Sobre Game of Thrones: Um (novo) inimigo para distrair

Imagem/Montagem: Capturas de Tela/HBO (Reprodução)

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Agora que estamos avançando na sétima temporada de Game of Thrones, nem mesmo os nossos Editoriais estão a salvo do poder do Inverno. E, aproveitando uma questão que circulou a internet desde a exibição de “Stormborn”, segundo episódio desta excelente temporada – cuja review você pode conferir aqui –, não poderíamos deixar a oportunidade para discutir algumas coisas.

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Não me entendam mal. Esta será uma aventura rápida e sem muitos cortes. Já falamos sobre vilões e como eles tem o potencial para ser o je ne sais quoi para toda e qualquer trama. Contudo, colocar essa aplicação na ponta do lápis quando o assunto é Game of Thrones, é bem complicado. Afinal, via de regra, todos podem ser (e são!) vilões a sua maneira na série.

Mesmo assim, tem se consagrado o uso de um certo sadismo para assegurar que estejamos olhando sempre na direção errada, para garantir que toda a trama do jogo dos tronos nos choque quando essa trama rouba de volta para si o foco. Vimos isso acontecer com Joffrey, que deixou de ser meramente uma criança mimada coroada para angariar o ódio de legiões de fãs. Vimos isso acontecer com Ramsey Bolton, e todos nós comemoramos quando Sansa conseguiu transformá-lo em ração – literalmente. E agora… agora Euron Greyjoy se apresenta para trazer a agressividade das Ilhas de Ferro da maneira mais graficamente agressiva possível para a trama.

E nesse ponto eu talvez já tenha perdido alguns leitores e, com certeza, irritado alguns fãs. Então, vou deixar os meios termos e colocar tudo da maneira mais simples possível. Afinal, não há grandes revelações aqui. São constatações simples que todo mundo provavelmente já fez.

Game of Thrones é, antes de tudo, sobre o Trono de Ferro. Seja pela espada, força ou dragões, ou simplesmente pelas canções de alguns passarinhos, é o controle de Westeros. Mesmo soterrado em meio aos problemas com os White Walkers e com a possível não sobrevivência da raça humana, é o jogo dos tronos que realmente nos entretém. Ironicamente, cada vez que essa discussão, que esse adensamento político toma conta da trama, a série se abre para correr um risco que já avançamos demais para correr.

Agora que estamos num momento em que as profecias estão na mesa e que o primeiro sangue da guerra pelo controle – notem, não pelo destino – de Westeros já foi derramado no mar, muitas grandes batalhas estão em ordem, e grandes movimentos políticos são demandados, as expectativas sobre o que a série vai nos entregar parecem se limitar. Eis aí que entra o chaotic evil e simplesmente quebra a estabilidade dessa expectativa.

Um lose cannon, um anarquista só pelo exercício do anarquismo… para aludir ao mestre Nolan, “alguém que só quer ver o mundo queimar”, sem alianças a ninguém, sem se preocupar com absolutamente nada além de existir, e claro, angariar nossa atenção – e ódio – são esses personagens que formam a grande cortina, um desvio de nossa atenção para que a política possa entrar no domínio do não-dito, resurgindo apenas para as grandes tomadas de poder, para os exercícios de vilania, liderança ou uma nova estruturação.

Então sim, não vamos economizar o ódio por Euron Greyjoy. O novo Rei do Sal e da Rocha decididamente tem um papel a desempenhar. Afinal, todo mundo precisa de um bom side plot – e quanto o assunto é Game of Thrones, quanto mais agressivo for esse side plot, melhor. E agora que as Serpentes da Areia e a toda poderosa Olenna Tyrell já não tem mais tanto poder para desviar a atenção e Daenerys, Cersei e Jon Snow estão tomando suas decisões para lutar suas guerras, resta Euron Greyjoy para desfazer as tramas, para garantir mais uma dose da melhor variável da série: a desordem premeditada. Essa desordem é abertura para muito.

Onde estaríamos se Joffrey, em um de seus surtos, não tivesse decapitado Ned Stark? Se ele não tivesse torturado Sansa, nem antagonizado Tyrion e até mesmo se ele não tivesse sido envenenado por Olenna? Com ou sem Ramsay Bolton, o Norte com certeza teria uma grande trama, mas teríamos uma batalha espetacular como aquela que finalmente trouxe fim ao terror causado pelo ex-bastardo do Forte do Pavor? E agora, resta imaginar que atrocidades, além da destruição da frota de Yara, Euron irá nos trazer. Resta assistir os próximos episódios para saber. See ya!

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