UnReal – 2×05 – Infiltration

UnReal Infiltration MAIOR

Imagem: Pop Matters

No seu melhor episódio da temporada e um dos mais memoráveis da sua trajetória, UnReal nos trouxe vários momentos neste segundo ano que fez com que o telespectador realmente duvidasse da capacidade do roteiro em superar a si próprio, pois uma das coisas que a nova “Era de Ouro” da televisão trouxe aos consumidores foi a impaciência, obrigando as séries a não só correr com suas narrativas, como também bolar uma maneira de fazer isso fazer sentido no fim.

UnReal Infiltration MENOR

Imagem: Vulture

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Em Infiltration”, temos a oportunidade de perceber que os problemas do passado estão em processo de correção, enquanto os roteiristas mostram-se ainda mais ousados e dispostos a tratar de temas que a TV aberta nem sonharia em trazer ao telespectador. Todavia, além de terem uma determinação é preciso saber como atingir o objetivo e ter certeza que foi feito da melhor maneira possível, caso contrário, temos uma frustração generalizada e o canal é forçado a pedir o cancelamento por escorregões criativas. The Muppets, desta última temporada, é o mais perfeito exemplo do que acabei de expor.

Apesar de sentirmos que isso poderia acontecer a qualquer momento com UnReal, o quinto episódio foi exibido para mostrar que tudo aquilo apresentado até então fazia parte de um plano maior, que vai além de críticas pontuais à televisão e sua insistente manipulação. Infiltration” apresenta uma mudança radical nos rumos que esse drama vinha trilhando até o momento, porém minha referência não resume-se aos fatos do encerramento do episódio, porque o conjunto da obra com Quinn, Darius, Ruby e a introdução de John Booth.

Quando assistimos o Season Premiere, ficava bastante claro que a questão racial seria a alma desta temporada. Concordando ou não com o tom de algumas abordagens que o roteiro teve, é louvável que uma produção tenha conseguido a aprovação do canal para falar tão abertamente da dificuldade que é de se colocar um negro como protagonista de qualquer coisa na televisão ou até mesmo, do quão minúsculo o espaço de uma mulher negra pode ser, caso ela não dance de acordo com a música.

Justamente por tais razões que tornaram esse episódio, tão duro e chocante de assistir, porque estávamos assistindo essas críticas em doses homeopáticas e aqui tudo foi despejado de uma vez, fazendo com que o telespectador não só tivesse a oportunidade de fazer grande reflexão referente aquilo que acabara de assistir, como fazer uma auto-crítica. Percebe o quão ousado é uma série apontar o dedo para aquele que lhe mantém no ar?

Não é minha vontade dar spoilers ao caro leitor, mas quero que prestem muita atenção o espetáculo criado em torno da relação de Darius e Ruby e o quão delicioso foi a entrada de Ioan Gruffudd, fazendo com que falasse palavras que sequer pensei que seriam possíveis, mas ainda bem que a ABC cancelou Forever para que ele pudesse estar disponível. 

[youtube] https://www.youtube.com/watch?v=LRaj5dBg40c [/youtube]

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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