O Universo atual das HQs nas séries de TV

Arrow Shield

 

A TV americana viu um gênero começar a conquistar espaço entre suas atrações, e que hoje já representa um dos maiores ícones da cultura pop mundial. As adaptações de histórias em quadrinhos, que antes tinham dificuldades em se firmar no cinema, transcenderam à tela grande nos últimos anos e vem criando raízes nos lares dos americanos através dos seriados, mostrando assim que o gênero virou coisa séria.

Você pode até questionar em determinado ponto e argumentar que este tipo de gênero sempre fez sucesso. Com certeza, se você hoje está na faixa dos vinte ou trinta anos, tem um pai ou mãe que deve ter assistido alguma vez um episódio de Zorro, As Aventuras de Superman ou Batman, produções de enorme sucesso na TV no fim dos anos 1950 e início dos anos 1960. A diferença é que naquela época estas séries eram produzidas com um foco único nas crianças – e consequentemente, em seus brinquedos e produtos licenciados. Hoje em dia, as séries de heróis representam mais do que isso, elas fazem parte de um gênero consolidado que foca mais no público adulto, fazendo até críticas à sociedade de uma forma geral.

A mudança deste perfil e consequentemente a popularização na TV se deve bastante à qualidade das histórias em quadrinhos apresentadas entre o final da década de 1970 e início da de 1990. Nestes anos, o universo das HQs teve seu cenário completamente mudado. As editoras líderes de mercado (DC Comics e Marvel) começaram a humanizar mais seus personagens, ocasionando uma evolução em seu roteiro sem igual. O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, Sandman de Neil Gaiman, X-Men de Chris Claremont e New Teen Titan de Mark Wolvman são apenas alguns dos exemplos que participaram dessa mudança e fizeram um sucesso enorme nos anos 1980, sendo lembradas até hoje.

Quem primeiro sofreu o impacto dessa “revolução” nas histórias em quadrinhos foi o cinema. Superman (1978), dirigido por Richard Donner, reinou nos anos 1980 como a adaptação em quadrinhos que deu certo. O personagem passaria a dividir o trono apenas no final desta década quando depois de diversas tentativas, Batman (1989) de Tim Burton fez um enorme sucesso de crítica e bilheteria.

Se na década de 1980 a Marvel mostrou sua timidez na TV com a série do Hulk, nos anos 1990 o reinado da DC Comics continuaria, principalmente com a franquia de Batman no cinema e o seriado Lois & Clark – As Novas Aventuras do Superman, que apresentava uma proposta de deixar o Superman como coadjuvante e dar destaque a dinâmica entre os dois repórteres do Planeta Diário. Entretanto a escassez deste gênero ainda era bem notada.

Os anos 2000 mostraria um verdadeiro estouro, e as histórias em quadrinhos passariam a chegar com força na tela grande, principalmente por conta das adaptações da Marvel Comics, que em parceria com a Sony e FOX, realizaria diversos longas como X-Men, Homem Aranha, Demolidor, Hulk entre outros… A popularidade deste gênero pode ser observada principalmente pelo fato de que a geração dos anos 1980, que cresceu com essa nova “maturidade” das HQs, tornou-se adulta e consequentemente um dos principais alvos destes estúdios. A coisa deu certo, e hoje nos deparamos com uma média de cinco a seis longas do gênero por ano, em que Marvel e a DC são os verdadeiros protagonistas de um embate para ver quem arrecada mais e faz melhor.

E onde as séries de TV entram no meio disso tudo? Assim como no cinema, a escassez de originalidade na TV está em alta. Remakes apareceram a todo momento, e as histórias em quadrinhos acabaram se tornando uma fonte preciosa para os roteiristas. Pela DC, Smallville retratou por dez anos as histórias do jovem Clark Kent. Arrow, série que conta a origem e os primeiros anos de atuação do Arqueiro Verde, é hoje uma das séries mais comentadas da atualidade e campeã de citações em redes sociais e vendagem de produtos licenciados. A Marvel produz hoje um crossover em seus longas com a série Marvel’s Agent’s of Shield. The Walking Dead, série baseada na franquia de mesmo nome da Image Comics, é atualmente a série mais vista da TV cabo. O público alvo da TV é justamente os que estão hoje entre 20 e 40 anos, que viveram na “revolução” das HQs dos anos 1980, fazendo girar o capital que financiam estas produções hoje em dia. Graças à mudança de cenário destas revistas no período citado, temos hoje grandes produções que preenchem cada vez mais a TV.

E claro, a tendência é só aumentar: só em 2014 tivemos Gotham na FOX (série que conta a origem do Comissário Gordon e como Bruce Wayne lidou com a morte de seus pais), Flash na CW (espécie de Spin-Off de Arrow, que mostrará o herói e seu cotidiano em Central City). Um spin off de The Walking Dead na AMC também já está a caminho… E não para por aí. Até os serviços de Streaming entraram na dança, e a Netflix produzirá quatro séries com personagens da Marvel, incluindo o Demolidor, Luke Cage, Punho de Ferro, e Jessica Jones, culminando depois em uma minissérie dos Defensores.

Esta onda é apenas o ponta pé, e o que fica claro é que as séries de heróis deixaram de ser coisa para criança há bastante tempo. Esse gênero com certeza veio para ficar. Vida longa às adaptações de HQs na TV, e que excelentes produções sejam realizadas, para honrar um precioso entretenimento que finalmente tem seu valor reconhecido.

*Texto originalmente publicado no dia 18/04/2014.

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

2 comments

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  1. Eduardo Nogueira
    Eduardo Nogueira 20 abril, 2014 at 00:28 Responder

    A Marvel vem se surpreendendo a cada produção cinematográfica, enquanto a DC na TV. Agora elas estão prestes a inverter esse papel, melhor dizendo se destacar nos dois ambientes (cinema e TV), a Marvel com SHIELD e a DC com o novo filme do Superman que será o pontapé inicial para o tão aguardado filme da Liga da Justiça. Vamos observar…
    Ótimo texto Nar!

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