são renovadas e perdem a força no segundo ano (Wayward Pines) ou são movidas para outro período do ano, de maior audiência e retorno financeiro. Note, também, que os canais gostam de lançar minisséries com chances de renovação na summer season. Se não der certo, acaba rápido; se der certo, é renovada e vira série. Além de Pines e Aquarius em 2015 temos BrainDead, The Night Of, Dead of Summer em 2016. Todas foram escritas com temporadas isoladas, com arcos completos, com chances de continuação. É a típica aposta segura que os canais adoram fazer.

O bom, o mau e o feio

Comparando a summer de 2016 com a de 2015, temos um bom equilíbrio, sendo impossível definir qual a melhor. Em uma análise mais aprofundada, podemos chegar à conclusão de que o verão passado trouxe alguns projetos mais interessantes. Ainda assim, o verão recente trouxe alguns programas que merecem atenção e respeito e ao menos dois shows que podem ser considerados como uns dos melhores do ano. Stranger Things, da Netflix, e The Night Of, da HBO, saltam como as melhores estreias da temporada.

O interessante é que tanto Stranger quanto Night podem ser consideradas melhores do que qualquer série lançada na summer season de 2015. Ainda que tenhamos Mr. Robot, UnREAL e Sense8 defendendo o ano passado, nenhuma delas teve o respaldo unânime e inquestionável de público e crítica. Embora Robot tenha sido sucesso entre os especialistas, não foi um estouro de público. Sense8 fez sucesso com a audiência, mas dividiu a crítica. Stranger Things é um fenômeno absoluto, e The Night Of é um drama com selo HBO que há muito não se via. Juntas, elas representam o que houve de melhor na summer 2016.

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Imagem: arquivo pessoal

Em 2015, neste mesmo período, as séries que não eram boas, eram ruins. Não havia um meio termo, projetos interessantes que mereciam ser assistidos mesmo não sendo grandes obras. É algo que 2016, felizmente, garantiu. Outcast, Roadies, Wrecked e The Get Down são quatro exemplos de shows que não são excelentes, mas valem uma chance. Outcast começou como uma grande promessa que perdeu uma parcela do fôlego com o tempo; ainda assim, a série de Kirkman fez bonito ao tentar levar um horror mais incisivo às telas. Roadies chegou cercada de expectativa ao redor dos nomes de Cameron Crowe e seu brilhante elenco. A crítica reprovou, o público anda indeciso e o futuro é incerto. De todo modo, Roadies é uma dramédia bacana, com personagens interessantes e muito música boa. Já Wrecked é uma comédia interessantíssima e subestimada da TBS que merece uma visita. O roteiro é rasteiro, mas as piadas são garantidas.

Para encerrar, The Get Down estreia cercada de polêmicas: reconhecidamente uma das séries mais caras da histórias, The Get Down surgiu na Netflix picotada, pela metade. Ao invés de ser lançada na íntegra, o show teve apenas seis episódios disponibilizados na plataforma, pois os seis capítulos finais não ficaram prontos. Este claramente não é um bom sinal. Além do orçamento inflado, alguns problemas na produção começam a aparecer na imprensa estrangeira, que aponta desavenças e certo ressentimento de Baz Luhrmann, criador do projeto, que classificou a empreitada como a mais complicada de sua carreira. O resultado final agrada, mas os problemas internos parecem realmente ter influenciado a qualidade técnica e narrativa do show. É bom, mas a impressão é de que poderia ter sido bem melhor.

De decepção vale apontar apenas BrainDead, dos criadores de The Good Wife. Com roteiro pouco inspirado e elenco mal aproveitado, o show desperdiça uma ideia interessante e uma crítica social e política válida. Felizmente, apenas BrainDead, dentre as séries que poderiam agradar, decepcionou. Como um todo, o saldo da summer é positivo e faz com que pensemos: a temporada de verão é tão importante quanto qualquer outra.

3 comentários

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  1. Avatar
    Guilherme 21 agosto, 2016 at 22:46 Responder

    Eu super discordo sobre Braindead, é uma das minhas séries favoritas desse ano e achei uma grande surpresa, lendo a sinopse parece até brincadeira mas a série funciona muito bem e tem aquele estilo dos Kings que faz matar a saudade de TGW.

  2. Avatar
    Juk 21 agosto, 2016 at 16:50 Responder

    BrainDead é ótima. Engraçada, um ótimo anteriormente, uma boa sátira da política, gosto dos atores e da direção, e sem contar o estilo trash da série que me agrada muito. Uma das melhores séries da midseason.

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